Cerca de 16 cães abandonados em uma casa correm risco de morte

Animais sobrevivem em meio as péssimas condições sanitárias e carência de alimentos

 

Foto: Romildo de Jesus

 

Um buraco aberto numa parede sem reboco por onde enfiam o focinho numa expressão de desespero e súplica é o único contato que os 15 cães mantidos numa casa desocupada no bairro da Estrada Velha do Aeroporto têm com o mundo exterior.

Eles estão muito magros e seguem essa rotina há uns três meses. Um senhor que se identificou como dono do imóvel até tentou contestar a dramaticidade da situação, afirmando que alimenta os cachorros uma vez por dia, – só não fazendo mais pelas dificuldades que atravessa – realidade contestada por moradores da região e pela situação que se encontram os animais.

Numa casa localizada na Estrada Velha do Aeroporto, encontram-se 15 animais. De acordo com os vizinhos que moram ao lado do imóvel, os animais vivem com escassez de água, comida e principalmente de atenção. O que mais preocupa os moradores é a situação de insalubridade, pois o imóvel não é higienizado como deveria, atraindo muitos insetos para a região e causando mau cheiro.

Roberto de Orleans (70) é o tutor do grupo de animais. Ele conta que cria cachorros há mais de 20 anos e que todos os dias ele alimenta os animais. A esposa de Roberto, que não quis se identificar, alega que o marido não tem mais condições físicas, mentais e nem financeiras de cuidar dos cães. Ele, que já tem dificuldades para respirar devido a um problema de saúde, recentemente sofreu um pequeno acidente que o deixou sem andar por alguns dias. O imóvel onde estão os cães, fica a poucos metros de onde o dono reside.

“Todo dia eu dou comida a eles. Eles não estão abandonados. Todo mês eu gasto quase R$1.500 de ração. Eu dou remédio de verme a eles, e quando eles estão doentes chamo o veterinário. A saúde deles tá boa, agora alguns deles estão um pouco magros, não sei porquê. Alguns eu pegava na rua, eu já tentei doar eles, mas ninguém quer”, alegou.

O amor pelos cães transformou-se numa situação insustentável e num problema de saúde pública. Jailma Oliveira é uma das vizinhas do imóvel onde ficam os animais. Ela conta que o mau cheiro e os latidos são o que mais incomoda a vizinhança. Jailma também ressalta que o dono não tem mais condições de cuidar dos animais e fala o que seria necessário para essa situação minimizar.

“É um mau cheiro insuportável, cria insetos, moscas. Tem momentos de noite que os latidos dos cachorros são insuportáveis também, principalmente quando ele [o dono] chega. Teve um tempo que ele ficou sem vir, porque ele estava em situação difícil, mas ele sempre vem. Mas se você vê os cachorros, estão todos magros. A gente começou a dar comida a eles pelo buraco, foi aí que a outra vizinha começou pedir ajuda para alimentar eles. Agora se tivesse uma ONG que levasse  eles, até aliviava”, relatou.

A equipe de reportagem da Tribuna da Bahia entrou em contato com a Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis), que visitou o imóvel no último dia 14 de junho, e em nota, eles responderam que não conseguiram realizar o monitoramento do cumprimento das adequações já solicitadas ao tutor, pois o mesmo não foi localizado no local.

Ainda de acordo com a nota enviada pela Secis, no último encontro, a Diretoria de Proteção Animal (DIPA) orientou o tutor sobre guarda responsável, no intuito de sensibilizá-lo sobre a importância de se garantir a saúde física e mental, a segurança e o bem-estar dos animais; bem como foi feita uma abordagem de conscientização no que tange à doação dos mesmos, para que tenham melhoria da qualidade de vida.

A DIPA ainda destacou que não tem poder de polícia, bem como o município não possui abrigos temporários; tornando inviável proceder com o resgate e posse dos animais mesmo mediante a uma infração. Por isso um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil para que o órgão proceda com as medidas previstas em lei.

Fonte: Tribuna da Bahia

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