A hipertensão é caracterizada pelo aumento dos níveis de pressão arterial nas artérias, ocorrendo quando as pressões máxima e mínima ultrapassam os 140/90 mmHg (ou 14 por 9).
De acordo com o cardiologista Ricardo Peixoto Oliveira, especialista em cardiologia intervencionista e membro da Comissão Científica da SBC-Bahia, a hipertensão é uma doença silenciosa e pode ser assintomática, o que torna ainda mais importante o rastreio e o diagnóstico precoce. Em entrevista à Tribuna da Bahia, Peixoto explicou que a doença é comum e, muitas vezes, descoberta apenas quando já existem complicações associadas.
Causas e fatores de risco
A hipertensão pode ter várias causas, sendo 90% dos casos de origem genética. No entanto, fatores como idade, sobrepeso, obesidade, sedentarismo, dietas ricas em sódio e o uso inadequado de hormônios também contribuem para o aumento da pressão arterial. “Na população baiana, podemos destacar a ingestão de álcool e alimentos tradicionais com alto teor de sódio como fatores que contribuem para a elevação da pressão arterial”, afirmou Peixoto.
O especialista também alertou sobre a relação entre hipertensão e outras doenças, como diabetes, colesterol elevado e sedentarismo. Quando essas condições coexistem, o risco de complicações aumenta significativamente, tornando mais provável o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs, bem como doenças renais crônicas.
A importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico
Peixoto enfatizou que a hipertensão é muitas vezes descoberta apenas após a ocorrência de um evento grave, como um AVC. “A hipertensão é uma doença silenciosa, o que significa que muitas vezes a pessoa só descobre a doença quando já há complicações sérias”, explicou. Para evitar esse cenário, o cardiologista reforçou a importância do rastreio regular, recomendando que todos os adultos (a partir dos 18 anos) realizem a medição da pressão arterial anualmente.
“Além disso, o acompanhamento contínuo da pressão arterial e a adesão a tratamentos e mudanças no estilo de vida são fundamentais para o controle da hipertensão”, completou.
Alimentação, exercício físico e controle da pressão arterial
Em relação aos hábitos de vida, Peixoto destacou que a alimentação e a prática de atividade física são essenciais para o controle da pressão arterial. Dietas como a DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) têm se mostrado eficazes na redução do risco cardiovascular, promovendo a redução da ingestão de sódio e o aumento de potássio. O cardiologista também alertou que o sedentarismo é um dos principais fatores de risco evitáveis para doenças cardiovasculares.
“Exercícios físicos regulares ajudam a reduzir a pressão arterial, além de melhorar a saúde cardiovascular de forma geral”, afirmou. Peixoto também ressaltou que, no caso de hipertensão leve e sem outros riscos cardiovasculares, mudanças no estilo de vida, como a adoção de uma dieta saudável e a perda de peso, podem ser suficientes para controlar a doença. “Porém, uma vez iniciado o tratamento medicamentoso, a hipertensão geralmente exige o uso contínuo de medicamentos”, disse.
Riscos de interromper o tratamento
O cardiologista alertou sobre os perigos de interromper o tratamento sem orientação médica, mesmo que o paciente se sinta bem. “A hipertensão é uma doença assintomática e, ao suspender o tratamento sem acompanhamento, o paciente se expõe a riscos graves, como AVC, infarto e até morte”, afirmou. Peixoto acrescentou que, caso o paciente experimente efeitos colaterais com os medicamentos, deve procurar o médico para ajustar a dosagem, mas nunca interromper o tratamento sem orientação.
A atuação do SUS no combate à hipertensão
Ricardo Peixoto também falou sobre a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) no combate à hipertensão, especialmente em comunidades com menos acesso à saúde. “O SUS tem implementado políticas de saúde, como o programa Hiperdia, que oferece medicamentos gratuitos e capacitação para profissionais da atenção básica”, explicou. Ele destacou, no entanto, que a abordagem da hipertensão requer um trabalho multidisciplinar, envolvendo diversos profissionais de saúde.
Fonte: Tribuna da Bahia






