Estima-se que cerca de dez milhões de brasileiros convivam com doenças relacionadas e os riscos aumentam devido à alta incidência de hipertensão arterial e diabetes
Em razão da alta demanda, o Instituto de Nefrologia Alayde Costa (INAC) ampliou o número de consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para pacientes com doença renal nos estágios 4 e 5. Localizada no Alto da Terezinha, na avenida Suburbana, a instituição atende a pacientes da capital e do interior da Bahia, e realiza cerca de 3.600 hemodiálises por mês.
A enfermeira e coordenadora da Clínica de Hemodiálise e ambulatório do INAC, Juliana Guimarães, afirma que os desafios da assistência ao paciente renal no estado da Bahia são amplos e refletem tanto as dificuldades do sistema de saúde brasileiro quanto as particularidades regionais. Entre os principais, ela destaca a capacidade de atendimento insuficiente para a alta demanda, o acesso geográfico, a baixa prevenção com diagnóstico tardio da doença renal e a situação financeira dos pacientes.
“É assustadora a quantidade de pacientes que estamos recebendo com necessidade de internamento e tratamento urgente. Ampliamos justamente por enxergar a necessidade de oferecer, de forma 100% SUS, um serviço completo, integrado, de qualidade e multidisciplinar para pacientes que necessitam de acompanhamento nefrológico”, explica.
Segundo a gestão da unidade, a quantidade de médicos foi duplicada e, além do serviço de nutrição, os pacientes passam a contar com serviço social, psicologia e enfermagem. Em média, o instituto realiza 210 atendimentos ambulatoriais por mês, de segunda a quinta-feira.
Para marcar o atendimento no instituto, o paciente renal pode entrar em contato com a central de marcação de consultas, através do WhatsApp (71 98183-0656), e enviar o exame mais recente de creatinina, RG, CPF, cartão do SUS e comprovante de residência. A equipe especializada do INAC vai avaliar, através do resultado da creatinina, se o paciente tem perfil para atendimento na unidade.
Dados alarmantes
Segundo o Ministério da Saúde, a doença renal crônica é silenciosa, não apresenta sintomas e tem registrado crescente prevalência, alta mortalidade e elevados custos para os sistemas de saúde no mundo. Estima-se que cerca de dez milhões de brasileiros convivam com doenças relacionadas e os riscos aumentam devido à alta incidência de hipertensão arterial e diabetes na população, doenças que sobrecarregam os rins.
Em toda a Bahia, de acordo com dados recentes do Sistema de Regulação em Regime de Fila Única, são mais de 9,7 mil pacientes estão em tratamento de diálise, procedimento que estimula artificialmente a função dos rins e envolve a remoção de toxinas, excesso de líquidos e sais minerais do corpo, funções que seriam naturalmente desempenhadas pelos rins.
No estado, 42 unidades de serviços de diálises estão disponíveis e no último mês, eram 1.878 pacientes na lista de espera pelo transplante renal, conforme a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Entre as unidades de saúde que oferecem tratamento de nefrologia, tanto em alta quanto em média complexidade, destacam-se o Hospital Geral Roberto Santos, o Hospital Universitário Professor Edgard Santos, o Hospital Ana Nery e o Hospital Português.
Prevenção
A Sociedade Brasileira de Nefrologia alerta que a insuficiência renal aguda é, muitas vezes, difícil de prever ou evitar. Porém, há formas de reduzir o risco, como: tomar medicamentos conforme as instruções médicas, sem mudar as doses ou quantidades ingeridas; manter o tratamento para qualquer condição que aumenta o risco de insuficiência renal aguda, tais como diabetes ou hipertensão; e manter um estilo de vida saudável (ser ativo, adotar uma dieta equilibrada, beber com moderação e não fumar).
Fonte: Tribuna da Bahia






