Na Bahia, o acesso à saúde bucal é um direito que o poder público tem se esforçado para garantir
No Brasil, ter todos os dentes pode ser visto como um troféu para boa parte da população. Isso porque, com as dificuldades do acesso à saúde bucal gratuita, muita gente opta por arrancá-los quando eles não se apresentam sadios.
Não é à toa que cerca de 14 milhões de brasileiros acima de 18 anos vivem sem nenhum dente, e outros 34 milhões já perderam 13 ou mais dentes, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os idosos representam a maior porcentagem dessas pessoas, com 31,7%.
Mesmo após sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Política Nacional de Saúde Bucal – chamada de Brasil Sorridente, tornando-se um direito garantido por lei e com previsão de acesso contínuo aos respectivos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS), muita gente não consegue um dentista gratuito e não tem o dinheiro para tratar dos dentes. “Muita gente vem à clínica para arrancar mesmo, que é o procedimento mais barato e mais em conta. Arrancam quantos forem precisos”, conta o dentista Juliano Cardoso, que atende no município de Camaçari.
A questão começa a vir à tona com a aproximação do dia 24 de outubro, quando se celebra o Dia Nacional da Saúde Bucal. A data surge justamente para combater os índices que demonstram a precariedade da saúde bucal da população brasileira. De acordo com o especialista Juliano Cardoso, a perda dentária pode prejudicar a saúde de várias formas, não só pela estética, que influencia diretamente na autoestima, mas também na digestão, por exemplo.
“A perda de um dente dificulta a trituração dos alimentos, o que acaba sobrecarregando o aparelho digestivo, especialmente o intestino, que é responsável pela absorção de nutrientes”, explica. “A data surge como uma oportunidade de tornarmos esse assunto mais em voga, sem que as pessoas sintam vergonha, e o encarem como uma questão de saúde pública”, declarou
Na Bahia, o acesso à saúde bucal é um direito que o poder público tem se esforçado para garantir. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), somente em 2023, 63.562 pessoas já foram atendidas em três programas distintos da Estratégia Odontomóvel: Saúde Bucal Itinerante, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).
“A saúde bucal é tratada como fundamental na Bahia antes mesmo do projeto de lei sancionado pelo presidente Lula. Por isso, fazemos questão de ampliar cada vez mais o atendimento odontológico à população de forma ampla e indo onde os baianos estão”, afirmou, à época, a secretária da Saúde, Roberta Santana
Faltam dados recentes para nortear os poderes públicos sobre quantas pessoas tem questões com a saúde bucal na Bahia. Conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia possui 9,1% da população sem nenhum dente, considerando pessoas acima dos 18 anos. Os dados são do ano de 2013. Naquela época, embora quase 90% dos adultos baianos (86,9% das pessoas) afirmassem escovar os dentes ao menos duas vezes por dia, só 4 em cada 10 (42,9%) usavam pasta, escova e fio dental na higiene bucal.
A novidade é que o governo da federal anunciou, em junho deste ano, um investimento de R$13 milhões na saúde bucal dos baianos por meio das escolas públicas. Três mil equipes estarão disponíveis para atender aproximadamente 1,9 milhões de estudantes com idades entre 3 e 14 anos. Este plano faz parte de uma iniciativa nacional que totaliza um investimento de R$ 187,8 milhões em todo o país, com a expectativa de alcançar 26 milhões de estudantes em 5.055 municípios brasileiros por meio de 31,2 mil equipes de saúde bucal.
Com foco em ações de promoção, prevenção, recuperação e planejamento em saúde bucal, o investimento do governo federal vai priorizar a viabilização da técnica de Tratamento Restaurador Atraumático aos alunos. Isso significa um tratamento de amplo alcance, minimamente invasivo, que preserva as estruturas dentárias, com materiais de fácil transporte e armazenamento e prático para realização no ambiente escolar.
Prevenção – O descaso com a saúde bucal pode causar doenças como gengivites cujas bactérias podem adentrar a corrente sanguínea, chegando no coração, aumentando o risco de infarto e demais complicações. A inflamação pode afetar istema circulatório de outras maneiras, aumentando a pressão arterial e o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
Os cânceres de boca, garganta e esôfago também não estão descartados em casos de má higiene bucal. Bactérias e inflamações bucais podem criar um ambiente propício. “Os idosos são mais vulneráveis à perda dentária, por isso devem ter atenção redobrads. Nos grupos de risco estão os fumantes, as pessoas com doenças imunodepressoras, dentre outros”, explica o cirurgião dentista Carlos Almeida.
O melhor a se fazer é prevenir. “Manter uma rotina adequada de higiene bucal, escovar sempre os dentes após as refeições, usar fio dental, enxaguante. O que vivemos falando., Ir ao dentista de seis em seis meses, optar por escovas adequadas que o dentista pode recomendar”, explica a Sociedade Brasileira de Odontologia Estética.
Fonte: Tribuna da Bahia






