Praias impróprias para banho representam risco à saúde

Infecções e feridas na pele podem surgir caso banhista tenha contato com a água contaminada

Banhistas aproveitaram a trégua das chuvas neste domingo (19) e foram às praias da capital baiana: este foi o caso do estudante Caio Souza, 21 anos, que esteve no início da tarde de ontem, com um grupo de amigos, em um trecho da Orla de Amaralina. Porém, a melhora temporária das condições climáticas não afastou os riscos, já que, segundo boletim do Instituto do Meio Ambiente E Recursos Hídricos (Inema), 30 praias da cidade haviam sido consideradas impróprias para banho neste fim de semana.

Na relação de locais com más condições de balneabilidade está, justamente, Amaralina, não só no fundo da Escola Cupertino de Lacerda, em frente ao painel do artista plástico Bel Borba, como também em frente à rua do Balneário, ao Edifício Atlântico e à Praça do Budião. O órgão também condenou o banho de mar neste sábado (18) e domingo (19), em trechos de praias, como: Barra, Ondina, Rio Vermelho, Pituba, Armação, Boca do Rio, Corsário, Patamares, Pituaçu, Piatã e Itapuã.

O índice de balneabilidade é medido pela densidade de bactérias fecais no local e, de acordo com o Inema, as chuvas são responsáveis por arrastar detritos diversos, das ruas, contaminando as praias. Como alerta a médica dermatologista, Marília Acioli, os riscos são diversos: “o perigo de se banhar em águas contaminadas é enorme e são inúmeros riscos que eles trazem para a nossa saúde”.

No entanto, Caio Souza disse desconhecer que a praia estava imprópria para banho. “Nunca pesquisei isso antes de ir para uma praia e acho que as pessoas precisam de mais informação. A gente pensa que o sol já afasta o perigo, mas só pensa no mar agitado e esquece das doenças”, afirmou.

Para evitar surpresas, os banhistas devem consultar o boletim de balneabilidade do Inema, através do site: http://balneabilidade.inema.ba.gov.br/. Além disso, a dermatologista ainda aponta sinais que devem ser observados, como a mudança da cor da água do mar e a presença de lixo, o que indica contaminação da água.

“É superimportante que essa pessoa fique de olho, antes de tomar banho nessa praia, nos informes que são dados pelos órgãos públicos, falando em relação a se essa água está própria ou imprópria para banho”, reforça, indicando que o banho em água do mar deve ser evitado após períodos de fortes chuvas.

Riscos de diversas infecções

A dermatologista Marília Acioli explica que os banhistas que ignoram os alertas e frequentam praias contaminadas estão expostos, principalmente, ao risco de infecções bacterianas da pele, como foliculites, que se apresentam como pequenas espinhas que aparecem no corpo. Outro quadro comum é o de impetigos, que são feridas na pele que surgem e podem doer e coçar.

“Mas, também a gente pode ter as micoses, que são doenças causadas por fungos, que vão estar nessas águas, como também, a alergia a contaminantes, que a gente fala da dermatite de contato”, cita, se referindo à presença de substâncias químicas na água, que podem causar alergia na pele e isso vai acontecer em qualquer área que a pessoa tiver contato com essa água contaminada.

Esse foi o caso do autônomo Lucas Silva, que percebeu muitas manchas descoloridas na pele dos ombros e ao procurar um médico, foi diagnosticado com pitiríase versicolor, conhecida popularmente como micose de praia ou pano branco. “O tratamento foi longo e, depois disso, fiquei mais ligado”, conta.

Mas, há casos em que o banhista pode desenvolver conjuntivites bacterianas ou virais (quando os olhos ficam vermelhos, coçando, lacrimejando e podem apresentar uma secreção amarelada), além das otites, que são infecções do ouvido externo (e que têm, como sintomas, coceira, vermelhidão e inchaço na orelha). A especialista ainda alerta para o risco de gastroenterites, que podem ser bacterianas ou podem ser virais, tendo sintomas como: diarreia, vômitos, mal-estar e dores abdominais.

“Se houver o aparecimento de qualquer um desses sintomas, é superimportante procurar um médico para que seja diagnosticado. Mas, de antemão, a gente pensar o seguinte:  não entrar nessa água, mas uma vez que entrou na água, evitar ingerir, obviamente, evitar dar mergulhos com a cabeça (expondo nariz, boca, olho, ouvido). Se entrou na água, não percebeu que ela estava contaminada, só percebeu no meio do banho, tomar um banho de água doce, de água limpa, o mais rápido possível, e ficar observando o aparecimento desses sintomas”, orienta a dermatologista.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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