Bahia registra 13 casos de febre maculosa em uma década; infectologista faz alerta e dá dicas de prevenção

A febre maculosa, doença infecciosa causada pela bactéria do gênero Rickettsia e transmitida através da picada do carrapato estrela, foi registrada 13 vezes entre os anos de 2012 e 2023, na Bahia. O levantamento de dados foi enviado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) ao Metro1.

O ano de 2021 foi o que teve mais registros com quatro casos, seguido por 2022 com três e 2019 com dois. Já em 2020, 2018, 2015 e 2012, houve um caso confirmado por ano.

Na última semana, quatro pessoas morreram devido às complicações causadas pela doença, após participarem de eventos em uma fazenda localizada em Campinas, no interior de São Paulo. Além das mortes, há ainda outros 17 casos suspeitos de infecção com a febre maculosa na região.

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Ao Metro1, o infectologista do Laboratório Central do Estado da Bahia (Lacen-Ba), Antonio Carlos Bandeira, explicou que a falta de recorrência de casos no estado acontece devido à ausência de contato frequente com áreas típicas de proliferação dos carrapatos. Já as regiões Sudeste e Sul são consideradas endêmicas para a infecção, por causa da grande extensão de mata.

Segundo ele, as infecções costumam acontecer na região sul da Bahia e na Chapada Diamantina, pelo maior contato com animais de zonas rurais e realização de trilhas. Como maneira de se proteger da contaminação do carrapato, o médico aconselhou uso de roupas longas em caso de visitas a locais de risco.

“Temos um ecoturismo grande na Chapada Diamantina, então é importante que as pessoas passem repelente no corpo inteiro antes das trilhas. Usar meias grossas, calças grossas, botas, camisas de manga comprida, é essencial para que esteja em regiões de mata de forma mais protegida da picada do carrapato. O mesmo serve para aqueles que montam cavalos, é preciso se proteger”, disse.

O especialista alertou ainda para o risco dos ninhos de carrapatos encontrados nessas áreas. Segundo ele, o abrigo da espécie se assemelha a troncos de árvores e são facilmente confundíveis. “É preciso ficar atento onde está pisando. Há cerca de 15 anos atrás, atendi uma moça no Rio de Janeiro que teve febre maculosa após ter contato com o ninho”, relatou.

Animais domésticos transmitem?

A resposta é: raramente. O infectologista explicou que, em caso de identificação de carrapatos nos bichinhos, é preciso que um tratamento seja implantado com urgência, mas são poucos os casos em que animais domésticos são hospedeiros da doença. A raridade acontece pois as espécies que se alojam nos animais de estimação não costumam ser da  classe do carrapato estrela.

Sintomas e tratamento

Conforme Antonio Carlos Bandeira, os sintomas manifestados pelas pessoas contaminadas com a febre maculosa se assemelham ao da dengue. Dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas espalhadas pelo corpo, vômitos, além da própria febre, fazem parte do quadro apresentado pelo paciente.

O especialista enfatizou a alta periculosidade da doença e realçou a necessidade de detalhar minuciosamente os possíveis contatos com carrapatos, a fim de permitir uma investigação adequada por parte dos médicos, especialmente devido à semelhança dos sintomas com outras infecções. O tratamento consiste no uso de antibióticos específicos, que variam de acordo com a progressão da doença.

 

Fonte: Metro 1

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