A obesidade não traz impactos apenas físicos. Além de doenças como hipertensão, diabetes e até alguns tipos de câncer, ela também afeta a saúde mental.
Mas afinal, por que esse número é tão alarmante? E como as famílias podem ajudar na prevenção? Para responder essas perguntas, o Acorda Cidade conversou com a nutróloga Anne Stephanie Reis Costa, que trouxe orientações fundamentais para pais, responsáveis e toda a rede de apoio que cercam os pequenos.
Por que as crianças estão ficando obesas?
De acordo com Anne Stephanie, a principal causa ainda é a má alimentação, muito associada aos hábitos familiares. Os responsáveis devem sempre buscar uma introdução alimentar adequada nos primeiros anos de vida.

“A criança não tem discernimento do que é certo e do que é errado, do que deve ser consumido. Isso é uma necessidade de orientação dos pais ou da rede de apoio familiar com todos os alimentos que devem ser evitado, como o açúcar que deve ser evitado antes dos dois anos, a redução de sal também nessa fase, a introdução alimentar ela deve ser adequada, respeitando os marcos de desenvolvimento, com alimentação saudável, equilibrada, com alimentos variados em diversos contextos, desde verduras, frutas, as quantidades devem ser adequadas”, explicou.
Além disso, ela destaca que hoje existe uma influência muito forte da indústria e da publicidade voltada para o público infantil, que acaba estimulando o consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras e carboidratos simples, o que acaba dificultando o “não”.
“O marketing hoje é muito voltado também para que os olhos da criança ressaltem para aquele tipo de alimento.”
Outro problema frequente são as cantinas escolares, que muitas vezes oferecem opções de baixo valor nutritivo, como frituras, doces e refrigerantes.
Quando a criança é considerada obesa?
Uma criança é considerada obesa quando o seu Índice de Massa Corporal (IMC) está acima do percentil entre 95 e 97 para a sua idade ou quando o IMC é igual ou superior a 30 kg/m². O IMC é calculado dividindo o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros quadrados).
De acordo com a nutróloga, o diagnóstico é feito com base na curva de crescimento infantil. “Quando essa curva ultrapassa o percentil 97, por exemplo, ela é considerada obesa”, explicou a nutróloga.
Quais os riscos da obesidade infantil?
A obesidade não traz impactos apenas físicos. Além de doenças como hipertensão, diabetes e até alguns tipos de câncer, ela também afeta a saúde mental.
“Distúrbios do sono, depressão, ansiedade. Isso tem reflexo na autoestima dessa criança”, alerta Anne. E mais: ansiedade e depressão também podem alimentar o ciclo da obesidade, uma vez que muitas crianças acabam buscando na comida uma fonte de prazer e recompensa.
Como os pais devem ajudar?
Para a nutróloga, o caminho começa dentro de casa. “Se um adulto já tem dificuldade de dizer o que não quer comer, de passar por um proceso de reeducação alimentar, imagina uma criança. Então, a redução do oferecimento e de comprar esses alimentos para dentro de casa é um fator essencial”, orientou.
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A especialista também afirmou que a obesidade infantil não é um tratamento da criança. É um tratamento da família, principalmente dos pais que devem entrar nessa luta. Ela ressalta que, muitas vezes, os responsáveis também possuem uma relação desregulada com a alimentação, e isso impacta diretamente a formação dos hábitos das crianças.
“Geralmente, crianças obesas têm relação ou com pai e a mãe que já tem um desequilíbrio alimentar. Pode ter também outros responsáveis envolvidos, aquela vó que gosta de agradar e faz todos os pratos, muitos doces, muito chocolate”.
Outro ponto fundamental é a participação da escola, que precisa rever o que é oferecido nas cantinas, e até o controle dos pais sobre dinheiro dado aos filhos, que muitas vezes é gasto com alimentos pouco saudáveis.
Fonte: Acorda Cidade






