Salvador registra cerca de 218 mil diagnósticos de diabetes em 2023

O Brasil ocupa o 5º lugar mundial em termos de incidência de diabetes e é o 2º país em número de mortes por diabetes tipo 1 não diagnosticada

Atualmente, o Brasil possui cerca de 20 milhões de pessoas com diabetes, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. Por ser uma doença silenciosa, muitos indivíduos desconhecem sua condição, o que pode resultar em sérias complicações, como problemas nos rins, no coração, neuropatias e até cegueira. Além disso, existem pessoas que ainda não desenvolveram diabetes, mas estão em uma fase conhecida como pré-diabetes, quando os níveis de glicose estão elevados, porém não o suficiente para um diagnóstico definitivo de diabetes.

O Dr. Luciano Giacaglia, coordenador do Departamento de Diabetes Tipo 2 e Pré-Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes, explica que a pré-diabetes significa um risco elevado de evoluir para o diabetes tipo 2. Isso ocorre porque o corpo não consegue produzir insulina suficiente para manter os níveis de glicose dentro da faixa saudável.

Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 50% dos indivíduos diagnosticados com pré-diabetes irão desenvolver diabetes tipo 2 dentro de 10 anos. Como a pré-diabetes não apresenta sintomas, o diagnóstico é feito por meio de exames de rotina, como a glicemia em jejum, a hemoglobina glicada e o teste de tolerância à glicose oral (curva glicêmica). Esses exames devem ser feitos regularmente a partir dos 35 anos, especialmente em pessoas com fatores de risco, como sobrepeso, obesidade ou histórico familiar de diabetes. “Diagnosticar precocemente é essencial para iniciar o tratamento e até reverter a condição”, destaca Dr. Luciano. Muitas vezes, mudanças no estilo de vida são recomendadas, e em alguns casos, medicamentos podem ser necessários para controlar a glicemia.

O Brasil ocupa o 5º lugar mundial em termos de incidência de diabetes e é o 2º país em número de mortes por diabetes tipo 1 não diagnosticada. Esses dados alarmantes refletem a falta de conscientização e a carência de cuidados adequados em relação à doença.

Conforme dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), aproximadamente 218 mil pessoas em Salvador foram diagnosticadas com diabetes. Entre elas, 12% são mulheres e 6% homens.

Segundo informações do Sistema de Informações em Saúde para a Atenção Básica (Sisab) de 2023, quase 30 milhões de atendimentos relacionados ao Diabetes Mellitus (DM) ocorreram nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em todo o Brasil, com 65% dos atendidos sendo mulheres e 35% homens. Para aumentar a conscientização sobre os riscos da doença, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituíram o Dia Nacional do Diabetes, comemorado nesta quarta-feira (26).

A nutricionista Carolina Dias explicou como funcionam os diferentes tipos de diabetes. Ela afirmou que o tipo 1 da doença geralmente se manifesta na infância ou adolescência e é uma condição autoimune, em que o corpo ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Já o tipo 2, mais comum em adultos, ocorre quando o organismo desenvolve resistência à insulina ou não a produz em quantidade suficiente para controlar os níveis de glicose no sangue. Dias destacou que, quando o diabetes não é adequadamente controlado, os altos níveis de açúcar no sangue podem danificar vasos sanguíneos e órgãos. “Isso aumenta o risco de problemas nos rins, visão, coração e até nos nervos, o que pode afetar até a sensibilidade dos pés. Em resumo, o diabetes pode ser ‘silencioso’ no início, mas, a longo prazo, causa danos significativos ao corpo”, afirmou.

Quanto aos principais sintomas da doença, ela mencionou sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço, visão embaçada e perda de peso repentina. No caso do tipo 2, os sintomas podem se desenvolver de maneira mais lenta, o que faz com que muitas pessoas não percebam. Dias também alertou sobre a importância de manter os exames de sangue em dia.

Em relação à reversibilidade ou controle da doença, a nutricionista esclareceu que o diabetes tipo 1 exige o uso de insulina e não pode ser revertido, enquanto o tipo 2 pode, em alguns casos, ser controlado com mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável e prática regular de exercícios, principalmente nas fases iniciais da doença. “É fundamental manter o controle da glicemia sempre em níveis adequados e realizar consultas médicas regulares. Somente o médico pode ajustar a medicação necessária”, reforçou.

A alimentação tem um papel crucial no controle do diabetes. Em casos de diabetes tipo 2, por exemplo, uma dieta adequada pode ajudar a controlar a doença. Uma alimentação equilibrada pode prevenir picos de glicose, proteger o corpo contra possíveis complicações e ainda melhorar os níveis de energia e disposição no dia a dia.

No caso do diabetes gestacional, a nutricionista recomendou que as mulheres durante a gravidez consumam alimentos ricos em fibras, como vegetais, frutas frescas, grãos integrais e leguminosas. Esses alimentos ajudam a reduzir a velocidade de absorção do açúcar, evitando variações bruscas nos níveis de glicose. “As fibras também promovem sensação de saciedade e favorecem a saúde intestinal, o que é essencial para o metabolismo da gestante”, ressaltou.

Muitas pessoas não sabem, mas o diabetes pode causar cegueira devido a uma complicação chamada retinopatia diabética. Por isso, é importante realizar o acompanhamento oftalmológico regular. A oftalmologista Juliana Ávila explicou que a retinopatia diabética é uma alteração ocular provocada pelo diabetes descontrolado. Ela detalhou que o diabetes afeta os vasos sanguíneos e nervos, além de interferir no controle da água no corpo. “Como a glicose em excesso é uma substância hiperosmolar, ela retira água do organismo. Como o corpo humano é composto principalmente de vasos, nervos e água, o diabetes pode afetar diversas partes do corpo”, afirmou.

 

Ávila explicou que a retinopatia diabética afeta especificamente a retina, a camada mais interna do olho. A doença pode causar hemorragias em diferentes áreas da retina, hemorragias no vítreo e exsudatos que resultam em edema. Segundo a fisiopatologia do diabetes, o descontrole dos níveis de glicose provoca alterações nas paredes dos vasos sanguíneos, fazendo com que esses vasos liberem mais água do que o necessário, formando edemas.

 

Embora a retinopatia diabética não tenha cura, ela pode ser prevenida e controlada se diagnosticada precocemente. O principal tratamento envolve o controle rigoroso dos níveis de glicose no sangue e a redução dos níveis de hemoglobina glicada.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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