As substâncias tóxicas do cigarro são eliminadas pela urina e agridem a bexiga, causando entupimento das artérias, diminuindo o fluxo nos vasos sanguíneos do órgão sexual masculino, podendo afetar a vida sexual dos homens
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado no dia 29 de agosto, os especialistas alertam sobre os riscos que o cigarro traz para a saúde. Embora, o número de fumantes esteja em declínio no Brasil, a quantidade de usuários ainda preocupa. Dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada em 2019, apontam que entre a população brasileira com 18 anos ou mais de idade, a prevalência de usuários de produtos derivados de tabaco, fumado ou não fumado, de uso diário ou ocasional foi de 12,8%.
Segundo o Inca, a estimativa é de 11.370 novos casos câncer de bexiga em 2023, sendo 7.870 casos em homens e 3.500 em mulheres. Para o estado da Bahia são estimados 550 novos casos da doença, atingindo 370 homens e 180 mulheres. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), entre 2018 e 2023, 1.346 pessoas morreram de câncer de bexiga no estado. Desse total, 902 foram do sexo masculino e 444 do sexo feminino.
Para o chefe do Serviço de Urologia da Universidade Federal da Bahia, Lucas Batista, é preciso combater esse hábito que favorece a diversas doenças. As substâncias tóxicas do cigarro, quando inaladas, entram na corrente sanguínea, são filtradas pelos rins e eliminadas pela urina que agridem a parede da bexiga, o que pode danificar células da região.
“Sempre que inalamos os vapores do tabaco estamos absorvendo uma série de substâncias químicas nocivas. Muitas toxinas da fumaça do cigarro são eliminadas pelo trato urinário, porém, quando a urina está em contato com a bexiga por muitas horas, ela pode ser exposta a concentrações muito altas de toxinas da fumaça do cigarro”, explica o urologista.
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga ocupa a décima segunda posição entre os tipos de câncer mais frequentes no país, segundo o Inca. Cerca de 90% dos diagnósticos do tumor na fase inicial podem ser curados com uma cirurgia endoscópica. Mesmo assim, a doença pode avançar e, caso se torne metastática, tem uma mortalidade acima de 90%.
“Se o diagnóstico é feito na fase mais avançada da doença, quando as células cancerígenas invadem a parede muscular da bexiga, é necessário realizar uma cirurgia para retirada completa do órgão com a necessidade de reconstrução do trato urinário por uma técnica minimamente invasiva, como laparoscopia ou cirurgia robótica. Essas técnicas permitem uma série de benefícios, como menor sangramento, menos dor, discretos, pequenos cortes na barriga e alta hospitalar mais precoce”, explica o especialista.
É importante procurar com urgência um urologista em caso de manifestação de sintomas urinários para investigação da doença, para não ter o diagnóstico tardio e não aumentar a morbidade e mortalidade no câncer de bexiga. Alguns sintomas indicativos para esse tipo de câncer são sangue na urina (hematúria) que pode ser intermitente, sintomas de bexiga irritada (dor para urinar e aumento da frequência urinária, sensação de bexiga cheia).
Câncer de rim
O tabagismo também é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de rim. Fumantes podem ter até quatro vezes mais chances de desenvolver este tipo de tumor. Assim como ocorre com a bexiga, o rim também é atingido pelas substâncias tóxicas presentes no tabaco que são filtradas pelo rim.
O câncer renal está entre os 14 mais incidentes do mundo (sem considerar o câncer de pele não melanoma), segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com o órgão, no Brasil, o câncer de rim representa 2% dentre todos os tipos de tumores malignos.
Com base nas estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o triênio 2023-2025, esse percentual representa cerca de 14 mil casos no Brasil e 780 na Bahia. De acordo com a Sesab, entre 2018 e 2023, 766 pessoas morreram vítimas de câncer de rim na Bahia. Deste total, 311 eram mulheres e 455 homens.
Tabagismo e disfunção erétil
Muitas pessoas não sabem, mas o tabagismo também pode afetar diretamente a saúde sexual masculina, causando problemas como a disfunção erétil. O cigarro é um fator de risco porque predispõe a formação de placas na parede das artérias, conhecido como aterosclerose, diminuindo o fluxo de sangue.
“O uso contínuo do cigarro causa entupimento das artérias, deixando-as com pouca dilatação, diminuindo o fluxo nos vasos sanguíneos do órgão sexual masculino. A ereção não ocorre, pois necessita de alta concentração de sangue na região”, explica o urologista Lucas Batista.
Estima-se que 100 milhões de homens no mundo apresentem algum grau de disfunção erétil, sendo o problema mais comum na população após os 40 anos. No Brasil, a prevalência se aproxima de 50% após os 40 anos, algo em torno de 16 milhões de homens.
Fonte: Tribuna da Bahia






