Sesab vai fazer sindicância para apurar se houve omissão ou má conduta dos profissionais
A morte de dois bebês na Maternidade Albert Sabin está sendo alvo de investigação devido a alegações de negligência médica por parte dos pais. Os fetos, tidos como saudáveis, perderam suas vidas na última terça-feira (18), pouco antes do parto, na unidade de saúde localizada no bairro de Cajazeiras, em Salvador.
No primeiro caso, Ailla Daltro e William Samuel dos Santos informaram que foram três vezes à maternidade após ela sentir fortes dores. Somente no último dia, foi internada, e mesmo com a dilatação de 5 cm, a equipe se recusou a fazer a cesárea. O pai da criança declarou que, antes de ser constatada a morte do filho, uma enfermeira relatou que os batimentos do bebê estavam diminuindo e que achava que ele estava em sofrimento fetal.
No segundo caso, Daiane de Jesus, mãe de sete filhos, também afirma ter enfrentado problemas na Maternidade Albert Sabin. Na primeira visita, foi informada que não seria internada, apesar de estar contraindo. Somente no segundo dia, após sentir dor e ser constatada a ausência de batimentos da criança, ela conta que foi submetida a uma cesárea de emergência, sendo constatado que o bebê estava morto após o descolamento da placenta.
Sesab apura casos
Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a direção da Maternidade Albert Sabin informaram que estão consternadas com a situação. A Sesab informou que fará a instauração imediata de sindicância para apurar detalhadamente o fato e identificar a eventual omissão e/ou má conduta por parte dos profissionais.
“Não será tolerada nenhuma forma de desatenção por negligência, imperícia ou imprudência. Todos os atos serão devidamente apurados”, garantiu o Superintendente de Atenção Integral à Saúde da Sesab, Igor Lobão, diante das denúncias dos pais dos bebês.
Envolvidos podem responder na Justiça
Em entrevista à Tribuna da Bahia, o professor de Direito Penal Carlos Clovis explicou o que pode caracterizar negligência médica: “Desleixo, descuido, falta de zelo, falta de aplicação ao realizar determinada tarefa e agir com irresponsabilidade ao assumir um compromisso. É o ato de depreciar, de não dar a algo o seu devido valor”, explicou.
Carlos Clovis falou sobre as possíveis consequências legais para a instituição de saúde, profissionais médicos ou outros envolvidos em casos de negligência médica que levam ao óbito de pacientes: “Processo administrativo com análise do prontuário médico, assim como uma análise na comunicação entre o serviço social, portuário médico e procedimentos técnicos. Processo civil com direito a danos morais de acordo com o abalo e a consequência que o fato causou”, pontuou.
Fonte: Tribuna da Bahia






