Psicóloga Kamilla Santana, da ASPRECAM, vai abordar este e outros temas relacionados à saúde mental das pacientes com câncer neste sábado (26), em Lagoa Santa
“A mulher aprendeu a doar, aprendeu a cuidar, e, muitas vezes, não consegue ver essas qualidades no seu companheiro. Para o homem, é difícil lidar com uma mulher que recebeu o diagnóstico e também fez o tratamento, pois lhe é comum a ideia de perda do símbolo da feminilidade, comumente associado ao cabelo e ao seio da mulher. É um processo delicado, que precisa ser dialogado dentro dos relacionamentos. Entretanto, o câncer de mama, para várias relações, será a ponta do iceberg, diante de um relacionamento que já não tem um bom funcionamento”, a fala da psicóloga Kamilla Santana, diretora de RH da ASPRECAM, aborda uma triste realidade: 70% das mulheres em tratamento oncológico são abandonadas por seus parceiros, de acordo com estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Mastologia.
Para a psicóloga Kamilla, tudo passa pela educação. O homem saber ou não saber lidar com uma doença está, por vezes, na base da educação que não o preparou para lidar com a exposição a um cenário difícil, por longo período. Psicologicamente falando, o diagnóstico de câncer, somado ao fim de um relacionamento, pode desencadear um quadro depressivo, e isso exige da mulher ter seu cuidado redobrado. “O que temos, de forma geral, são mulheres que ficam “até que a morte nos separe” com o marido, e homens que abandonam as mulheres diante de um momento delicado. Por isso, mais uma vez, a rede de apoio se torna fundamental para que a mulher consiga, além de lidar com o tratamento do câncer de mama, também passar pelo abandono do seu companheiro”.
“O homem, culturalmente, tem a tomada de decisão rápida e ações imediatas, tem na sua “força” as respostas para os problemas. O câncer de mama, melhor dizendo, a mulher em tratamento, não precisa da força do homem, ela precisa do amor e do afeto desse homem. O fato de o homem não saber lidar com a doença é um reflexo da nossa cultura, que exige da mulher o aprendizado no aspecto socioemocional muito mais do que a necessidade de o homem também se implicar nesse processo de desenvolvimento. Vale salientar que os homens também têm câncer de mama e eles precisam aprender a lidar com esse diagnóstico, que pode ser vivido por ele também”, observa Kamilla.
Com 40 anos de existência, a Associação de Prevenção do Câncer na Mulher (ASPRECAM) desenvolve um intenso trabalho em favor das mulheres com câncer de mama. A atuação da entidade tem se voltado para diversos programas e projetos que procuram amenizar o impacto negativo da doença na vida das pacientes, levando-lhes informações seguras, orientando-as sobre o autocuidado e a prevenção. Além disso, a associação procura construir uma rede de apoio onde as mulheres possam sentir-se acolhidas e abraçadas em laços de afeto. Neste sábado (26/10), a ASPRECAM, em parceria com a Casa da Orla de Lagoa Santa – local de eventos que apoia ações sócioculturais –, será todo dedicado à conscientização do câncer de mama com palestras sobre autocuidado e acolhimento, exposição fotográfica, meditação, yoga e biodança.
Para a psicóloga Kamilla, o diagnóstico de câncer de mama impacta a paciente e todas as pessoas à sua volta, portanto, elas deverão ter uma atuação cuidadosa e respeitosa pelo momento de vida dessa paciente. “Quando mencionamos rede de apoio, podemos associar as nossas conexões, os nossos vínculos afetivos que servem, para além de um lugar de cuidado, também, de ação para com outro. A rede de apoio pode ser as pessoas da família, os amigos, juntamente com as instituições que fornecem serviços em favor dessa paciente oncológica”, orienta.
Fonte: Tribuna da Bahia






