Em 2024, a Bahia teve um total de 395 casos e 40 mortes
O ano de 2025 está mostrando uma significativa redução nos casos e óbitos provocados pela Influenza A H1N1 na Bahia. Até o momento, foram registrados apenas 7 casos e 1 óbito, o que representa uma queda impressionante de 92,9% nos casos e 92,8% nos óbitos, comparado ao mesmo período de 2024. No ano passado, o Estado registrou 99 casos e 14 mortes por essa cepa do vírus. Os dados são da Secretaria de Saúde (Sesab).
Esses números contrastam com o que foi observado nos últimos anos. Em 2023, o número de casos registrados foi de 131, com 14 óbitos. Em 2024, a Bahia teve um total de 395 casos e 40 mortes. A diminuição da incidência do H1N1 é um dado positivo, mas a recente morte de uma policial militar em Barreiras, no oeste da Bahia, serve de alerta para a gravidade da doença.
A tragédia envolvendo a capitã Milena Costa Miranda, de 38 anos, abalou a Polícia Militar e a comunidade local. Milena, que trabalhava na PM da Bahia, faleceu após complicações de uma gripe forte. Ela testou positivo para a Influenza A H1N1, doença que foi identificada após o agravamento de seu quadro. A capitã iniciou o tratamento em casa, com medicamentos antigripais, ao apresentar os primeiros sintomas típicos da gripe, mas, infelizmente, não resistiu.
O que é a Influenza A H1N1 e seus sintomas
A Influenza A H1N1, também conhecida como gripe suína, é uma infecção respiratória aguda causada pelo vírus Influenza A, um subtipo H1N1. A doença se manifesta com sintomas semelhantes aos de uma gripe comum, mas com maior intensidade. A principal característica da Influenza é a febre alta, geralmente superior a 38°C, acompanhada de dor de cabeça, dor no corpo, dor de garganta, tosse seca e coriza. O quadro é caracterizado por uma evolução rápida, com a febre durando de dois a três dias, seguida por tosse que pode se tornar produtiva, ou seja, com secreção.
De acordo com a Dra. Giovanna Orrico, infectologista do Instituto Couto Maia (Icom), a principal diferença entre a gripe causada pela Influenza A H1N1 e um resfriado comum é a presença de febre alta e dores no corpo, características mais intensas e frequentes da gripe. “Os resfriados não causam febre alta, dor no corpo ou quadro sistêmico. O resfriado é um quadro mais leve e autolimitado, enquanto a gripe pode afetar mais severamente a saúde do indivíduo”, explicou a especialista.
Diferença entre gripe e resfriado
A Dra. Giovanna também fez questão de destacar a diferença entre a Influenza e o resfriado comum, que é causado por outros tipos de vírus, como o rinovírus e o coronavírus. “O resfriado é caracterizado principalmente pela obstrução nasal, sensação de peso na região da testa, dor de cabeça e dor de garganta. Ele é um quadro mais leve, que geralmente não evolui para um quadro sistêmico com febre, dores no corpo e prostração”, afirmou a infectologista.
Por outro lado, a gripe, especialmente a causada pelo subtipo H1N1, pode afetar diversos órgãos e sistemas do corpo humano, tornando-se uma infecção respiratória mais grave. A doença pode evoluir para complicações como pneumonia, insuficiência respiratória e até mesmo falência de órgãos, principalmente em pessoas dos grupos mais vulneráveis.
Grupos vulneráveis à Influenza A H1N1
O risco de complicações graves por Influenza A H1N1 é maior entre pessoas com condições pré-existentes de saúde e grupos etários mais extremos. A Dra. Orrico apontou que crianças abaixo de 2 anos e idosos acima de 60 anos estão entre os grupos mais vulneráveis. Além disso, pessoas com comorbidades, como doenças respiratórias crônicas (asma, bronquite, entre outras), doenças cardíacas, câncer e doenças autoimunes (como lúpus e artrite reumatoide) têm mais chances de desenvolver formas graves da doença.
“Gestantes, puérperas, e pessoas não vacinadas também são mais propensas a sofrer complicações. Pacientes com Síndrome de Down também estão entre os grupos que apresentam risco elevado”, explicou Dra. Orrico. A infectologista reforçou a importância da vacinação como medida de prevenção.
Vacinação: A principal forma de prevenção
A vacinação contra a Influenza continua sendo a forma mais eficaz de prevenção da doença, especialmente para aqueles que estão nos grupos de risco. A Dra. Orrico explicou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina trivalente, que cobre três cepas do vírus, incluindo o H1N1. Já a vacina quadrivalente, que é disponibilizada em clínicas privadas, protege contra quatro cepas – duas do tipo A e duas do tipo B.
Ambas as vacinas têm mostrado alta eficácia na prevenção da infecção e de suas complicações graves, como hospitalizações e mortes. “É importante que as pessoas se vacinem anualmente, especialmente aqueles que fazem parte dos grupos de risco”, alertou a especialista.
Além da vacina, a Dra. Orrico orientou sobre os cuidados para evitar a transmissão do vírus. A Influenza se espalha principalmente por via respiratória, com a dispersão de gotículas de saliva ao tossir, espirrar ou falar. A transmissão também pode ocorrer ao tocar superfícies contaminadas e, em seguida, levar as mãos à boca, olhos ou nariz. Para prevenir a disseminação do vírus, a especialista aconselhou o uso de lenços ou o cotovelo para cobrir a boca ao tossir ou espirrar, além do uso de máscara e higienização frequente das mãos.
Fonte: Tribuna da Bahia






