O diagnóstico tardio de autismo é uma realidade frequente entre mulheres e meninas. Uma pesquisa publicada no National Library of Medicine, envolvendo quase 2.500 crianças com autismo, sugere que o transtorno frequentemente não é diagnosticado em meninas, o que poderia explicar por que o autismo parece ser mais comum em meninos.
Além disso, a Diagnosis of autism in girls: Systematic review, de 2022, publicada na PePsic Periódicos de Psicologia, analisou 20 estudos, dos quais 50% confirmaram o subdiagnóstico no gênero feminino, sendo que 40% mencionam o diagnóstico tardio especificamente.
Os critérios diagnósticos do autismo foram historicamente construídos com base em estudos realizados predominantemente com meninos. Como consequência, muitas características mais comuns em meninas passaram despercebidas por décadas, contribuindo para que o diagnóstico aconteça apenas na adolescência ou na vida adulta.
Segundo especialistas, o autismo em meninas apresenta particularidades muito específicas na apresentação clínica desde a infância.
“A menina com autismo é capaz de apresentar um brincar muito mais funcional e simbólico quando comparado ao dos meninos. Ela consegue imitar a brincadeira, aprender a brincar com outras meninas e dar uma função real ao brinquedo. Além disso, os seus interesses restritos tendem a ser bem menos peculiares do que os dos meninos, que muitas vezes focam de forma muito específica em temas como pedras, bandeiras, dinossauros ou planetas”, disse a especialista Signorelli.
Ela explica que nas meninas, desde a infância, esses interesses costumam estar mais relacionados a animais, bandas ou séries de televisão — temas frequentemente compartilhados por pessoas neurotípicas, o que dificulta a identificação do transtorno.
“A única diferença é que, para as adolescentes e mulheres dentro do espectro, trata-se de um interesse hiperfocado e restrito, enquanto outras pessoas conseguem transitar com mais facilidade por outros assuntos”, explicou.
Fonte: A Tarde






