Procuradas, a Embasa e a Prefeitura de Salvador se furtaram da responsabilidade.
De quem é a culpa e quando o problema vai ser resolvido? Essas são as perguntas feitas por centenas de soteropolitanos, moradores do bairro e de turistas que passam diariamente pela orla do Cristo até o Farol da Barra e se deparam, com certa frequência, com a deprimente e lamentável cena repetida no ultimo domingo (29): uma enxurrada de água suja e fétida saindo de uma galeria supostamente pluvial e poluindo o mar de um dos principais cartões postais da capital baiana.
“Inaceitável que uma situação como essa permaneça sem nenhuma resolução e fique esse jogo de empurra entre Embasa e Prefeitura. Não éramos a dita capital do meio-ambiente? No domingo foi esgoto fedorento o dia inteiro na praia. Os turistas passando e recebendo à primeira vista essa cena deplorável”, comenta a moradora da Barra Maria Luiza Amorim, abordada pela reportagem.
A situação ontem era menos espantosa que no dia anterior, no entanto ainda era possível ver a areia preta, consequência da sujeira e da contaminação, e uma quantidade de água ainda correndo em direção ao mar. E ainda assim, banhistas desavisados adentravam o mar e jogavam bola no local.
O diretor de Comunicação da Associação dos Moradores da Barra (AMABARRA), Waltson Campos, confirma que a situação é frequente e informa que a entidade irá acionar o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para solicitar um levantamento sobre o que está acontecendo nas galerias da região.
“Porque se não tem chuva, não era para ter aquele despejo de água na praia. Ninguém assume a paternidade do problema. A gente questiona a prefeitura, diz que é a Embasa, que por sua vez diz que é falta de limpeza da prefeitura. E o cidadão pagador de impostos está sofrendo com o descaso todo, principalmente agora na alta temporada, que as pessoas vêm para cá e saem com uma imagem muito ruim nossa”, declarou.
Segundo Campos, existe ainda a suspeita de que esgotos estejam sendo despejados por outras galerias localizadas na orla. “Nesse caso, pela quantidade de água que estava saindo sem chuva, era um problema grande, algum rompimento de ligação clandestina que despejou a água toda”.
Procuradas, a Embasa e a Prefeitura de Salvador se furtaram da responsabilidade. A Embasa se resumiu às poucas palavras em nota: “Sobre a água suja na praia da Barra, a Embasa informa que as equipes foram ao local ainda na tarde de ontem (29) e constataram que não tem relação com as redes de água ou esgoto operadas pela empresa, e que a situação pode estar ligada a pontos de escoamento de água de chuva, de responsabilidade do município”.
A Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), por sua vez, foi na mesma linha, se eximindo questão e jogando a responsabilidade na |Embasa. “A Secretaria Municipal de Manutenção (Seman) informa que realizou uma vistoria no local e constatou que essa situação ocorreu devido a uma ligação clandestina de esgoto. Com isso, os resíduos acabaram se juntando à rede de drenagem. A Seman comunica que já acionou a Embasa para que a empresa investigue a ocorrência”, disse.
A pasta municipal acrescentou: “Vale lembrar que a rede de drenagem é administrada pelo município, mas a rede de esgoto é de responsabilidade da Embasa”.
A equipe de reportagem enviou à empresa de água e saneamento as declarações do órgão municipal e a questionou se alguma notificação foi enviada, conforme informado pela secretaria. Sem dizer que sim, nem que não, a Embasa afirmou que “atua em parceria com os municípios para coibir que imóveis despejem esgoto indevidamente na rede de drenagem, de responsabilidade do município, e interliguem na rede de esgoto instalada e em operação.
Moradores já solicitaram que galerias pluviais não tivessem saída nas praias
As galerias pluviais, construídas há décadas, vem sendo problemas antigos para moradores e banhistas da Barra.
Questionado sobre a possibilidade de fechar as galerias pluviais que desembocam na praia, o diretor de comunicação da Associação dos Moradores da Barra (AMABARA), Waltson Campos, disse que já houve esse debate com os órgãos competentes. “Precisaria de boa vontade e de um bom operacional”, resumiu.
A diferença da cena presenciada no último domingo (29), para as que já ocorreram anteriormente, é que, dessa vez, a água estava bastante fétida. A Tribuna da Bahia já esteve no local nos últimos anos para averiguar denúncias e a situação é sempre semelhante. Nas ocasiões, as justificativas eram de que a água que saía pelo canal seria das fortes chuvas. No entanto, a situação é flagrada ano a ano até mesmo quando não chove.
Para o empresário Gustavo Assis, “seja de quem for a responsabilidade, o mais correto a ser feito pelo bem da cidade de Salvador, para a qualidade das praias e para a recepção dos turistas, é que prefeitura e Embasa se unam para resolver urgentemente esse problema”.
Fonte: Tribuna da Bahia






