A TCC, terapia cognitivo-comportamental, foi desenvolvida ao longo do século 20 por psicólogos e psiquiatras como uma alternativa para pessoas com depressão que não se beneficiavam da psicanálise criada por Sigmund Freud (1856-1939).
Enquanto a psicanálise enfatiza a importância de mergulhar no inconsciente do sujeito analisado, a terapia cognitiva foca a necessidade de examinar a percepção da pessoa sobre suas experiências.
De modo geral, os estudiosos cognitivos rejeitavam a psicanálise por considerá-la pouco científica e baseada em teorias difíceis de comprovar, como a lembrança reprimida.
A terapia cognitiva desenvolvida por Beck fez com que os pacientes se sentissem melhor em um tempo menor de tratamento do que os submetidos à psicanálise. O psiquiatra conseguiu demonstrar a eficácia ao aplicar métodos científicos para garantir provas empíricas.
Nos anos 1980, a terapia cognitiva de Beck se uniu à teoria comportamental do psiquiatra sul-africano Joseph Wolpe (1915-1998), dando origem à terapia cognitivo-comportamental e suas diferentes vertentes utilizadas atualmente.
Por sua caraterística de examinar pensamentos e comportamentos diante de uma situação que causa desconforto, a TCC é a primeira escolha de psicoterapia para transtorno de pânico e de ansiedade indicada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
“Na TCC, o psicólogo não procura apenas escutar o paciente, a sua história, mas também propor mudanças comportamentais e cognitivas a partir do seu dia a dia”, diz Mariângela Gentil Savoia, psicóloga e doutora em psicologia clínica pela USP (Universidade de São Paulo), coordenadora e professora do curso de especialização em terapia cognitiva-comportamental do Amban do IPq-HCFMUSP (Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP).
A seguir, a psicóloga explica as indicações da TCC e o que o paciente pode esperar do tratamento.
O que é a terapia cognitivo-comportamental?
A terapia cognitiva-comportamental, essa denominação, é de um grande guarda-chuva que abriga diversas abordagens. Mas, basicamente, o que a diferencia de outros métodos é que a TCC é uma terapia baseada em evidências, pois tem vários estudos controlados demonstrando eficácia clínica.
A TCC tem menor recaída comparada à farmacoterapia, por exemplo. É um processo breve e a aplicação das técnicas não é complicada, são questões com bom aprendizado.
As bases empíricas remetem ao início do século 20. Os estudos com animais começam com o fisiologista russo Ivan Pavlov (1849-1936), em 1904, depois se desenvolve com o behaviorismo, com os psicólogos americanos John B. Watson (1878-1958) e com Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). Mas a psicoterapia mesmo se inicia na década de 1950 com o psiquiatra sul-africano Joseph Wolpe (1915-1998), que traz a dessensibilização sistemática e o treino de assertividade.
Fonte: Folha de São Paulo






