De acordo com dados do governo federal, o Brasil registrou 19.343 casos de hepatite C e 11.166 casos de hepatite B apenas em 2024
No mês de conscientização sobre as hepatites virais, o chamado Julho Amarelo, médicos e autoridades de saúde reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dessas doenças silenciosas. Apesar de perigosas, as hepatites têm hoje tratamento eficaz e garantidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Apesar de atingirem milhares de pessoas todos os anos, as hepatites virais ainda passam despercebidas pela maioria da população. Isso porque os sintomas costumam ser inespecíficos ou nem sequer aparecem. A infecção, no entanto, pode evoluir ao longo dos anos e comprometer seriamente o fígado, levando à necessidade de transplante, ou até mesmo ao câncer hepático.
De acordo com dados do governo federal, o Brasil registrou 19.343 casos de hepatite C e 11.166 casos de hepatite B apenas em 2024. Apesar dos números, houve avanços: entre 2014 e 2024, o país reduziu em 60% a mortalidade por hepatite C e em 50% a mortalidade por hepatite B. Isso se deve, em grande parte, à ampliação do acesso aos testes rápidos e ao tratamento medicamentoso oferecido pela rede pública.
O hepatologista Allan Rêgo, médico da Hapvida e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, destaca a necessidade de ampliar a testagem. Segundo ele, “em grande parte das vezes, [a hepatite] não costuma apresentar sintomas. Para se fazer o diagnóstico específico, é necessário solicitar as sorologias virais. Às vezes, as manifestações são comuns de um quadro viral.”
Ele reforça que os tratamentos evoluíram significativamente ao longo dos anos. “No caso da hepatite B, não se consegue erradicar o vírus, mas ele fica inativo, a carga viral fica zerada e o indivíduo vive a vida toda, tomando remédio, na maioria das vezes, sem nenhuma manifestação da doença”, afirma. Já no caso da hepatite C, os avanços são ainda mais expressivos. “A medicação é utilizada por 3 a 6 meses, com alta efetividade e com chances de erradicação do vírus de 99%, sem efeitos colaterais”, explica o médico.
Formas de transmissão
As formas de transmissão variam de acordo com o tipo da hepatite. A hepatite A está relacionada ao consumo de água ou alimentos contaminados por fezes. Já a hepatite B é transmitida principalmente por via sexual, mas também pode ocorrer transmissão vertical, da mãe para o bebê no parto. A hepatite C, por sua vez, acontece predominantemente por via parenteral, ou seja, por contato com sangue ou seus derivados.
A prevenção, segundo o especialista, passa por cuidados simples, como o uso de preservativo, vacinação contra hepatite B, atenção à higiene em estúdios de tatuagem ou manicure e evitar o compartilhamento de objetos cortantes. Também há uma recomendação importante: que todas as pessoas com mais de 40 anos realizem o teste anti-HCV ao menos uma vez na vida. A testagem está disponível gratuitamente nas unidades do SUS, com exames rápidos e seguros.
Panorama na Bahia
Na Bahia, segundo o Boletim Epidemiológico mais recente da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), 19,6% dos casos de hepatite C foram registrados na faixa etária de 50 a 64 anos — a mais atingida. Em seguida, aparecem as faixas de 35 a 49 anos (13,7%) e de 65 a 79 anos (9,7%). O dado reforça a importância da testagem rotineira, sobretudo entre adultos com histórico de transfusão, uso de seringas compartilhadas ou procedimentos invasivos realizados décadas atrás.
O impacto das hepatites virais é expressivo e, segundo o Ministério da Saúde, ainda causa cerca de 1,4 milhão de mortes anuais no mundo, seja por infecção aguda, câncer hepático ou cirrose. “Quanto mais precocemente o tratamento acontecer, mais interessante, porque deixa de haver a possibilidade de evolução da doença”, alerta Allan Rêgo.
Fonte: Tribuna da Bahia






