Alguns municípios em situação crítica já começaram a receber a vacina contra a dengue, porém, enquanto o imunizante ainda não está disponível em larga escala, é preciso ficar atento às medidas de proteção individual do mosquito Aedes aegypti.
A Folha de S.Paulo conversou com infectologistas para esclarecer quais são as medidas mais eficazes no combate e proteção à dengue. Veja abaixo.
REPELENTES
Os especialistas ouvidos pela reportagem confirmam que os repelentes são altamente recomendados na proteção contra a picada do mosquito. Todavia, é preciso ficar atento a que tipo de repelente usar.
Hoje, há três substâncias recomendáveis na composição dos repelentes para o uso e tidas como eficazes pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
São elas o DEET (N-dimetil-meta-toluamida ou N,N-dietil-3-metilbenzamida), IR3535 (Ethyl butylacetylaminopropionate) e a icaridina (Hydroxyethyl isobutyl piperidine carboxylate ou Picaridin).
A depender da composição, alguns repelentes terão proteção por maior ou menor tempo. Segundo Fábio Bombarda, médico infectologista da Santa Casa de Araçatuba, independentemente da escolha, é preciso estar atento às indicações de utilização disponíveis no rótulo, reaplicando após o fim do período de efeito ou após o banho.
“O certo é utilizar até no máximo três vezes ao dia apenas nas áreas expostas. E, ao aplicar o repelente com outros produtos, como hidratante, protetor solar ou maquiagem, sempre passar o repelente por último”, comenta o especialista da Santa Casa.
No que diz respeito ao uso infantil, é preciso estar atento, já que nem todas as composições são de uso pediátrico.
Existem ainda produtos registrados contendo substâncias naturais como citronela, andiroba e óleo de cravo, porém não possuem comprovação de eficácia nem a aprovação pela Anvisa até o momento, esclarece o infectologista Ivan França, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
INSETICIDAS
Inseticidas em spray ou de tomadas ajudam a matar os mosquitos adultos, principalmente em ambientes fechados.
Para Bombardi, é preciso só ter cuidado com o perfil de segurança, especialmente se tiver animais em casa, pessoas alérgicas e/ou com problemas respiratórios.
Esses produtos funcionam, desde que usados em conjunto com outras medidas, pois sua eficácia é limitada, comentam os especialistas. O método mais eficaz de controle manual é eliminar os criadouros do mosquito.
TELAS E MOSQUITEIROS
Uma medida simples e de alta eficácia é o uso de mosquiteiros e telas, conta Fábio Bombarda.
“Uma forma de proteção é o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo, mas sabemos que, principalmente no verão, isso é inviável. Então, o uso de mosquiteiros e telas nas janelas ajudam bastante. É uma forma extremamente mecânica e natural de você evitar que os mosquitos entrem, protegendo principalmente as crianças pequenas que ainda não podem usar repelente”, diz o médico da Santa Casa de Araçatuba.
De acordo com França, o cloro não é a medida mais eficaz para os ralos. O melhor é mantê-los fechados e, se não for possível, colocar as telas —assim o mosquito não vai conseguir passar para colocar seus ovos.
ELIMINAÇÃO DOS CRIADOUROS
Não há ação de maior combate à dengue do que prevenir a proliferação do mosquito. Em outras palavras, o melhor método de proteção é se certificar de que não há criadouros dentro de casa.
“Além disso, sempre que for visitado por um agente de saúde, receba-o bem, deixe que ele faça a inspeção e forneça as informações solicitadas”, diz o especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Os infectologistas dão algumas dicas de ações para revisão e proteção da casa:
Verificar as calhas (removendo folhas, galhos e tudo que possa impedir a água de correr pelas calhas);
Manter a caixa d’água sempre fechada com tampa adequada;
Colocar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira bem fechada;
Fechar os ralos com telas;
Eliminar entulhos;
Limpar sempre que possível vasos, potes, pratinhos e outros objetos que acumulam água (mesmo que secos).
A última dica, segundo Bombarda, é de fundamental importância, pois, mesmo em ambientes que secam naturalmente, os ovos do Aedes aegypti podem ficar ali conservados por até um ano e meio. “Quando a gente elimina o criador do mosquito, a gente elimina o mosquito.”
Fonte: Bahia Notícias






