De acordo com levantamento, 1,8 milhão de internações hospitalares por acidentes de trânsito entre 2015 e 2024
A cada dois minutos, uma pessoa é hospitalizada no Brasil devido a um acidente de trânsito, segundo levantamento das Associações Brasileiras de Medicina do Tráfego (Abramet) e de Medicina de Emergência (Abramede), divulgado durante a campanha Maio Amarelo 2025. O dado escancara uma epidemia silenciosa que, além de provocar milhares de mortes e incapacitações, sobrecarrega o Sistema Único de Saúde (SUS) e drena bilhões de reais dos cofres públicos.
Na Bahia, o retrato é alarmante. De acordo com a Abramet, entre 2015 e 2024, foram registradas 107.820 internações por acidentes de trânsito no estado — o maior número do Nordeste e o terceiro do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Os dados têm como base o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/Datasus), com análise feita pelas entidades médicas.
A entidade aponta, ainda, que entre 2014 e 2023, o número anual de internações no estado saltou de 11.825 para 17.972, o que representa um crescimento de 51,96%. Um aumento expressivo que expõe não apenas o aumento da frota de veículos, mas também a fragilidade das políticas de prevenção e fiscalização.
O impacto financeiro também chama atenção. De acordo com levantamento realizado pela Abramet e pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), com base em dados do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 1,8 milhão de internações hospitalares por acidentes de trânsito entre 2015 e 2024. Essas internações resultaram em um custo direto de R$ 3,8 bilhões. O valor é suficiente, segundo a Abramet, para construir 64 hospitais de médio porte ou habilitar quase 13 mil leitos de UTI.
Boa parte dessas hospitalizações envolve motociclistas. Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) revelam que, em 2023, 75,8% das 15.007 das internações por acidentes de trânsito no estado foram de pessoas envolvidas em ocorrências com motocicletas. A estatística mostra um crescimento em relação a 2022, quando o índice era de 73,3%.
Esse cenário reflete o uso massivo das motocicletas como meio de transporte e ferramenta de trabalho, especialmente em áreas urbanas e rurais do estado. Além da ampla circulação, a vulnerabilidade do motociclista diante de colisões — sem a proteção que veículos fechados oferecem — eleva significativamente o risco de traumas graves, sequelas permanentes e necessidade de reabilitação prolongada.
“Estamos diante de uma epidemia. Os hospitais estão sobrecarregados com vítimas de ocorrências evitáveis. É urgente agir com responsabilidade e prioridade”, alerta o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior. Já a presidente da Abramede, Camila Lunardi, defende ações coordenadas entre os entes públicos: “Não se trata apenas de trânsito. É um problema de saúde pública”
Casos como o do eletricista Jonathan Goes dos Reis, de 30 anos, exemplificam o drama por trás das estatísticas. Motoboy nas horas vagas, ele sofreu uma fratura exposta ao tentar desviar de um carro no final de 2023. “Fiquei sete meses sem trabalhar. A recuperação foi dolorosa e afetou tudo: saúde, renda e rotina”, lembra. Rodrigo dos Santos Mota, motorista de aplicativo, vive situação semelhante após cair da moto durante uma ultrapassagem. “Estou afastado pelo INSS, andando de muleta. É difícil demais”, diz.
Fonte: Tribuna da Bahia






