Com aproximação do verão, busca pelo corpo perfeito pode causar danos à saúde

Embora seja consenso que realizar exercícios físicos pode contribuir para a saúde e o bem estar, a prática descontrolada, sem exagero e sem acompanhamento profissional pode provocar graves danos à saúde

O verão se aproxima e como sempre ocorre nesta estação, as pessoas gostam de estar em forma e com o ‘corpo perfeito’ para exibir nas praias, nas baladas e nas festas carnavalescas. Nas redes sociais, pessoas das mais variadas idades cronometram o tempo e mostram seus esforços com variados exercícios físicos, numa corrida muitas vezes exagerada para alcançar seus objetivos e o padrão de beleza desejado: aquele que, em geral, não significa exatamente saúde, mas apenas beleza estética.

As tentativas são diversas: desde corrida, academia, calistenia, medicamentos como o Ozempic, a procedimentos estéticos. Embora seja consenso que realizar exercícios físicos pode contribuir para a saúde e o bem estar, a prática descontrolada, sem exagero e sem acompanhamento profissional pode provocar graves danos à saúde. Ou seja, sem cautela e paciência, o sonho do corpo perfeito não só pode ir por água abaixo, como pode nunca mais ser concretizado.

“Tem gente que vai para academia e malha sem se alimentar direito. Faz os mesmos exercícios todos os dias. Toma bomba. Toma remédio de emagrecimento, faz uma grande loucura para conseguir o corpo perfeito e o resultado pode ser deformação muscular, lesões graves, sobrecarga cardíaca, problemas articulares, insuficiência muscular, desequilíbrio hormonal, dentre tantos. Este combo de problemas pode levar a uma fraqueza muscular tão grave que o que era para ser saudável, se torna totalmente prejudicial” explica o educador físico formado pela Ufba, Ricardo Moreira.

Fato é que o corpo perfeito não existe: a diversidade de corpos deveria ser encarada como natural e saudável. No entanto, a cobrança de um padrão social e a imposição pela sociedade de padrões de beleza idealizados, perpetuados pela mídia, pela publicidade e pela indústria da moda, tem levado, juntamente com a sufocante exigência de sucesso promovida pelas redes sociais, ao adoecimento de grande parcela da sociedade cuja autoestima não é bem resolvida.

A constatação é do terapeuta Gustavo Araújo, mas também de centenas de especialistas que divulgam pesquisas sobre o tema. A busca incessante pelo corpo perfeito nas academias, em busca de um verão performático, pode causar não só graves lesões, impedindo as atividades físicas, como transtornos alimentares tais quais anorexia nervosa e bulimia, como também desnutrição, distúrbios hormonais e problemas psicológicos graves como ansiedade, depressão e transtorno de personalidade.

“Sem falar no mais comum que é a dependência de substâncias. O uso de suplementos alimentares, anabolizantes e outros produtos químicos pode levar à dependência física e psicológica”, destaca o psicólogo.

Foto: Romildo de Jesus

Em busca do corpo perfeito, muitas pessoas desenvolvem problemas de saúde física e mental, tais como transtornos alimentares como anorexia nervosa, bulimia nervosa e anorexia nervosa; desnutrição por causa da restrição excessiva de alimentos causando fraqueza, fadiga, queda de cabelo e problemas de pele; distúrbios hormonais, uma vez que a perda de peso excessiva pode afetar os níveis hormonais, levando a problemas como irregularidades menstruais, osteoporose e infertilidade; lesões como tendinites; problemas psicológicos como ansiedade, depressão, baixa autoestima e transtornos de personalidade.

Soma-se ainda a dependência de substâncias: além de deformação corporal, podem causar transtornos psicológicos que tem como consequência a busca pelo corpo perfeito com cirurgias plásticas mal sucedidas, causando problemas de saúde e deformidades físicas. “Em casos extremos, a busca do corpo perfeito pode levar à morte, seja por complicações de saúde ou suicídio”, pontua o especialista.

Bem estar

Para ter uma saúde em dia e um corpo físico saudável é necessário buscar locais e estabelecimentos onde o lema seja combater a pressão pelo corpo perfeito através da autoaceitação e da promoção da autoestima.

“Não adianta correr para qualquer academia onde as pessoas estão ali buscando reproduzir os estereótipos de beleza sem nenhuma reflexão. É importante que os profissionais estimulem a diversidade e a inclusão, que eduquem sobre saúde mental e física e encorajem uma imagem corporal saudável e realista com as condições do praticante”, explica o educador físico Moreira.

Para obter um treino adequado, deve-se levar em conta o fato de que o equilíbrio é fundamental, entendendo que a atividade física regular é essencial para a saúde, mas respeitando os limites do corpo e ouvindo os sinais de alerta.

As recomendações gerais são em média 150 minutos de exercícios por semana, com 2 a 3 dias de descanso. Aquecimentos e alongamentos adequados, respeitando os limites do corpo e, acima de tudo, consultar um profissional antes de iniciar qualquer exercício.

“Todo profissional da educação física tem o desafio de convencer o cliente que o corpo saudável é mais importante do que o corpo perfeito, focando na saúde e não na aparência, respeitando a diversidade de corpos. O ideal é focar na melhora da força muscular, desenvolver a coordenação, e principalmente, melhorar a resistência cardiovascular. Não adianta ir pra academia só para criar músculos, queimar gordurinhas, mas não cuidar do cardio, do coração”, diz.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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