Dentre as orientações para doadores, estão alguns critérios, como: os homens podem doar até 4 vezes a cada 12 meses, com intervalo mínimo de 60 dias entre as doações, e as mulheres podem doar até 3 vezes a cada 12 meses
Os estoques dos bancos de sangue baianos estão em nível crítico para todos os tipos sanguíneos. Diante deste cenário, a Fundação Hemoba divulgou um chamado à população nesta quarta-feira (8), convocando doadores, pois esta capacidade garante apenas o atendimento à demanda hospitalar por um período de um a três dias.
No entanto, a margem de segurança no atendimento é de estoques que supram a demanda de pelo menos cinco dias, o que torna alarmante a situação dos bancos de sangue baianos. O órgão elenca alguns fatores que contribuem para o crescimento da demanda de sangue nas unidades hospitalares da Bahia: casos de Dengue e virose contribuíam para a diminuição da oferta (a diminuição do número de voluntários à doação nas unidades da Hemoba na capital e no interior) e aumento da demanda, respectivamente; além da criação de novos leitos e a inclusão de novas solicitações de hemocomponentes na Rede SUS.
O diretor geral da Hemoba, Luiz Catto, pede ajuda e conclama doadores de sangue, para manutenção dos estoques em níveis seguros “e, por consequência, para salvar a vida de muitos pacientes que estão nos hospitais precisando dos hemocomponentes para o seu tratamento”. A instituição elenca situações nas quais os pacientes necessitam da transfusão de sangue ou de plaquetas, como: alguns tipos de cirurgias, tratamento oncológico, de lesões graves ou outras formas de doenças.
O profissional de marketing, Felipe Linhares, conta que é a 19 anos tem um hábito de doar sangue e que foi, pela primeira vez, incentivado por colegas de escola. “Nem todos os anos eu consigo ir frequente, mas eu vou sempre que possível. A importância de doar sangue voluntariamente, com frequência, é por questão de fazer o bem mesmo. É um ato que, se você for um banco de sangue, você não fica uma hora lá. Então, você usar uma hora do seu tempo a cada quatro meses para poder salvar vidas, eu acho que é um ato de generosidade”, revela.
Segundo o doador, muita gente se sensibiliza para a causa apenas quando tem um parente ou vizinho precisando. “Eu acho que se todo mundo tivesse a consciência e criasse o hábito de doar com frequência, todo mundo que tem condições, que tem saúde para isso, não ia precisar dessas campanhas. Então, a importância de se doar com frequência e de ir lá voluntariamente é essa: manter os bancos sempre abastecidos”, completa Linhares, reforçando que a cada doação, até quatro vidas podem ser salvas.
Essa realidade é constatada pela médica hematologista Aline Dorea, coordenadora médica da coleta do Hemoba, que pontua a necessidade constante de apelos, de chamamentos às pessoas para contribuírem com a doação de sangue, pela ausência de uma cultura consolidada da sociedade de doação voluntária e regular de sangue. “De acordo com a OMS, o recomendado seria que 3 a 5% da população fosse doadora voluntária e regular de sangue para que houvesse possibilidade de estar atendendo de uma maneira segura, sem dificuldade nenhuma, às necessidades de transfusão dessa população. Na nossa realidade, chega a no máximo 2%”, pontua.
Segundo a especialista, torna-se, portanto, necessária também a convocação de doadores de reposição (para suprir a demanda de pacientes que serão submetidos a cirurgias ou estão sob tratamento médico). “A gente ainda depende dessa estratégia, desse tipo de estratégia, para poder estar mantendo os nossos estoques de hemocomponentes no nível que a gente consiga, minimamente, atender as solicitações”, explica.
Quem pode doar
Dentre as orientações para doadores, estão alguns critérios, como: os homens podem doar até 4 vezes a cada 12 meses, com intervalo mínimo de 60 dias entre as doações, e as mulheres podem doar até 3 vezes a cada 12 meses, com intervalo mínimo de 90 dias entre as doações. Para doar sangue, o candidato tem que estar em boas condições de saúde, pesar acima de 50 kg e ter idade entre 16 e 69 anos.
Além disso, menores de 18 anos devem ir acompanhados dos pais ou responsável legal, e idosos acima de 60 anos só podem doar se já tiverem doado anteriormente. O Hemoba orienta ainda que, no dia da doação, o voluntário não esteja em jejum, não tenha ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação e não tenha fumado por pelo menos duas horas antes do procedimento, além de ter dormido por no mínimo seis horas na noite anterior. Também é recomendável que evite alimentos gordurosos nas últimas quatro horas anteriores ao procedimento.
Saiba onde doar
Em Salvador, as unidades fixas funcionam com o seguinte horário: Hemocentro Coordenador (sede da Hemoba), de segunda-feira a sexta-feira, das 7h30 às 18h30, e aos sábados, das 7h30 às 16h30; Hospital do Subúrbio, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h30; Hospital Ana Nery, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 12h30; Hospital Roberto Santos, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h; Hospital Santo Antônio (OSID), de segunda a sexta-feira, das 7h10 às 11h30 e das 13h às 16h. Para informações sobre os horários de atendimento das 21 unidades de coleta no interior, consultar o site da Hemoba: http://hemoba.ba.gov.br/ .
Unidade móvel – Nesta semana, para reforçar a doação de sangue, principalmente diante do nível baixo do estoque para todos tipos sanguíneos, as unidades móveis da Hemoba atenderão na capital baiana no Salvador Shopping, nos dias 06, 07 e 10/08; no SENAI (Dendezeiros), em 08 e 09/08; no Shopping Itaigara, em 10, 12 e 13/08; e na Secretaria Municipal de Saúde, em Dias D’Ávila, de 06 a 09/08. Os atendimentos acontecem ‘de forma espontânea, por ordem de chegada. O hemóvel possibilita a coleta de sangue de potenciais doadores em locais de grande fluxo de pessoas, além de sensibilizar a população sobre a importância das doações regulares.
Fonte: Tribuna da Bahia






