País de ansiosos, rotina abusiva de trabalho tem causado insônia nos brasileiros

Os transtornos ansiosos são campeões no Brasil em incidência e consequentemente principais causas da insônia.

Pesadelos noturnos, sonhos confusos e repetitivos, despertar inesperado no meio da noite, dificuldade de adormecer ou de levantar da cama, apnéia do sono, insônia.  São muitos os transtornos  pelos quais boa parte da população passa quando acaba o dia e chega a hora de dormir.

Cair nos braços de Morfeu, como diz a expressão popular,  é um desejo quase que unânime.  No entanto, o descanso pleno e saudável para manter a saúde física e mental em boas condições, promovendo ânimo e energia para viver o dia seguinte, tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil.

Alertar para esta realidade e  apresentar soluções é exatamente o objetivo da Semana do Sono,que ocorre  entre os dias 11 e 17 de março, celebrando o Dia Mundial do Sono, com a realização de diversas atividades pela cidade. A programação completa pode ser conferida no site www.semanadosono.com.br.

Motivos – São diversos os motivos que prejudicam o sono num país onde o transtorno de ansiedade é o principal problema de saúde mental na atualidade. Especialistas apontam vários deles, principalmente a rotina estafante da classe trabalhadora – o que não impede que grupos mais abastados também sofram com  tais males como:  estresse psicológico, carga horária de trabalho excessiva, má remuneração, dificuldades financeiras, ansiedade, ameaças à segura, qualidade do ar, luz e temperatura.

No entanto, se alguns desses motivos podem prejudicar o sono, o que dizer de outros como desigualdade social, falta de moradia decente e fome – que atualmente atinge mais de 30 milhões de pessoas no Brasil? “É o que mais causa transtornos mentais, depressão e consequentemente o uso de drogas”, destaca a psiquiatra Telma Maria de Oliveira.

Conforme a Associação Brasileira de Médicos do Sono (ABMDS), em média os adultos necessitam de 7 a 9 horas de sono por dia. Para adolescentes entre 14 e 17 ano, o ideal de duração de sono é de 8 a 10 horas; Já os adultos de 18 a 25 anos, deveriam dormir em média de 7 a 9 horas, no mínimo, para a manutenção do corpo e da mente. Já adultos na faixa etária de 26 a64 anos, a recomendação é de 7 a 9 horas de sono. Os idosos acima de 85 anos, conforme a associação, precisam dormir  uma média de 7 a 8 horas, no máximo 9 horas.

A semana, desenvolvida pela Associação Brasileira do Sono (ABS), Associação Brasileira dos Médicos do Sono (ABMS) e Associação Brasileira de Odontologia do Sono (ABROS), reforça que dormir bem ajuda na redução de doenças cardiovasculares  e diabetes, fortalece o sistema imunológico, libera hormônios em excesso, fortalece a memória, regula o humor e o foco em diversos aspectos, no trabalho, nos relacionamentos e afazeres.

”Cuidar das disparidades da saúde do sono e promover comportamentos saudáveis são essenciais para melhorar a saúde de todas as populações”. Dever ser compromisso permanente da saúde pública”, diz a ABS.

A psiquiatra Telma Maria de Oliveira afirma que em caso de queixa de insônia, recomenda-se o que chamam de higiene do Sono. “Ter sempre horário certo pra dormir e acordar. E se acordar no meio da noite não ficar no celular porque a luz de aparelhos eletrônicos, e  isso é comprovado, diminui melatonina e dificulta que o paciente consiga dormir” conta.

Segundo ela , os sintomas  mentais que provocam insônia é o transtorno bipolar quando o paciente já está entrando na fase de mania ou o transtorno ansioso generalizado (TAG). “Rivotril e zolpiden dão dependência. Faz dormir por um tempo e quando acorda o paciente está igual. O rivotril não é indutor de sono. É pra acalmar. O efeito colateral que é sono”, acrescenta.

Telma explica que os transtornos ansiosos são campeões  no Brasil em incidência e consequentemente principais causas da insônia.

“A dificuldade pra dormir ou não dormir cria série de problemas. Além de piorar a ansiedade compromete o sistema imunológico gravemente. O ideal é buscar ajuda para saber quais as causas e quais as medidas a serem tomadas”, define.

Fatores genéticos também estão envolvidos no problema. Para psicóloga, especialista em psicoterapia Junguiana e em Estimulação Precoce, Bianca Reis,  os fatores genéticos  podem estar associados a eventos externos e internos, podem explicar a constante insônia. “Pode também estar ligada a aspectos como ansiedade exacerbada.  A ansiedade não é uma vilã, é um sentimento adaptativo. Sentimentos e emoções são informações e para isso temos que dar espaço e vazão para eles, para expressão, compreensão e existência de diversos fatores como a depressão”, diz.
Bianca Reis afirma que  as pessoas que passam por isso devem procurar ajuda médica e psicológica. “ É de extrema relevância que compreendemos ampla e contextualizadamente o problema. É algo que acompanha desde a infância? É emocional? Medo de dormir por causa de pesadelos?”.

Soluções – Cada caso é um caso. Atividades físicas são importantes, mas, por exemplo, quando feitas a noite por algumas pessoas, podem deixa-las ainda enérgicas demais e sem condição de pegar no sono rapidamente. “O corpo ainda está acelerado”, lembra o educador físico Martins Correia.
“Ler um livro tranquilo, assistir algo que relaxe a mente. Sentir um cheiro, uma essência agradável”, orienta a psicóloga.

Embora se fale que acordar muito cedo é saudável, a Semana do Sono explica que o horário de dormir é despertar é relativo, podendo se adequar ao ritmo biológico e aos afazeres de cada pessoa.  “Existe uma variação de horários para pessoas diferentes. Há quem gostge de trabalhar de madrugada e dormir durante o dia. Ou vice-versa. Isto é chamado de cronotipo.  Quem prefere dormir cedo e acordar cedo são pessoas matutinas. Já as vespertinas, dormem mais tarde e acvordam mais tarde” explicam.
O ideal é se sentir bem ao acordar,  dormir tranquilamente sem muitas interferências sonoras, externas e mentais.

“Psiquiátricamente, a ansiedade e a insônia também pode ser  sintomas de uma crise de mania bipolar. Mas de uma forma geral, é coisa que a pessoa traz desde cedo”, explica a psiquiatra Telma Maria.

Aromaterapia também tem sido bastante usada pela população. Conforme explica a aromaterapeuta Taciana Lisboa, dona da Flora Essências.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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