Especialistas apontam como a prática pode estimular o desenvolvimento neuropsicomotor, ajudando na socialização, memória, linguagem e cognição
Se ouvir música para ajudar na concentração durante o trabalho ou estudos é uma prática adotada por tanta gente, já imaginou suas possibilidades quando empregada para fins terapêuticos? A partir de instrumentos musicais, sons, canções e ritmos, a técnica pode ajudar no tratamento de diversas condições físicas e mentais e até aliviar sintomas como dor e ansiedade. Para as crianças com alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, a musicoterapia está relacionada a melhoras significativas no comportamento, espacialidade, memória e qualidade de vida.
De acordo com a musicoterapeuta da Clínica Espaço Kids, Nadja Pinho, pesquisas realizadas sobre os efeitos da música no ser humano mostram como os estímulos musicais podem influenciar em condutas não-musicais, como na fala, por exemplo. “No processamento cerebral existem áreas específicas para funções motoras, sensoriais, de linguagem, mas a música age em várias regiões do cérebro, fazendo com que diferentes processos ocorram paralelamente ou de forma compartilhada, o que ajuda a criar novas conexões cerebrais, que chamamos de neuroplasticidade”.
Durante a sessão, a musicoterapeuta interage com a criança a partir de instrumentos e brinquedos lúdicos, criando um ambiente acolhedor e humanizado para que possa trabalhar suas habilidades. Dessa forma, a técnica pode ajudar crianças com paralisia cerebral e microcefalia a estabilizar respostas motoras, e crianças com autismo e síndrome de Down, a desenvolver a fala e a socialização, por exemplo. “Isso é fundamental, inclusive, para potencializar as respostas a outros tratamentos, fortalecer a autoestima e até reduzir a ansiedade”, explica a musicoterapeuta.
Nesse contexto, Jamaica Araújo, fisioterapeuta e fundadora da Clínica Espaço Kids, reforça a importância do tratamento multidisciplinar para contemplar diferentes estímulos que são essenciais no desenvolvimento dos aspectos emocionais, físicos, sociais e escolares. “Associada à fisioterapia, por exemplo, a musicoterapia é aliada para estimular a motricidade, já com psicopedagogia, a prática é voltada para desenvolver a cognição e comportamento, e na fonoaudiologia, para estimular a linguagem”, destaca.
Fonte: Tribuna da Bahia






