Bahia contabiliza 18.902 mil falhas na assistência à saúde em um ano, aponta ONA

Conforme a ONA, dos registros no estado, 3.715 correspondem a falhas por lesão por pressão, 3.709 falhas durante a assistência médica e 2.964 falhas envolvendo cateter venoso

Responsável pela definição de critérios de acreditação e qualidade, a Organização Nacional de Acreditação (ONA) divulgou um diagnóstico alarmante da prestação de serviços de saúde no país. De acordo com a entidade, entre agosto de 2023 e julho de 2024, foram contabilizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 18.902 mil falhas na assistência à saúde na Bahia.

Conforme a ONA, dos registros no estado, 3.715 correspondem a falhas por lesão por pressão, 3.709 falhas durante a assistência médica e 2.964 falhas envolvendo cateter venoso. No país, o quadro é de 396.629 mil falhas na assistência à saúde em um ano.

“Entre as ocorrências mais graves estão a administração incorreta de medicamentos, seja por dosagem ou tipo errados, e a realização de cirurgias em locais equivocados no corpo dos pacientes. Além disso, destacam-se casos de lesão por pressão, divididos em três tipos: contusão (lesão dos tecidos moles causada por trauma), entorse (alongamento dos ligamentos) e luxação, considerada a mais grave, em que há deslocamento do osso da articulação. Esses dados refletem a seriedade das falhas no sistema de saúde brasileiro e o impacto que podem ter na segurança do paciente”, detalha a organização.

Frente a este cenário, a ONA atua com foco em reduzir erros, inclusive, evitando óbitos. Uma delas é a implementação de processos de acreditação, que permitem às instituições adotarem protocolos de segurança mais rigorosos para proteger os pacientes.

Na Bahia, dentre os diversos tipos de serviços e programas de saúde, 19 hospitais possuem certificação ONA, dentre eles: Aeroporto, da Bahia, Ana Nery, da Mulher, do Subúrbio, Jorge Valente, Martagão Gesteira, Santo Amaro e o do Subúrbio. Dos hospitais do estado, cinco possuem acreditação (em Salvador, apenas o Ana Nery e o Martagão Gesteira).

Além disso, no site da ONA, ainda figuram outros hospitais dentre as organizações de saúde acreditadas na Bahia. Ao todo, são 10 acreditados com excelência (no interior do estado, o IBR de Vitória da Conquista e a Santa Casa de Misericórdia de Jequié) e quatro possuem a certificação de acreditado pleno (hospitais Aeroporto, da Mulher, Estadual da Criança e Municipal de Salvador).

Conforme a gerente de Operações da ONA, Gilvane Lolato, resultados de uma pesquisa, realizada aproximadamente 100 instituições de saúde, apontam a redução de falhas, após a implementação de medidas de segurança. “Mais de 30% dos entrevistados relataram que as falhas na administração de medicamentos diminuíram em 51%; os erros na identificação de pacientes caíram 52%; as infecções hospitalares reduziram 42%; as falhas na prescrição de medicamentos baixaram 35%; enquanto os problemas de comunicação diminuíram 37%”, relaciona.

Ainda de acordo com Lolato, a obtenção da acreditação é um processo desafiador que exige comprometimento, disciplina e uma profunda mudança cultural dentro das organizações. “Além de aumentar a segurança no atendimento médico e na realização de exames e diagnósticos, também traz maior precisão e confiança tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. O processo contribui ainda para minimizar riscos e reduzir falhas operacionais”, acrescenta.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que ocorram anualmente cerca de 134 milhões de eventos adversos em hospitais de países de baixa e média renda, levando a aproximadamente 2,6 milhões de mortes. No Brasil, atualmente, das mais de 380 mil organizações de saúde, 2.030 são acreditadas por metodologias nacionais ou internacionais.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

 

 

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