Altas temperaturas podem causar danos à saúde

Cuidados, como tomar muito líquido, precisam ser redobrados durante o período de calor intenso

 

Para os baianos, vivemos um verão praticamente por todo o ano. O calor sempre está presente no clima do estado. Mas com o estado sendo atingido pelo fenômeno da super onda de calor que afeta todo o Brasil, a população baiana está em alerta por conta das altas temperaturas. A exposição prolongada ao calor extremo ameaça trazer mal-estar e sérios problemas de saúde.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas seguem elevadas em toda Bahia. Os maiores valores verificados na última segunda-feira (25) foram nos municípios de Bom Jesus da Lapa e Ibotirama, onde a temperatura registrada foi de 41ºC. A região oeste do estado é a que mais tem sido afetada.

O calor excessivo pode causar uma série de problemas de saúde, desde desidratação e exaustão pelo calor até complicações mais graves, como infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Aquelas pessoas que já possuem condições médicas pré-existentes, como doenças cardíacas e respiratórias, diabetes ou pressão alta, estão em maior risco de complicações devido à exposição ao calor extremo.

O cardiologista Marcos Barojas, que é membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia-BA explicou como essas altas temperaturas afetam o corpo etambém o que o calor pode causar a uma pessoa. “O calor traz como primeiro problema a questão da desidratação. Há um aumento de compensação térmica, no qual o suor aumenta e há a perda de água e sais minerais, porque o suor é uma solução rica em sais minerais. Então essa perda de líquido interno traz problemas que podem acometer aos órgãos, principalmente o rim. Além disto, a capacidade de funcionamento do cérebro fica afetada em um processo de desidratação. Não só o cérebro, mas os músculos,os nervos e o coração. Portanto essa alteração pode trazer impactos na função do cérebro, na área cognitiva e na capacidade do coração bater corretamente, podendo haver até arritmias”, pontuou o cardiologista.

Dr. Marcos ainda salientou que o calor causa um processo de dilatação dos vasos, ou seja, eles se dilatam, para compensar o fluxo de calor. Nesse processo, os mecanismos podem impactar no mecanismo de controle da pressão, então a pressão tende a cair. E quadros de desmaio podem acontecer, sendo mais comum nas mulheres, principalmente mulheres com uma idade mais avançada.

Uso do filtro solar e tomar muita água são cuidados essenciais nesta época do ano | Foto: Romildo de Jesus

Sobre os cuidados, o cardiologista ressaltou que a mais óbvia recomendação é a hidratação. “Sempre que possível, dar preferência a água ou a água de coco. Isotônicos também podem ser escolhidos, mas repito, a água e a água de coco como primeiras soluções para hidratação. Tomar entre 2,5 e 3,5L de líquidos, é o que é estipulado ao dia, nesse período de muito calor. De preferência, gelados, pois a absorção pelo estomago é mais rápida. Além da hidratação, evitar exposição ao sol diretamente, procurar lugares sombreados. Quando for praticar a sua atividade física, sempre ir ao início e ao final do dia. É o melhor momento para fazer a prática da atividade. O monitoramento da pressão arterial, em pessoas que usam remédios cardiovasculares também é bastante importante nesse período de calor. Muitas vezes, as doses dos medicamentos podem ser ajustadas”, reforçou Dr. Marcos.

Sobre crianças e idosos, o cardiologista salientou que são mais suscetíveis nesse período de calor, porque ambos têm seu percentual de água muito maior. As crianças mais até que os idosos. Portanto, qualquer perda hídrica se traduz em perda de peso. “Para esses grupos, tem que ser oferecido uma proteção térmica. Proteção direto contra a luz do sol, de preferência lugares ventilados e a hidratação. Especificamente, para os dois grupos, evitar sucos, refrigerantes ou qualquer bebida enriquecida de açúcar na hora da hidratação. Além da alimentação combaixa quantidade de gordura, de fibras, porque as fibras são de difícil digestão. Então o recomendado são alimentos com carboidratos simples e proteínas com baixo modo de cozimento, além de verduras e legumes cozidos, o que facilita a digestão”, afirmou o cardiologista.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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