A Bahia vem registrando uma expressiva redução nos números de dengue em 2025, depois da forte epidemia enfrentada no ano passado. De acordo com o mais recente boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), foram notificados 28.698 casos prováveis da doença até 6 de setembro, o que representa uma queda de 87,4% em relação ao mesmo período de 2024, quando haviam sido contabilizados mais de 227 mil registros.
Apesar da redução, o balanço aponta que a dengue ainda preocupa. O informe semanal mostra que o estado confirmou oito mortes pela doença em 2025, além de 582 casos graves. O coeficiente de incidência é de 193,2 casos a cada 100 mil habitantes, o que mantém a necessidade de alerta, especialmente com a chegada da primavera-verão, período de maior circulação do mosquito Aedes aegypti.
Outras arboviroses transmitidas pelo vetor também tiveram retração no estado. A chikungunya contabilizou 2.092 casos prováveis este ano, redução de quase 87% frente a 2024, quando foram mais de 16 mil. Houve registro de um óbito confirmado. Já a zika somou 284 casos prováveis, 73,6% a menos que no ano passado.
A vacinação contra a dengue, iniciada em 2024, ainda não alcançou cobertura satisfatória. Segundo a SESAB, a estimativa de público elegível – adolescentes de 10 a 14 anos – é de 738,4 mil pessoas. “Entre 2024 e 2025, foram aplicadas 91.840 doses de vacinas dengue na população de 10 a 14 anos em Salvador, sendo 63.490 primeiras doses (D1) e 28.350 segundas doses (D2)”, informou a Sesab à Tribuna da Bahia. Isso corresponde a uma cobertura de 29,1% para a primeira aplicação e apenas 12,9% para a segunda.
Na capital, Salvador, foram aplicadas 91,8 mil doses, das quais 63,4 mil D1 e 28,3 mil D2. O número indica que quase um terço das aplicações realizadas em todo o estado concentrou-se no município.
Com a previsão de aumento das chuvas e da temperatura a partir da primavera, o risco de proliferação do Aedes aegypti se intensifica. Nesse cenário, além da vacinação, o controle do vetor continua sendo a principal estratégia de prevenção. A Sesab reforça que a participação da comunidade é indispensável. Manter caixas d’água vedadas, descartar recipientes que acumulem água parada e adotar medidas de proteção individual, como o uso de repelente, seguem como recomendações básicas.
Atenção aos sinais
O infectologista Marcelo Fontes alerta que os sintomas iniciais da dengue incluem febre alta, dor no corpo, dor de cabeça e manchas vermelhas na pele. Segundo ele, é fundamental procurar atendimento médico diante de sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura ou sangramentos. “A hidratação é a medida mais importante para reduzir o risco de complicações. Nos casos leves, deve ser feita por via oral; nos mais graves, pode ser necessária a reposição intravenosa”, explicou.
Ele também reforçou que alguns medicamentos, como aspirina e anti-inflamatórios, devem ser evitados, pois podem agravar hemorragias. “O paracetamol é a opção mais indicada para controlar febre e dor, sempre com orientação médica. Quem já teve dengue deve redobrar a atenção, porque novas infecções podem evoluir para formas mais graves. Mesmo em um ano de queda nos casos, o vírus segue circulando, e a prevenção, aliada à vacinação do público elegível, é fundamental”, completou.]
Fonte: Tribuna da Bahia






