Doar sangue é uma demonstração de solidariedade, motivada pela empatia e pelo desejo de fazer a diferença na saúde de alguém. Entretanto, poucos sabem que as 3,2 milhões de doações realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022 destinam-se a diversas finalidades e também possuem diferentes formas de coleta. Conheça mais sobre a doação de sangue.
Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), das coletas realizadas em 2020 no país, 97,36% foram de sangue total, o tipo que a maioria das pessoas conhece. Nesse caso, são retirados do doador em torno de 450 ml de sangue, durante cerca de 12 minutos. Esse sangue é submetido a um processo de centrifugação, que separa seus principais componentes: hemácias, plaquetas e plasma.
Cada um deles é indicado para casos específicos. As hemácias são utilizadas no tratamento de anemias e hemorragias agudas; as plaquetas ajudam pessoas em tratamento oncológico ou com doenças hematológicas; e o plasma pode ser usado em pacientes com distúrbio da coagulação.
Confira abaixo informações da Abbott, empresa global de cuidados para a saúde.
Plaquetas salvadoras
Nos casos em que a pessoa necessita especificamente de plaquetas, é possível também fazer o procedimento de aférese, no qual o sangue é coletado por meio da veia de um braço, passa por uma máquina que retém parte das plaquetas e é devolvido ao doador por meio da veia do outro braço.
As plaquetas fazem parte da composição do sangue e desempenham um importante papel na coagulação. Quando há uma queda no nível de plaquetas ou quando esse componente não funciona adequadamente, há risco de sangramentos incontroláveis, sendo necessária a transfusão.
Situações assim são frequentes em casos de leucemia, dengue hemorrágica e em pessoas submetidas a cirurgias cardíacas. A coleta por aférese dura de 90 a 120 minutos e dela se obtém aproximadamente 300 ml de sangue com uma concentração de plaquetas de 6 a 8 vezes maior do que em uma doação total. Além disso, esse método oferece menor chance de reação, já que o paciente consegue receber uma quantidade maior de plaquetas de um único doador.
Outra vantagem é que o doador pode ser submetido ao procedimento quatro vezes por mês, respeitando o limite de 24 doações ao ano. O doador de sangue total pode doar no máximo quatro vezes por ano, se for homem, e três vezes por ano, se for mulher. No entanto, no caso das plaquetas, a grande dificuldade em manter seus estoques abastecidos está na sua curta vida útil delas: em média, apenas 5 dias após a coleta.
Os pré-requisitos para ser um doador de plaquetas são muito semelhantes aos de uma doação de sangue total, exceto que o doador de plaquetas não deve fazer uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios.
Doação para si próprio
Há também uma terceira possibilidade, quando o paciente opta por doar sangue para si mesmo antecipadamente, em caso de cirurgia programada. É a chamada doação autóloga. Para isso, é preciso ter uma solicitação por escrito do cirurgião, definindo qual a quantidade de sangue necessária, o tipo e a data do procedimento cirúrgico.
Seja qual for a forma utilizada para doar, é sempre bom ter em mente que, independentemente da motivação, trata-se de um ato amoroso, capaz de salvar vidas. Por isso, se possível, inclua pelo menos uma doação de sangue na sua agenda anual. O bem comum agradece.
Sangue bom
De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2022, 66,43% das doações realizadas no Brasil foram espontâneas, ou seja, realizadas por altruísmo. Mas, infelizmente, uma parcela significativa das pessoas – 32,88% – ainda procura os bancos de sangue apenas quando algum familiar ou amigo precisa de transfusão, ou seja, apenas para reposição do estoque.
No Brasil, a doação de sangue é voluntária e aproximadamente 1,4% da população é doadora. Ou seja: apenas 14 em cada grupo de mil brasileiros são doadores regulares de sangue.
Esse número está dentro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para países em desenvolvimento, estimado entre 1 e 3% da população. No entanto é bom lembrar que o sangue é insubstituível, portanto, é fundamental sempre tentar aumentar a base de doadores.
Fonte: Tribuna da Bahia






