Gordura abdominal pode prejudicar a absorção de vitamina D, aponta pesquisa da UFSCar

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) encontrou uma relação entre a gordura abdominal e a deficiência da vitamina D.

Pacientes que apresentavam uma grande circunferência na barriga tinham níveis mais baixos da vitamina, o que sugere que a gordura interfere na absorção da substância.

O estudo

 

O estudo foi feito em parceria com o College London, de Londres. A pesquisa começou durante a iniciação científica de Thaís Barros Pereira da Silva, no curso de gerontologia. Ela estudou por quatro anos os dados de 2.459 britânicos, enviados pela universidade parceira.

“As pessoas obesas abdominais apresentavam maior risco de desenvolver, ao longo de 4 anos, que foi o estudo específico, insuficiência e deficiência de vitamina D, em comparação com aquelas que não eram obesas abdmoninais”, explicou Thaís.

 

A pesquisadora da UFSCar Thaís Barros Pereira da Silva — Foto: Nilson Porcel/EPTV

A pesquisadora da UFSCar Thaís Barros Pereira da Silva — Foto: Nilson Porcel/EPTV

O orientador da pesquisa, Tiago Alexandre, afirma que, embora as informações coletadas sejam da saúde dos ingleses, essa descoberta é representativa para o mundo todo.

“É importante saber que a obesidade é um fator de risco e, por isso, a nossa população, seja ela idosa ou não, está com uma prevalência alta de insuficiência e deficiência. Porque como todo mundo tem ficado mais obeso, a gente saber que essa gordura sequestra a vitamina D e faz que tenhamos deficiência e insuficiência, isso é importante do ponto de vista populacional”, disse.

O novo estudo complementa outras duas pesquisas, o que torna a investigação sobre insuficiência de vitamina D ainda mais ampla.

“Já tínhamos estudado através do mestrado de outra aluna que essa deficiência e insuficiência, aumentava o risco da pessoa desenvolver dificuldade para realizar atividade do dia a dia, como tomar banho, se vestir, ir ao banheiro. A gente identificou que a deficiência de vitamina D aumentava o risco de ter fraqueza muscular porque a vitamina D também age no músculo”, explicou Alexandre.

O orientador da pesquisa da UFSCar sobre gordura abdominal e vitamina D, Tiago Alexandre,  — Foto: Nilson Porcel/EPTV

O orientador da pesquisa da UFSCar sobre gordura abdominal e vitamina D, Tiago Alexandre, — Foto: Nilson Porcel/EPTV

Tanto a autora quanto o orientador estão orgulhosos por protagonizarem mais esse avanço da ciência.

“A medida que a gente vai descobrindo o que causa mais risco das pessoas terem os problemas envolvidos no processo do envelhecimento, é mais fácil que possamos prevenir que estas condições aconteçam”, disse o orientador.

 

“Além da gente conseguir descobrir um fator de risco novo e um fator que é verificado com uma medida tão simples que é a circunferência de cintura”, destacou a pesquisadora.

Sol e vitamina D

 

Sol é a melhor forma de ativar a vitamina D no organismo — Foto: Nilson Porcel/EPTV

Sol é a melhor forma de ativar a vitamina D no organismo — Foto: Nilson Porcel/EPTV

A médica endocrinologista Mariana Carvalho de Oliveira explica que o sol é o melhor aliado pra absorção de vitamina D.

“Ela pode ser obtida de fontes animais e vegetais, entretanto, 80% da vitamina D vem da luz do sol. Como as pessoas se expõem pouco ao sol, principalmente nessa época de outono e inverno, é muito comum detectarmos deficiência de vitamina D. Quando há deficiência, não adianta só a exposição à luz do sol. É necessária uma suplementação que ela deve ser individualizada” , afirmou.

A médica endocrinologista Mariana Carvalho de Oliveira  — Foto: Nilson Porcel/EPTV

A médica endocrinologista Mariana Carvalho de Oliveira — Foto: Nilson Porcel/EPTV

As pessoas nem sempre se dão conta da falta dela porque os sinais não são tão claros. “A deficiência em geral não dá nenhum sintoma. Como ela tem papel muito importante na formação dos ossos, na massa muscular, algumas pessoas podem ter mais fragilidade óssea e outras sintomas bem específicos como cansado e fraqueza”, disse a endocrinologista.

Ela ressaltou a importância da pesquisa da UFSCar. “Principalmente quando a gente fala em combater a gordura visceral, com hábitos de vida saudável, boa noite de sono, alimentação balanceada, prática de atividade física e controle de estresse. Sem dúvida é um estudo bastante importante”, afirmou.

Fonte: G1

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