Como beber café pode fazer bem à saúde

A cafeína é a droga psicoativa mais popular do mundo. Os seres humanos tomam café – uma fonte natural de cafeína – há séculos. Mas, nas últimas décadas, têm surgido orientações contraditórias sobre os seus efeitos para a saúde humana.

“Tradicionalmente, o café é considerado algo ruim”, segundo o professor de epidemiologia do câncer Marc Gunter, do Imperial College de Londres. Ele já chefiou o departamento de nutrição e metabolismo da Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês).

“Pesquisas dos anos 1980 e 1990 concluíram que as pessoas que tomam café apresentam maior risco de doenças cardiovasculares”, explica o professor, “mas os estudos evoluíram desde então.”

Na última década, foram realizados novos estudos de base populacional, em escala maior. Com isso, Gunter afirma que os cientistas dispõem, agora, de dados de centenas de milhares de consumidores de café.

O café é associado ao aumento do risco de câncer por conter acrilamida, uma substância carcinogênica encontrada em alimentos como torradas, bolos e batatas fritas. Mas a IARC concluiu, em 2016, que o café não é carcinogênico (que causa câncer), a menos que seja bebido muito quente – acima de 65 °C.

Outras pesquisas concluíram que o café pode ter efeito protetor. Estudos demonstraram associação entre o consumo de café e menor risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer entre os pacientes.

Estudos também indicam que o café descafeinado, que contém quantidades de oxidantes similares ao café normal, pode ter benefícios semelhantes, sugerindo que os benefícios associados ao café se devem a outra substância, não à cafeína.

O professor Gunter explica que, apesar das descobertas, muitas dessas pesquisas foram baseadas em dados da população em geral, e não confirmam a relação entre a causa e o efeito. Estudos clínicos mais detalhados seriam necessários para estabelecer essas ligações com maior precisão.

Fonte: Tribuna da Bahia

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