Ambos estão sob os cuidados da médica Fernanda Capareli, oncologista especializada em tumores gastrointestinais, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo
Por Adriana Dias Lopes , O GLOBO — São Paulo Em janeiro de 2023, Preta Gil foi diagnosticada com câncer colorretal. De lá para cá, passou por sessões de quimioterapia, radioterapia e cirurgias. A última, feita no fim de 2024, foi para extirpar tumores na região da pelve. Preta saiu do procedimento com uma bolsa de colostomia definitiva, dispositivo que serve para a eliminação de fezes. Em março deste ano, Tony Bellotto foi às redes dizer que havia sido diagnosticado com câncer de pâncreas e que passaria por uma operação.
Ambos estão sob os cuidados da médica Fernanda Capareli, oncologista especializada em tumores gastrointestinais, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. São doenças diferentes, com histórias diferentes. Mas a maneira como ambos lidam com a situação, de forma transparente, franca e “extremamente resiliente”, como observa a médica Capareli na entrevista a seguir, tem servido de exemplo para centenas de pacientes quem lidam com o câncer.
Como foi detectado o câncer do Tony Bellotto?
Ele descobriu a doença durante um check-up. Um ultrassom de rotina levantou a suspeita, identificou um cisto no pâncreas. A confirmação veio com exames complementares, ressonância e tomografia. O Tony faz parte de um grupo de não mais de 30%, que são os pacientes que descobrem a doença em fase localizada passível de cirurgia. Esse tumor não fica quieto por muito tempo. Ele tem um comportamento de se transformar em metástase precocemente. No caso dele, não foi detectada lesão secundária.
Como ele reagiu ao diagnóstico?
É muito comum o paciente passar por algumas fases ao saber que está com câncer: da surpresa, da negação, da aceitação. O Tony não teve a negação, não fez a pergunta “por que eu?”. A postura dele é “como podemos resolver isso”.
O câncer de pâncreas costuma ser silencioso. Existe algum sintoma comum para estar atento?
Alguns descobrem no ortopedista com uma dor nas costas. O pâncreas é mais próximo da coluna do que da parede abdominal. Um tumor, uma pancreatite, uma obstrução, podem dar desconforto nas costas. Mas é raro. Ele costuma ser achado em meio a exames de rotina.
O Tony Bellotto é uma pessoa com bons hábitos de vida, surpreende ele ser diagnosticado com câncer de pâncreas?
Todos nós estamos predispostos a ter câncer. O maior fator de risco para a doença é o envelhecimento. Mesmo a pessoa tendo uma vida estritamente saudável em todos os aspectos, se é que isso é possível, não anula a possibilidade de tumor. No caso dele, a despeito de bons hábitos, alguma interação fez com que uma célula normal se transformasse numa célula diferente, cancerígena. Existe uma complexidade no câncer em si que é a de ter múltiplas vias. Os cânceres são heterogêneos, mesmo sob o ponto de vista
molecular. Um tumor nasce das células do indivíduo. Ele tem fatores de crescimento diferentes, mutações diferentes, sensibilidades diferentes aos tratamentos. Ou seja, cada caso é um caso.
Como será o tratamento dele?
O protocolo não está completamente fechado, mas ele deverá fazer uma cirurgia nas próximas duas ou três semanas e depois se submeter a uma quimioterapia para tratar eventuais células não detectadas.
Como está a saúde da Preta Gil neste momento?
A Preta está em recuperação de uma cirurgia de grande porte, e os próximos passos vão depender dos exames de acompanhamento, como ressonância magnética e PET-CT, que deverão ser feitos até o fim desta semana. Não há lesão visível. Esses exames deverão ser repetidos a cada três meses. A cada duas ou três semanas ela tem feito exames de sangue para ver função renal e outras taxas sanguíneas. Depois de um diagnóstico de um câncer, os exames regulares são fundamentais. O que define se o paciente está curado ou não é o tempo.
Fonte: Tribuna da Bahia






