A pesquisa, iniciada pelo Grupo de Materiais Fotônicos (GMF), foca na criação de compostos químicos derivados de európio e térbio. Utilizando técnicas de espectroscopia de infravermelho e fotoluminescência, os cientistas analisaram a estrutura e as propriedades dessas substâncias, além de realizar estudos farmacológicos em duas etapas. O primeiro envolveu simulações computacionais (in silico) para prever os efeitos dos compostos, enquanto o segundo foi um experimento prático utilizando o peixe-zebra (Danio rerio), modelo comumente utilizado em testes biomédicos.
Segundo o professor Jorge Fernando Silva, a grande vantagem dos novos materiais está em seu potencial de oferecer tratamentos mais seguros e com menor risco de efeitos colaterais, como a dependência química, que pode ser gerada por ansiolíticos convencionais. “Embora os ansiolíticos possuam efeitos medicinais úteis, podem causar reações indesejáveis como a dependência química. A pesquisa visa um novo caminho no tratamento de doenças relacionadas à ansiedade e, pela característica intrínseca dos materiais produzidos, diversas possibilidades no estudo e compreensão da atividade ansiolítica que possam minimizar tal efeito”, afirmou o pesquisador.
Apesar dos avanços, o estudo ainda está em fase de testes, com a necessidade de mais validações antes que os compostos possam ser aplicados clinicamente. O próximo passo, de acordo com o líder da pesquisa, envolve a otimização dos processos de síntese dos compostos e a busca por parcerias com a indústria farmacêutica. “Os próximos passos são a otimização dos processos de síntese, a busca por parcerias com a indústria farmacêutica para dar continuidade ao desenvolvimento desses novos fármacos e a atração de investidores, como investidores-anjo, que possam subsidiar a continuidade dessa pesquisa pioneira, envolvendo esses sistemas químicos”, concluiu.
A equipe de pesquisadores conta com a colaboração de Hélcio Silva, da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Aluísio Marques, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Emmanuel Silva, Maria Kueirislene, Amâncio Ferreira e Jane Eire Silva, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), e o mestrando Andrei Marcelino Sá, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).
Fonte: Bahia Notícias






