Nestes dias, é comum ver as pessoas se liberando das dietas, das promessas e ‘se acabando’ em comidas e bebidas sem nenhum controle
O período de fim de ano casa com muita coisa que a população brasileira adora: férias, décimo terceiro salário e festividades com bastante comilança, desde as confraternizações de trabalho aos encontros familiares no Natal e Ano Novo.
Nestes dias, é comum ver as pessoas se liberando das dietas, das promessas e ‘se acabando’ em comidas e bebidas sem nenhum controle. Ou seja, esses dias além de festivos, são um período muito propício para os excessos, recaídas e costumes pouco saudáveis.
Mas como não é só de festa e comida que se vive, especialistas alertam para a importância de se ater aos excessos. Nessa época, não são apenas as calorias que podem aumentar, mas também a entrada de pessoas em unidades de saúde com mal-estar provocado pelo desconforto estomacal, pelo alto índice glicêmico, pelo colesterol alto e por placas de gorduras nas artérias que aumentam os riscos de infarto e AVC. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma dieta equilibrada e saudável precisa levar em conta o contexto cultural, os alimentos disponíveis localmente, bem como os hábitos alimentares, entre outros fatores.
Segundo o nutricionista Vitor Albuquerque, a atenção deve ser redobrada para quem tem doenças preexistentes e outras condições de saúde, como diabetes, colesterol e triglicerídeos altos, além de excesso de peso. “As pessoas com problemas renais devem ficar alertas aos alimentos que contêm muito sal. O ideal seria manter uma alimentação alimentos in natura ou minimamente processados”, afirma.
Mas a pergunta que fica é: como se conter diante de tantas delícias como o salpicão, o peru, o arroz com uva-passa, sobremesas, salgadinhos, dentre outros?
De acordo com a nutricionista Berna Mota Alencar os abusos durante a ceia podem se tornar casos mais sérios, resultando no que os especialistas chamam de “ ressaca alimentar”.
“É uma das preocupações, porque pode desencadear situações piores. Mas, a princípio, a ressaca alimentar é composta por sintomas como má digestão, azia, náuseas, vômitos, dor de cabeça e diarreia podem surgir. Podendo até mesmo comprometer a saúde cardiovascular em casos mais graves”, explicou.
Ela explica, entretanto, que é possível aproveitar os prazeres alimentícios deste fim de ano sem ganhar novos problemas de saúde. “Equilíbrio é tudo, um pouco de gordura, um pouco de salada”, brinca, aos risos, a nutricionista se referindo aos memes das redes sociais.
“A pessoa que quer comer sal, gordura e se preocupa com o coração, ela pode consumir porções menores, sempre acompanhada de muita água. Afinal, porções menores, associadas ao consumo de líquido, podem evitar danos”, pontuou a especialista.
O nutricionista cita o guia da alimentação brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, e diz que todo brasileiro pode curtir bastante o Natal mantendo uma dieta saudável. “Evitar alimentos embutidos, como salsicha e presunto, bolos industrializados e preferir comidas menos pesadas, as tortas de frango, cortes de carnes mais magros, a farofa, as saladas. Se preparados corretamente, são benéficos ao organismo”, acrescenta.
Além disso, continua o nutricionista Vitor Albuquerque, é importante que quem prepara os quitutes se atenha ao açúcar, à gordura e ao sal. “Pode trocar a salsicha do cachorro-quente por carne desfiada, evitar os doces que pesam no leite condensado, menos açúcar e mais canela. Pipoca de panela melhor do que micro-ondas, além de cortes de carnes mais magros”, explica.
Segundo ele, os diabéticos e hipertensos devem manter o controle. “Manter a glicemia controlada. Ver as comidas doces, com o que foram preparadas”, enfatiza.
Antes de Cristo – É válido lembrar que as festas regadas a bebida e a comida neste ano antecedem cristianismo. Nessa época do ano, há séculos, muitos povos comemoravam o início da colheita e pediam aos deuses fartura para as próximas.
“O hábito de se fartar de comida é antigo. No Brasil, os povos originários também faziam rituais de celebração ligados à agricultura, ao solstício, com danças e muita comida e caldos. Com a chegada dos portugueses e os festejos cristãos, eles adaptaram os pratos”, comentou Albuquerque.
Fonte: Tribuna da Bahia






