Setembro Amarelo nas escolas: Sinais podem identificar que crianças e adolescentes estão pedindo socorro

O mês de setembro é marcado pela cor amarela e pela reflexão sobre a importância da saúde mental. A campanha Setembro Amarelo, criada em 2015 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), busca conscientizar sobre a preservação da vida e incentivar o diálogo como forma de cuidado e acolhimento. Nas escolas, o tema ganha espaço fundamental, já que a instituição é um dos principais locais de convivência de crianças e adolescentes.

Segundo a psicanalista e neuropsicopedagoga, Anna Villa Real, a escola deve ser vista como um espaço de escuta e acolhimento durante todo ano, mas no Setembro Amarelo é possível reforçar ações mais concretas.

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”As atividades precisam se pontuais, trazendo reflexões sobre a importância de cuidar da saúde mental e mostrando que a escola é feita por muitas mãos, que devem se apoiar mutuamente”, afirmou a especialista.

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Psicanalista e neuropsicopedagoga Anna Villa Real – Reprodução/Acervo Pessoal 

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Conversa desde cedo 

Falar sobre sentimentos com as crianças não deve ser visto como uma forma de sobrecarga emocional. Pelo contrário, quanto mais cedo o autoconhecimento e autoestima forem trabalhados, maior a chance de formar indivíduos emocionalmente fortes.

”Uma criança que se sente amada, acolhida e ouvida tende a reproduzir esses comportamentos. O foco deve ser trabalhar `o eu, o outro e o nós´, que é a base da Educação Infantil”, explica Anna.


O olhar da escola

Professores e funcionários estão na linha de frente para perceber mudanças de comportamentos nos estudantes. Entre os sinais de alerta estão isolamento, apatia, agressividade, desinteresse por atividades antes prazerosas e falas como ”queria sumir” ou ”tô cansado disso tudo”. Sintomas físicos recorrentes, como dores de cabeça ou estômago, e até descuido com a aparência também podem indicar sofrimento emocional.

A participação da família

Outro ponto essencial é a parceria entre escola e família. Atividades esportivas, apresentações e projetos são oportunidades de aproximação além das reuniões pedagógicas, que permitem troca de informações importantes sobre o desenvolvimento do aluno. Para Anna, quando os responsáveis se fazem presentes, o estudante percebe reconhecimento e apoio, fortalecendo sua autoestima.

Apoio especializado

Nesse processo, a neuropsicopedagogia tem papel importante, pois une conhecimentos de neurociência, psicologia e pedagogia. O profissional dessa área é capaz de enxergar o estudante de forma integral, observando o cérebro, as emoções e a aprendizagem. A partir daí, são pensadas estratégias de intervenção e acolhimento em parceria com professores, psicólogos e a família.

Um diálogo que salva vidas 

Para além do Setembro Amarelo, a orientação é clara: não ignorar os sinais e manter o diálogo aberto. ”Às vezes achamos que criança não tem problemas, mas ela tem, de acordo com a idade dela. Ignorar isso só piora a situação. Com uma escuta sensível, podemos mostrar a nossos jovens o quanto eles são importantes e incríveis”, finaliza Anna Villa Real.

Onde buscar apoio

CVV (Centro de Valorização da Vida) – atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188 ou em www.cvv.org.br

Rede de saúde pública e CAPS (Centro de Atenção Psicossocial)

 

 

 

 

Fonte: Bahia News