Inteligência Artificial revoluciona a prevenção do glaucoma na América Latina

A Inteligência Artificial tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para enfrentar um dos maiores desafios da saúde pública: o diagnóstico precoce do glaucoma. Conhecido como o “ladrão silencioso da visão”, o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Afeta milhões de pessoas sem apresentar sintomas iniciais e, na América Latina, três em cada quatro portadores da doença sequer sabem que convivem com ela.

Entre as soluções mais avançadas está o RetinaLyze, software que utiliza algoritmos treinados em milhões de imagens para analisar fotografias da retina e do nervo óptico. A tecnologia identifica alterações sutis que indicam risco de glaucoma ainda em fases iniciais, quando o tratamento pode evitar a progressão da perda visual. O sistema mede pixel a pixel a quantidade de hemoglobina nos vasos sanguíneos e detecta áreas de baixo fluxo, características da doença, com precisão que se aproxima da análise feita por especialistas.

O grande diferencial está na capacidade de levar esse exame a qualquer lugar. Portátil, barato e de rápida execução, o procedimento pode ser realizado em m consultórios, assim como postos de saúde e até mesmo em programas de telemedicina. Técnicos em oftalmologia conseguem capturar as imagens, que são processadas em segundos pelo software, liberando os médicos para se concentrarem nos casos mais graves. Estudos mostram que a adoção desse tipo de triagem pode reduzir em até 60% a sobrecarga do sistema de saúde.

No Brasil, onde mais de 1 milhão de pessoas já convivem com o glaucoma e cerca de 2% da população acima dos 40 anos está em risco, a ausência de políticas de rastreamento sistemático faz com que a maior parte dos diagnósticos aconteça tardiamente. A Inteligência Artificial, ao integrar tecnologia ao cuidado coletivo, oferece a possibilidade de mudar esse cenário. “Um exame para ser considerado bom para triagem de glaucoma tem de ter a seguintes características: ser barato, depender pouco da variabilidade de resposta do paciente e principalmente ser preciso.

Dentre todas as tecnologias disponíveis, acredito que o Retinalyze é o que mais se aproxima do que é o ideal para a triagem populacional.”, disse o oftalmologista Roberto Lauande.

Além de prevenir a cegueira, o impacto social é amplo: milhões de brasileiros poderão ter acesso a exames antes restritos a centros especializados, democratizando o cuidado e tornando a saúde ocular mais eficiente. Para especialistas, o uso da IA em larga escala representa não apenas inovação, mas também uma resposta concreta a um problema crônico da saúde pública. “Dentre todas as tecnologias que já tive experiência com glaucoma, é o que tem a maior capacidade de fazer a triagem populacional”, garante o médico. O exame ajuda os oftalmologistas a tomar decisão prática, afirma.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

Governo do Estado faz cessão de terreno para construção de policlínica em Feira

A assinatura do termo de entrega do terreno ao município aconteceu nesta segunda-feira (01) pelo governador do Estado, Jerônimo Rodrigues.


Tribuna da Bahia, Salvador

01/09/2025 11:35
1 dia, 4 horas

Foto: Wuiga Rubini


Com os recursos da segunda edição do PAC Seleções, o programa Agora Tem Especialistas viabilizará a ampliação da capacidade de atendimento na rede pública de saúde no município de Feira de Santana com a construção de uma policlínica. O novo equipamento será erguido em uma área cedida pelo Governo do Estado. A assinatura do termo de entrega do terreno ao município aconteceu nesta segunda-feira (01) pelo governador do Estado, Jerônimo Rodrigues.
Localizada no bairro Campo Limpo, às margens da BR 116, a área cedida pelo Governo do Estado tem extensão de 15 mil m². Jerônimo Rodrigues destacou a importância do trabalho em conjunto entre os governos. “Estamos fazendo um arranjo muito bom, onde o Governo Federal, o Estado e o Município entram juntos para ampliar a oferta de serviços. Se a população tem uma assistência adequada no seu município, muitas vezes ele não precisa ir para um hospital de alta complexidade”, afirma o governador.
A nova policlínica reforçará o atendimento de média complexidade em Feira de Santana, ofertando assistência multiprofissional, com foco em consultas especializadas, exames diagnósticos e pequenos procedimentos.
A secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, pontua que a Bahia tem oito policlínicas aprovadas no Novo PAC. “São seis propostas pelo Estado e outras duas pelos municípios de Feira de Santana e Salvador. Agora poderemos redimensionar todo o atendimento aqui na região, podendo atender ainda mais moradores”, afirmou.
Dentro do PAC Seleções, Feira de Santana também foi contemplada com 17 combos de equipamentos para Unidades Básicas de Saúde (UBS) e um kit completo de teleconsultas.
Além da cessão do terreno, foi entregue para o município uma van para Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

Fonte: Tribuna da Bahia

Casos de síndrome respiratória grave por Covid-19 crescem no Brasil

Boletim Infogripe, da Fiocruz, alerta para a necessidade de manter a vacinação contra a doença em dia


Tribuna da Bahia, Salvador

01/09/2025 15:50
23 horas e 46 minutos

Foto: Divulgação


O Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mais recente, divulgado na quinta-feira (28), apontou um crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 em quatro estados do Brasil: Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas e Paraíba. Apesar disso, o total de casos graves pela doença ainda segue baixo no país.

Segundo o estudo, o aumento de SRAG por Covid ainda não está gerando grandes impactos nas hospitalizações pela doença. Porém, mesmo assim, é importante que as pessoas mantenham a vacinação contra o vírus atualizada. A análise é referente à Semana Epidemiológica 34, período de 17 a 23 de agosto.

A atualização aponta também que 20 estados apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta: Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso, Goiás, Acre, Alagoas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Sergipe. No Amazonas, o crescimento do número de casos se concentra nas crianças pequenas e é causado fundamentalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

No Distrito Federal, Mato Grosso e Goiás, o aumento dos casos de SRAG ocorre principalmente nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Os dados laboratoriais sugerem que o aumento está sendo impulsionado pelo rinovírus.

“Por conta do aumento, caso crianças e adolescentes nesta faixa etária apresentem sintomas de gripe ou resfriado, devem ficar em casa e evitar ir à escola a fim de evitar a transmissão do vírus para outras crianças. Lembrando que idosos e imunocomprometidos devem tomar a vacina contra a Covid-19 a cada seis meses. Os demais grupos de risco, como pessoas com comorbidade, precisam tomar doses de reforço uma vez ao ano”, recomenda a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Processamento de Dados Científicos da Fiocruz e do Boletim InfoGripe.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

Casos de dengue e chikungunya custaram R$ 1,2 bi ao sistema de saúde

Levantamento se refere a casos registrados no país entre 2015 e 2024


Tribuna da Bahia, Salvador

01/09/2025 17:32
22 horas e 4 minutos

Foto: NIAID


Casos de dengue e chikungunya registrados no Brasil entre 2015 e 2024 custaram ao sistema de saúde brasileiro um montante de R$ 1,2 bilhão.

O cálculo foi feito com base na pesquisa Hospitalização, mortalidade e anos de vida perdidos entre casos de chikungunya e dengue no Brasil: um estudo de corte nacional, publicada na revista científica The Lancet Regional Health.

Os pesquisadores compilaram 1.125.209 casos de chikungunya, dos quais 21.336 (1,9%) necessitaram de hospitalizações; e 13.741.408 ocorrências de dengue, sendo que 455.899 (3,3%) resultaram em internações.

Considerando a média de custo de internações em hospitais brasileiros, a consultoria especializada em gestão de saúde e custos hospitalares Planisa estimou que as hospitalizações custaram, ao longo de todo o período, R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 1,15 bilhão por dengue e R$ 56,6 milhões por chikungunya.

Números

De acordo com o Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, o Brasil contabilizou, de janeiro a agosto deste ano, mais de 1,5 milhão de casos prováveis de dengue, além de 1.609 mortes confirmadas pela doença e 354 em investigação.

O painel mostra ainda quase 120 mil casos prováveis de chikungunya no país ao longo do mesmo período, além de 110 mortes confirmadas pela doença e 70 em investigação.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

Projeto orienta cirurgias cardíacas infantis em tempo real no SUS

Médicos do Hcor participam de operações em Recife, Fortaleza e Manaus


Tribuna da Bahia, Salvador

01/09/2025 17:48
21 horas e 49 minutos

Foto: Igor Toscano/IMIP


Com apenas 7 meses de idade, Laura precisou passar por uma cirurgia cardíaca para corrigir uma má formação congênita, associada à Síndrome de Down. A mãe dela, Maria Izonete Pinheiro, conta que a alteração genética da filha foi uma surpresa revelada apenas após o nascimento.

“Eu fiz todos os exames de pré-natal, mas a trissomia [anomalia do crossomo 21 que causa a síndrome] não foi detectada durante a gravidez. Foi muito assustador saber que ela teria que fazer uma cirurgia cardíaca, mas felizmente a gente conseguiu fazer com rapidez, e eu agradeço muito à toda a equipe do hospital”.

A bebê foi uma das primeiras pacientes do projeto Congênitos, que reforça a linha de cuidado da cardiopatia congênita em crianças atendidas pelo Sistema Único de Saúde em três hospitais de Fortaleza (CE), Recife (PE) e Manaus (AM). Laura é paciente do Hospital Infantil Albert Sabin, na capital cearense, que recebe cerca de 80 pacientes com cardiopatia congênita por semana, vindos de várias cidades e até de estados vizinhos.

Com a inclusão no projeto Congênitos, profissionais do Hospital do Coração de São Paulo (Hcor), serviço particular de referência no Brasil, têm acompanhado remotamente o trabalho no Albert Sabin e também no Hospital Francisca Mendes em Manaus e no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, em Recife.

Além de debater semanalmente os casos e as melhores formas de intervenção, a cada mês, um paciente é operado sob acompanhamento a distância, em tempo real, dos profissionais do hospital paulista. O sistema de Teleorientação do Ato Cirúrgico utilizado pelo projeto foi criado pelo Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (USP). A pequena Laura foi operada sob essa supervisão em agosto.

“Eles monitoram o paciente à distância, desde a visualização por uma câmera, que fica na cabeça do cirurgião e que mostra o que está sendo realizado dentro do campo cirúrgico, até o monitoramento da pressão, batimentos, oxigenação, anestesia, todos os detalhes que fazem parte da cirurgia. Então, eles têm toda uma equipe de experts que veem como nós estamos conduzindo, contribuem com sugestões e discutem melhores práticas”, complementa a cardiologista pediatra do Hospital Infantil Albert Sabin, Geni Medeiros.

Ampliação dos serviços de referência

O termo “cardiopatia congênita” engloba diversas formas de má-formação no coração ocorridas durante o desenvolvimento fetal. O Ministério da Saúde estima que quase 30 mil crianças nascem com a condição no Brasil anualmente. Aproximadamente 80% delas vão precisar de cirurgia em algum momento, o que gera uma demanda de mais de 11 mil operações por ano. Metade dessas crianças precisa do procedimento no primeiro ano de vida.

Mas nem todos os hospitais do país têm condições de realizar essas cirurgias. E alguns, como o próprio Albert Sabin, precisam encaminhar casos mais complexos para outras unidades, o que gera sobrecarga para esses hospitais e pode atrasar o procedimento, aumentando o risco de complicações futuras.

“Nós já temos cirurgia cardíaca no hospital há cerca de 20 anos, mas esse setor ainda tem muito espaço para crescer, tanto em volume quanto em complexidade. O serviço de referência que nós temos aqui em Fortaleza, que é o Hospital do Coração de Messejana, já não dá conta”, diz Geni Medeiros, que explica que o Albert Sabin foi considerado uma alternativa para aumentar a oferta desse serviço e, por isso, recebeu o projeto Congenitos.

De acordo com a líder médica do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hcor, Ieda Jatene, o objetivo é aperfeiçoar os protocolos de atendimento gerais e trocar experiências sobre casos específicos:

“Eles já fazem cirurgias de baixa e média complexidade, e também alguns casos de alta complexidade, mas a ideia é amadurecer, do ponto de vista técnico, para que eles também consigam tratar crianças que ainda precisam ser transferidas para outros serviços que tenham mais expertise em cardiopatia de alta complexidade”

A cardiologista reforça que isso é benéfico tanto para os pacientes, quanto para o sistema SUS: “Se você fizer a cirurgia no momento certo, com a técnica certa, com os recursos adequados, essa criança vai ter uma sobrevida ótima e vai ser um adolescente, um adulto com uma vida praticamente normal. Mas quando a gente não opera no momento ideal, enquanto esperam a cirurgia, essas crianças ficam com a pressão no pulmão mais elevada, com quadros repetidos de infecção, e acabam passando por várias internações. E, quando finalmente são operadas, têm pós-operatório mais longo, com mais complicações”

O projeto está sendo desenvolvido dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). As três unidades foram escolhidas pelo Ministério da Saúde, considerando sua relevância para as regiões Norte e Nordeste, e que essas regiões são as mais dessasistidas por serviços cardíacos infantis. Os hospitais serão acompanhados até o ano que vem, e 60 cirurgias teleorientadas devem ser relizadas neste período.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

Taxa de sobrepeso avança entre crianças e adolescentes baianos

Na Bahia, a alta no número de crianças e adolescentes com excesso de peso, de 10 a 19 anos, foi na mesma proporção, passando de 20%, em 2014, para 29%, em 2024


Tribuna da Bahia, Salvador

02/09/2025 08:17
7 horas e 20 minutos

Foto: Reuters/Brendan McDermid/Direitos reservados


 Por Livia Veiga

Estudo divulgado pela Organização Não Governamental (ONG) ImpulsoGov revela um cenário alarmante, que envolve o excesso de peso de crianças e adolescentes no país, a partir da análise de dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Sistema Único de Saúde (SISVAN). O levantamento aponta que um em cada três indivíduos, com idades entre 10 e 19 anos, apresenta excesso de peso atualmente.

O percentual aumentou em todas as regiões do país entre 2014 e 2024: a taxa subiu de 23% para 32%, um crescimento de nove pontos percentuais em uma década. “Os dados indicam um aumento preocupante do excesso de peso entre a faixa etária avaliada, especialmente na população acompanhada pelo Bolsa Família, cuja tendência de crescimento é mais linear e sem grandes oscilações”, explica o instituto.

Na Bahia, a alta no número de crianças e adolescentes com excesso de peso, de 10 a 19 anos, foi na mesma proporção, passando de 20%, em 2014, para 29%, em 2024. Como explica a ImpulsoGov, nesta faixa etária, o cenário é de crescimento contínuo, o que reforça a importância de estratégias específicas voltadas a essa faixa etária.

Segundo dados divulgados na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019, realizada pelo IBGE, mais da metade dos brasileiros entre 13 e 17 anos passava mais de três horas por dia sentados em frente a telas, seja assistindo televisão, jogando videogame ou usando celular, tablet e computador. Esse comportamento sedentário foi observado em 53,1% dos estudantes, refletindo uma rotina marcada por longos períodos de inatividade física.

Como explica Fernanda Soares, especialista em Saúde Pública e analista de Projetos na ImpulsoGov, o crescimento das taxas de excesso de peso reflete transformações no estilo de vida dos jovens brasileiros e a Bahia não foge a essa tendência. “O avanço da urbanização e a maior disponibilidade de alimentos ultraprocessados em supermercados e pequenos comércios, ajudam a criar um ambiente que favorece escolhas menos saudáveis, para a população que tem esse acesso e poder de escolha”, detalha.

A especialista ainda destaca que fatores socioeconômicos também pesam: “famílias de menor renda muitas vezes têm acesso limitado a alimentos frescos e acabam recorrendo a produtos industrializados mais baratos, mas ricos em açúcar, gordura e sódio. Essa combinação de ambiente alimentar desfavorável, desigualdades sociais e mudanças no padrão de lazer ajuda a explicar o aumento expressivo da obesidade entre adolescentes no país de forma geral”, completa Soares.

Dentre as cidades baianas com maior população e que registraram aumento em taxas de sobrepeso, obesidade ou obesidade grave, dentre jovens de 10 a 19 anos, estão: Salvador (passando de 26,8% em 2014, para 34,8% em 2024), Feira de Santana (de 30,5% para 32,6%), Camaçari (26,3% para 31,8%) e Vitória da Conquista (11% para 32,4%). No geral, os municípios do estado com maior percentual de jovens, desta faixa etária, com excesso de peso, são: Madre de Deus (58,6%), São Francisco do Conde (57%) e Dom Macedo Costa (42,5%).

Em todo o após, o levantamento aponta que a região Nordeste segue com os maiores percentuais (16,2% em 2024) em do excesso de peso de menores de 5 anos, indicando a persistência de desigualdades regionais no enfrentamento a esse cenário de saúde pública. No entanto, nesta faixa etária, o estudo revela queda do percentual das crianças com excesso de peso no Brasil, que caiu de 17,7% em 2014, para 13,9% em 2024, segundo dados do SISVAN.

Conforme Fernanda Soares, a redução proporcional do excesso de peso em crianças pequenas sugere que políticas públicas voltadas para a primeira infância (como acompanhamento nutricional na Atenção Primária, incentivo ao aleitamento materno e programas de suplementação) estejam sendo implementadas e tenham surtido efeito. “No entanto, à medida que as crianças crescem, entram em contato mais intenso com outro estilo de alimentação: passam a frequentar escolas e outros locais onde nem sempre há a possibilidade de ambientes alimentares saudáveis e, reduzem a atividade física cotidiana. Isso ajuda a explicar porque os adolescentes apresentam um aumento contínuo do excesso de peso”, analisa.

O relatório cita dados do Atlas Mundial da Obesidade 2024, publicado pela World Obesity Federation (WOF), que mostra que o mundo caminha para um aumento expressivo da obesidade infantil: se nenhuma medida eficaz for adotada, o número de crianças entre 5 e 19 anos com sobrepeso ou obesidade deve passar de 430 milhões em 2020 para 770 milhões em 2035, representando quase 40% das crianças do planeta. A ONG ImpulsoGov traz ainda dados que são motivo de alerta para o Brasil: em 2020, 34% das crianças no país apresentavam IMC elevado, e as projeções da WOF para 2035 indicam que 50% das crianças brasileiras terão sobrepeso ou obesidade.

Entre crianças de 5 a 9 anos, os números revelam a gravidade do cenário: o consumo de ultraprocessados atinge 83%, o maior entre as três faixas etárias; 60% fazem refeições assistindo à TV, e mais da metade consome regularmente bebidas adoçadas (66%) e guloseimas (59%). No caso das crianças de 2 a 4 anos, 71% consomem alimentos ultraprocessados; já para os jovens de 10 a 19 anos, o consumo gira em torno de 81%.

A combinação dos dois fatores de risco, má alimentação e sedentarismo, segundo a especialista do ImpulsoGov, leva ao comprometimento da saúde física e ao agravamento das desigualdades sociais, “já que as famílias com menos recursos encontram mais barreiras para oferecer alternativas saudáveis e de lazer aos seus filhos”. Como explica, o papel da ONG, através da realização de levantamentos como este, com base em dados públicos, é trazer à tona informações relevantes para a saúde da população brasileira e colocá-las no debate público.

“Nosso objetivo é apoiar a tomada de decisões, ajudando a prevenir doenças e salvar vidas. Somos uma organização sem fins lucrativos que fortalece o SUS trabalhando em parceria com governos, com soluções inovadoras baseadas em dados e tecnologia, oferecidas de forma gratuita para os profissionais de saúde pública. Nossas ferramentas ajudam a identificar riscos, garantindo diagnósticos precoces e intervenções rápidas. Já atendemos diretamente mais de 320 municípios brasileiros, por meio de diversos projetos”, informa.

Fonte: Tribuna da Bahia

Movimento “Anti-Sunscreen” que defende não usar protetores solares gera alerta

O movimento, que ganhou força em plataformas digitais entre alguns influenciadores, aponta para supostos riscos de danos à pele e potenciais efeitos alergênicos de componentes presentes em filtros solares


Tribuna da Bahia, Salvador

02/09/2025 08:59
6 horas e 39 minutos

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia


Um crescente movimento nas mídias sociais, que defende o não uso de protetores solares, tem gerado preocupação entre dermatologistas e especialistas em saúde cutânea. A disseminação de informações equivocadas sobre os protetores, e a promoção de alternativas sem comprovação científica, podem ter consequências graves, especialmente no que diz respeito à prevenção do câncer e envelhecimento precoce da pele.

O movimento, que ganhou força em plataformas digitais entre alguns influenciadores, aponta para supostos riscos de danos à pele e potenciais efeitos alergênicos de componentes presentes em filtros solares. Em resposta, muitos usuários buscam alternativas como cremes caseiros ou protetores solares à base de minerais, ou simplesmente abandonam o uso do produto. No entanto, o Grupo de Oncologia Cutânea, assim como outros grupos da comunidade científica e dermatológica, desmistificam essas informações e reforçam que as alternativas populares não oferecem a proteção comprovada e abrangente contra a radiação ultravioleta (UV) que os filtros solares tradicionais proporcionam.

Dra Laryssa Faiçal, dermatologista que integra o Grupo de Oncologia Cutânea, explica que “toda substância química tem potencial de causar alergias. Algumas substâncias já foram banidas dos protetores solares atuais e, vez ou outra, outras substâncias serão modificadas. Mas isso não justifica o não uso. A gente sabe que a maior causa do câncer de pele é a exposição solar desprotegida, tanto em casos de queimaduras solares,  quanto dano crônico cumulativo, levando a alterações no DNA das células”. Dra. Laryssa explica ainda que existem muitas evidências a favor do protetor solar. “Na Austrália, por exemplo, país com a maior incidência de melanoma, existem muitas campanhas de conscientização e as crianças são obrigadas a usar o protetor solar nas atividades ao ar livre, o que vem resultando em uma curva descendente do câncer de pele.”

Um estudo realizado pelo Orlando Health Cancer Institute revelou que um em cada sete adultos com menos de 35 anos acredita que o uso diário de protetor solar é mais prejudicial do que a exposição solar sem proteção. Este dado evidencia o perigo da desinformação, especialmente entre a Geração Z, que é altamente influenciada pelo conteúdo consumido nas redes sociais.

O oncologista clínico Dr Iuri Santana complementa que “o melanoma é um câncer altamente letal, e os carcinomas levam a uma grande morbidade, é preciso lembrat que para estes há uma medida essencial para prevenção: a fotoproteçãoe os filtros solares são uma peça fundamental”

A recomendação dos especialistas é clara: o uso regular e correto do protetor solar, aliado a outras medidas de fotoproteção como o uso de chapéus, óculos de sol e a evitar a exposição solar nos horários de pico, continua sendo a forma mais eficaz de proteger a pele contra os danos causados pelo sol e reduzir o risco de câncer de pele.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

 

Salvador recebe simpósio com cirurgias robóticas ao vivo

Especialistas debatem uro-oncologia em evento na capital baiana


Tribuna da Bahia, Salvador

02/09/2025 12:11
3 horas e 26 minutos

Foto: Divulgação


Estão abertas as inscrições para o VII Simpósio de Uro-Oncologia da Bahia, que será realizado nos dias 3 e 4 de outubro, no Wish Hotel da Bahia, em Salvador. O encontro, que já se consolidou como um evento de peso no calendário científico local e é voltado para urologistas, oncologistas, rádio-oncologistas, radiologistas, médicos nucleares, patologistas, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros, instrumentadores cirúrgicos, técnicos de enfermagem e estudantes dessas áreas. ( traz uma inovação: quatro cirurgias robóticas transmitidas ao vivo.)

Organizado pelo Grupo de Uro-Oncologia da Bahia (GRUOBA), o simpósio inclui discussões sobre cirurgias robóticas editadas, módulos dedicados ao câncer de próstata, câncer renal e câncer de bexiga. Além disso, aborda a jornada do paciente desde o diagnóstico até o tratamento e temas como a oncogenética. Cirurgias com transmissão ao vivo, simpósios satélites com inovações na área oncológica e estúdio para entrevistas e debates são algumas das novidades presentes no evento. A comissão organizadora é formada pelos urologistas Augusto Modesto, Breno Dauster e Thiago Martins.

Para o urologista Breno Dauster, a realização do simpósio representa um marco para a medicina na Bahia: “Este encontro é fundamental para fortalecer a troca de conhecimento e aproximar profissionais de diferentes áreas em torno da uro-oncologia. Trata-se de uma oportunidade única de atualização, aprendizado e integração em benefício dos pacientes”, afirmou. Além disso, “a realização de cirurgias robóticas ao vivo permite ao participante assistir diferentes abordagens operatórias e tirar dúvidas em tempo real sobre procedimentos complexos com o expert”, completou o especialista.

Já o também organizador Thiago Martins destacou a relevância da atualização contínua diante das inovações na área: “A uro-oncologia vive um momento de avanços científicos e tecnológicos muito rápidos, sobretudo com a robótica e a oncogenética. Estar atualizado deixou de ser apenas uma escolha e passou a ser uma necessidade para oferecer o melhor cuidado aos nossos pacientes”, ressaltou o urologista.

Mais informações sobre o simpósio e inscrições estão disponíveis no site: www.abmeducacaopermanente.org.br/eventos.

Fonte: Tribuna da Bahia