Bahia continua sendo líder em mortes por choque elétrico

De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, publicado pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos de Eletricidade (Abracopel), o estado registrou 83 incidentes com 62 óbitos em 2023

A Bahia continua sendo o estado com o maior número de mortes por acidentes elétricos no Brasil, com 61 óbitos registrados no primeiro semestre deste ano. O número é alarmante, refletindo uma tendência preocupante que se estende por todo o estado. Na última segunda-feira (16), uma nova tragédia ocorreu em Tanquinho, onde uma mulher de 44 anos, identificada como Maria Silva Viana, sofreu uma forte descarga elétrica enquanto realizava tarefas domésticas. Ela foi encontrada ao lado de uma máquina de lavar, cercada por água e fios expostos.

De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, publicado pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos de Eletricidade (Abracopel), o estado registrou 83 incidentes com 62 óbitos em 2023. No total, o Brasil teve 675 mortes por choque elétrico no ano passado, sendo 218 delas no Nordeste.

O ranking de mortes por choque elétrico no primeiro semestre deste ano também inclui outros estados com números. O Rio Grande do Sul registrou 52 mortes, São Paulo e Pará tiveram 45 cada, Paraná 41, Santa Catarina 40, e Goiás 37. Outros estados também apresentam números significativos, como Minas Gerais com 33, Mato Grosso e Pernambuco com 29 cada, e Paraíba com 25.

O engenheiro eletricista Edson Martinho, diretor executivo da Abracopel, atribui a alta taxa de acidentes na Bahia a falhas nas instalações elétricas. Ele destaca a ausência de dispositivos de proteção adequados, como o Dispositivo Diferencial Residual (IDR), que pode prevenir choques elétricos ao desligar a instalação elétrica em caso de falha. “Muitas vezes, os profissionais têm receio de instalar o IDR, pois ele pode evidenciar erros na instalação. Além disso, muitos usuários desconhecem a importância do dispositivo e acabam não o instalando por acharem que é caro ou complicado”, explica.

Além das falhas na instalação, o desconhecimento dos riscos é um fator crucial para o aumento dos acidentes. Martinho ressalta que mesmo choques elétricos de baixa tensão, como os de 127 ou 220 volts, podem ser fatais. “As pessoas subestimam a gravidade dos choques elétricos. Qualquer choque acima de 50 volts pode ser mortal, e as tomadas comuns no Brasil operam em tensões bem superiores a isso”, alerta.

Mario Jambeiro, engenheiro de Segurança da Neoenergia Coelba, disse que a maioria dos acidentes elétricos ocorre dentro das residências. Jambeiro destaca que, ao identificar qualquer situação de risco, é crucial entrar em contato imediatamente pelo telefone 116. “A segurança da nossa população é nossa prioridade máxima. Se perceber qualquer perigo, ligue para a Energia Coelba, e uma equipe será enviada imediatamente para resolver o problema”, alerta.

O engenheiro ressalta que, embora a energia não tenha cor nem cheiro, ela pode ser percebida pelo tato, e oferece recomendações valiosas para minimizar os riscos de choque elétrico:

1. Manutenção dos Circuitos Elétricos: Realize uma revisão completa da instalação elétrica a cada cinco anos. Um profissional qualificado deve avaliar se a fiação está adequada para a demanda de energia e se não há riscos de acidentes.

2. Cuidados com Equipamentos Energizados: Evite manusear equipamentos elétricos, como máquinas de lavar, enquanto estão ligados. Desconecte o aparelho antes de ajustá-lo ou adicionar mais roupas. Além disso, verifique se todos os equipamentos eletrônicos possuem um selo de certificação, o que garante que foram testados e são seguros para uso.3. Uso Moderado de Benjamins: Evite o uso excessivo de benjamins (adaptadores), que podem superaquecer e aumentar o risco de incêndios. Certifique-se de que a quantidade de equipamentos conectados não exceda a capacidade do adaptador.

4. Instalação de Disjuntores Residenciais: Utilize disjuntores diferenciais residuais (DR) em sua casa. Esses dispositivos de proteção desligam a energia em caso de fuga ou curto-circuito, protegendo os moradores de choques elétricos.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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