Exame de sangue é capaz de diagnosticar Alzheimer nos brasileiros, mostra estudo

Um exame de sangue é capaz de diagnosticar pacientes brasileiros com Alzheimer, demonstrou um estudo publicado na revista Molecular Psychiatry, do grupo Nature, e conduzido por pesquisadores de diversos países, incluindo cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Se confirmado e popularizado, o teste seria uma alternativa mais acessível do que as opções existentes hoje, a punção lombar (exame invasivo em que é colhido líquor) e a tomografia por emissão de pósitrons (PET), que custam cerca de R$ 3 mil e R$ 10 mil, respectivamente, e estão disponíveis em poucas cidades brasileiras.

Devido ao alto custo de exames diagnósticos atualmente, muitos pacientes confirmam a doença apenas após sinais avançados. Um exame de sangue com alta precisão e capaz de detectar a doença em uma fase mais inicial favoreceria o tratamento, segundo especialistas.

Como foi feita a pesquisa

Os pesquisadores não desenvolveram o exame de sangue — eles testaram, na população brasileira, um exame já existente, criado pela empresa americana Quanterix. Até então, pesquisas sobre a eficácia desse tipo de teste haviam sido conduzidas apenas em populações do Norte Global (Estados Unidos e Europa), que apresentam características distintas das do Sul Global.

Em outros países, as pesquisas mostraram bons resultados, mas a equipe brasileira buscou validar o exame por aqui, já que dois terços de todos os pacientes com demência vivem em países de baixa e média renda, segundo a Alzheimer’s Association.

“A gente não tinha ideia de como esse exame funcionava na população brasileira. O cérebro brasileiro, do latino-americano, é diferente. A nossa genética é diferente, as nossas características socioculturais são diferentes e, obviamente, isso impacta o cérebro”, diz o pesquisador Eduardo Zimmer, da UFRGS, autor sênior do estudo.

Para avaliar a eficácia do teste, os cientistas mediram os níveis de biomarcadores da doença de Alzheimer presentes no sangue. Foram 59 indivíduos analisados, divididos em três grupos: 20 sem comprometimento cognitivo, 22 com demência por Alzheimer e 17 com demência vascular. O resultado do exame de sangue foi comparado ao de punção lombar.

Ao avaliar a presença da proteína p-tau217, considerada pelos pesquisadores como o marcador mais eficiente para identificar Alzheimer, o teste apresentou alta precisão para distinguir indivíduos saudáveis daqueles com a doença, com 96% de acerto.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia