Em meio a uma das maiores tragédias climáticas já vividas pelos gaúchos, a atuação, presencial ou remota, desses profissionais tem por objetivo acolher às vítimas
O trabalho de psicólogos é uma das prioridades no atendimento da população atingida pelas chuvas no Rio Grande do Sul. Em meio a uma das maiores tragédias climáticas já vividas pelos gaúchos, a atuação, presencial ou remota, desses profissionais tem por objetivo acolher às vítimas — mesmo que muitos deles também tenham sido atingidos pelo desastre de alguma maneira.
A psicóloga Marina Land Gomes, de 24 anos, se formou em janeiro deste ano e tem lidado com uma de suas maiores experiências profissionais já neste início de carreira, em cidades da região de Gramado, cerca de 78km distante da capital, Porto Alegre.
— As pessoas têm relatado um sentimento de muita tristeza, de ter perdido entes queridos e suas conquistas, carros, casas e todas as coisas que tinham. E essa tristeza acontece tanto pela perda material, mas também pelo emocional abalado. Ouço um choro muito profundo — diz. — Essa dor não passa do dia para a noite. A gente não pode buscar um método para se livrar da dor, é preciso lidar com ela e o tempo é o melhor remédio nesses casos.
Voluntários formam corredor humano para receber barcos com pessoas resgatadas de áreas alagadas no bairro de São João, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo CUNHA / AFP
Marina tem atendido pacientes tanto de modo presencial quanto remoto com pessoas “que já estão seguras e estáveis, dentro do possível”. Por meio de um trabalho “100% voluntário”, a psicóloga realiza em média de seis a oito atendimentos on-line por dia. Já nos abrigos, ela não se atreve a quantificar as consultas, devido a alta demanda.
De acordo com a última atualização do governo gaúcho, divulgada no último sábado (4), havia 1.243 psicólogos cadastrados para o trabalho voluntário.
Esses profissionais têm atuado especialmente em abrigos após o resgate das vítimas, em uma tentativa de evitar nessas pessoas o transtorno de estresse pós-traumático. Ao fim do dia, conforme relataram psicólogos ao GLOBO, o cansaço é o que resta após o atendimento a um estado que soma 100 mortos por consequência do desastre, de acordo com o último boletim da Defesa Civil, divulgado ontem. Há ainda o registro de 128 desaparecidos e estima-se que o temporal tenha atingido pelo menos 1,4 milhão de pessoas até agora.
Fonte: Tribuna da Bahia






