Dispositivo estimula o nervo vago, um dos principais responsáveis pelos estímulos parassimpáticos
De acordo com o Viva Bem, do Uol, dois pacientes foram selecionados pela área psiquiátrica da instituição porque passaram por outros tratamentos protocolares para o transtorno no hospital, mas não apresentaram resultados satisfatórios.
“Existe um dispositivo semelhante aplicado para epilepsia, projetado para controlar crises, e já era feito no Brasil há cerca de 20 anos. Em 2017, foi aprovado nos EUA, com a finalidade de tratar depressão resistente. No ano seguinte, [foi aprovado] na Inglaterra, com outro tipo de carga e dosagem dos estímulos. No Brasil, seu uso foi aprovado em 2019 pela Anvisa”, diz o neurocirurgião Wuilker Knoner Campos, que aplicou o primeiro implante.
A depressão refratária ou resistente é caracterizada quando pacientes já passaram por tratamentos convencionais, com o uso de antidepressivos duas ou mais vezes, mas não houve melhora do quadro.
Um estudo feito na América-Latina apontou que 30% das pessoas afetadas pela doença apresentam esse tipo. A terapia VSN, como é chamado esse tratamento com o uso desse aparelho, entretanto, tem mostrado resultados.
Como funciona implante contra depressão
O dispositivo estimula o nervo vago, um dos principais responsáveis pelos estímulos parassimpáticos (involuntários) do nosso organismo. Esse nervo passa atrás de nossas orelhas e se estende até a região do tórax e abdome, conectando o tronco cerebral a quase todos os órgãos essenciais. Ele é como se fosse uma estrada para impulsos elétricos, relatando ao cérebro o que está acontecendo no corpo.
“A estimulação [do nervo], faz com que esses impulsos elétricos subam e estimulem áreas do cérebro ligadas aos afetos humanos, melhorando o humor e a depressão”, explica Campos, que também é doutor em neurociências pela UFSC e presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Funcional e Estereotaxia.
“É como se você estivesse sem bateria e precisasse de uma carga extra. De forma coloquial, é isso que fazemos, damos uma carga nesta área do sistema do humor e das emoções”, disse Wuilker Knoner Campos, neurocirurgião.
Fonte: A Tarde






