Moradores encontram granada perto de posto de saúde no Curuzu

“Sempre vivi na Liberdade, morei em diversas ruas, até mesmo na Avenida Peixe. Mas nunca vivenciei nada igual. As pessoas estão nervosas, com medo, ninguém sequer ousa estourar um foguete que sobrou do São João.

Os moradores do Curuzu, na Liberdade, estão vivendo há vários dias sob a tensão da violência que assola a região. Não bastasse a disputa entre as facções Bonde do Maluco  (BDM) e Comando Vermelho (CV) que vem se arrastando desde o início do ano, foi a vez de moradores e transeuntes encontrarem, por volta das18 horas de anteontem, uma granada em frente ao Posto de Saúde da Rua Direta do Curuzu.

Moradores que encontraram o artefato acionaram policiais da 37ª Companhia Independente da PM (CIPM) que por sua vez chamaram o Batalhão de Operações Especiais (Bope) para retirar o explosivo. Conforme a polícia, a suspeita é de que a granada tenha sido deixada por membros de uma facção após o confronto ocorrido na madrugada do dia 14, último domingo.

Quem mora na Liberdade tem vivido com medo de andar pelas ruas independente do horário. Mas, é à noite que a situação fica ainda mais calamitosa. Os prejuízos são inúmeros: não só os psicológicos e os riscos de perder a vida ou ficar ferido durante uma troca de tiros, mas também os prejuízos físicos como carros e lojas crivadas de balas.
Moradora do local há 55 anos, uma mulher, que preferiu não se identificar, disse que está desesperada para se mudar junto com a mãe, uma idosa de 72 anos, e a filha de 20.  Ela, que trabalha no centro da cidade, tem pedido para sair do trabalho com uma hora e meia de antecedência para chegar em casa ainda com a luz do sol.

“Sempre vivi na Liberdade, morei em diversas ruas, até mesmo na Avenida Peixe. Mas nunca vivenciei nada igual. As pessoas estão nervosas, com medo, ninguém sequer ousa estourar um foguete que sobrou do São João. Aliás, quase não houve comemoração por lá assim. Tudo é motivo de pânico”, comentou.

A mulher revela que é na madrugada que a situação fica desesperadora. “Entre 1h e 3h a gente ouve muito tiroteio. Parece guerra mesmo, cenário de guerra. Já acordei para ir ao trabalho e encontrar pessoas observando a rua cheia de cápsulas, marca de bala em tudo que é lugar. Isso não é vida. O povo preto não merece viver a vida inteira passando por isso”, declarou.

Ruas do Pero Vaz, Santa Mônica e IAPI, bairros próximos da Liberdade, também têm sofrido com a violência.  Nas localidades, a disputa entre as facções provocam o mesmo terror, porém com menor intensidade. Mortes – O Atlas da Violência 2024 realizou um levantamento que apontou Salvador como a capital brasileira com maior número de crimes contra a vida em 2022. De acordo com o levantamento, a capital baiana obteve 1.605 homicídios e uma taxa de 66,4 mortes por 100 mil habitantes. Apesar de ter mais homicídios naquele ano, 1.762,  a população é estimada em 11.451.999, portanto, sua taxa é menor do que a capital baiana, de 15,4 homicídios por 100 mil habitantes.

 

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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