Em muitas cidades brasileiras, grandes ou pequenas, pessoas com deficiência ainda enfrentam obstáculos diários que comprometem sua cidadania plena. A falta de rampas de acesso, pisos táteis, sinalização adequada, transporte público adaptado e políticas públicas efetivas torna a vida cotidiana um desafio constante. É nesse contexto que a Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF) completa 45 anos de atuação, consolidando-se como uma referência na luta por inclusão, direitos humanos e dignidade. A celebração acontecerá na próxima quinta-feira (18), às 14:00h, no salão nobre do Instituto Feminino da Bahia, em Salvador.
Segundo a presidente da Associação, Silvanete Brandão, nasceu da necessidade de garantir direitos e inclusão para um público historicamente marginalizado. “A trajetória se deu exatamente por essa busca da cidadania, que ainda era muito rara para pessoas com deficiência”, disse.
Silvanete ressalta que, mesmo com avanços legais, o preconceito e o capacitismo ainda são barreiras significativas ainda nos tempos de hoje. “Hoje, pasme, o que a gente mais enfrenta é o preconceito. O capacitismo. A falta de respeito que a sociedade ainda coloca em relação às pessoas com deficiência. A gente pode dizer que esse é o nosso maior desafio”, afirma.
A Lei Brasileira de Inclusão representou um marco na promoção dos direitos, mas a presidente enfatiza que muitos desconhecem as normas. Segundo ela, “existem leis novas, mas a sociedade desconhece e desrespeita os direitos das pessoas com deficiência”, destacou.
Ao longo de sua trajetória, a ABADEF conquistou avanços importantes, como a Lei de Cotas, o passe livre intermunicipal, o bloco carnavalesco “Me Deixa Vontade” e o turismo acessível. Segundo Silvanete, as iniciativas são fruto do coletivo e da vontade em mudar a realidade em prol da cidadania.
“Essas iniciativas deram mais visibilidade, trouxeram representatividade e mostraram que as pessoas com deficiência também têm direito de conhecer outros locais e culturas”, disse.
A presidente reforça, ainda, que hoje há maior representatividade e protagonismo das pessoas com deficiência. “A Associação traz a bandeira da efetividade, da representatividade e do protagonismo, fazendo com que todos os lugares respeitem as pessoas com deficiência. A atuação da associação transforma vidas, garantindo cidadania e respeito nos ambientes de trabalho, escolas e espaços públicos”, afirmou.
Futuro – Para os próximos anos, a entidade pretende expandir ações, fortalecer a mobilidade e acessibilidade e promover campanhas educativas, seminários e congressos. Segundo a presidente, a expansão é um dos principais planos e desafios. “Os nossos planos para os próximos anos são de fortalecimento, de crescimento, de engajamento, até levar a ABADEF para os municípios do estado da Bahia, onde menos se fala sobre direitos para as pessoas com deficiência”, disse.
A presidente pontua que a associação é a “casa da inclusão”, um espaço de militância coletiva que promove respeito e dignidade. “Garantir a dignidade e a igualdade para as pessoas com deficiência não é fácil. Fazer com que a sociedade possa entender que aquela pessoa que está ali na cadeira de rodas ou que seja amputada possa ser respeitada na sua forma total, como todo ser humano é, é o que move a ABADEF”, disse.
Fonte: Metro 1






