Outra tendência que vem sendo observada no leque de possibilidades de cuidados com a saúde das mulheres no Brasil é a busca por procedimentos estéticos íntimos como parte de um cuidado mais amplo com o bem-estar e a valorização da autoestima
De acordo com o Programa Nacional de Saúde (PNS), a taxa de mulheres que vão ao médico é de 82,3%, bem acima dos 69,4% registrados entre os homens. O autocuidado tornou-se uma meta a ser alcançada, e muitas meninas mais jovens estão buscando os consultórios para fazer parte desse movimento.
A busca por bem-estar agora integra diferentes dimensões da saúde física e emocional, incluindo a estética. As mulheres preferem um local que tenha de tudo e respeite o tempo acelerado dos seus trabalhos e suas demandas diárias.
Há, ainda, a importância e o cuidado de associar esses tratamentos ligados à saúde física com a psicoterapia. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, estima-se que mais de 70 milhões de pessoas no mundo sejam afetadas por algum distúrbio alimentar.
A psicóloga Daniela Miranda, por exemplo, foi recentemente incorporada à clínica com a abordagem Gestalt. A Gestalt-terapia é uma abordagem psicoterapêutica que visa ajudar os indivíduos a se tornarem mais conscientes de seus pensamentos, sentimentos e comportamentos no momento presente, promovendo uma maior compreensão de si.
Lábios vaginais e harmonização íntima são demandas mais procuradas:
Outra tendência que vem sendo observada no leque de possibilidades de cuidados com a saúde das mulheres no Brasil é a busca por procedimentos estéticos íntimos como parte de um cuidado mais amplo com o bem-estar e a valorização da autoestima. Segundo dados divulgados em 2024 pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o país lidera o ranking mundial de cirurgias íntimas, e as labioplastias, procedimento que altera ou remodela os lábios vaginais, apresentaram um crescimento de 33% nos últimos três anos.
O estado da Bahia tem acompanhado esse crescimento. “Não só priorizamos a saúde ginecológica, mas também entendemos como essas questões impactam diretamente na autoestima. A harmonização íntima, por exemplo, deixou de ser um tabu e passou a ser vista como uma forma legítima de autocuidado. Não se trata de vaidade, mas de uma busca por bem-estar completo, físico e emocional”, exclama a Dra. Jacque.
A médica explica, ainda, que um mito frequente é que existe uma diminuição de sensibilidade da região após os procedimentos, quando, na verdade, acontece exatamente o contrário. Quando há retirada de excesso de pele, que é um empecilho do estímulo na região, a sensação pode ser aprimorada.
Esse movimento revela uma mudança significativa no comportamento das mulheres baianas, especialmente entre as mais jovens. A ampliação do acesso à informação e a maior naturalização do autocuidado têm contribuído para que temas antes considerados delicados, como os procedimentos estéticos íntimos, passem a ser discutidos com mais abertura e procurados de forma consciente. E isso reflete em uma geração que entende o cuidado com o corpo como parte essencial da qualidade de vida.
Fonte: Tribuna da Bahia






