Os motociclistas seguem como as principais vítimas do trânsito em Salvador. Entre janeiro e julho deste ano, 76% dos sinistros registrados na capital tiveram participação de motos, segundo dados da Transalvador (Superintendência de Trânsito do Salvador). Do total de 2.133 ocorrências, 1.628 envolveram motociclistas e resultaram em 74 mortes.
A maior parte das vítimas é formada por homens jovens, de 20 a 29 anos, que trafegam em alta velocidade nas principais avenidas da cidade. A Afrânio Peixoto (Suburbana) e a Luís Viana Filho (Paralela) concentram os maiores índices de acidentes, especialmente no período noturno, entre 18h e 23h59, e aos domingos.
Para tentar reduzir os números, a Prefeitura de Salvador lançou uma nova etapa da campanha “Desacelere. Tem sempre alguém esperando por você”, dentro da Semana Nacional do Trânsito. Segundo o superintendente da Transalvador, Diego Brito, o objetivo é chamar atenção para os riscos do excesso de velocidade, considerada a principal causa de acidentes fatais. “O excesso de velocidade associado ao desrespeito às regras de trânsito tem resultado em muitos acidentes com motociclistas. Aqui em Salvador, investimos em educação e fiscalização como formas de impedir que vidas sejam destruídas”, disse.
A campanha aposta no apelo emocional e está sendo exibida em TV, rádio, redes sociais, outdoors e painéis eletrônicos. O vídeo central mostra um motociclista que desrespeita os limites de velocidade e acaba em tragédia, destacando que cada vítima deixa uma família enlutada. As ações de conscientização se somam às medidas de infraestrutura. A motofaixa implantada na Avenida Bonocô, em março, reduziu em quase 60% os sinistros envolvendo motociclistas em apenas um mês, resultado que anima a prefeitura a avaliar a expansão para outras vias.
O cenário em Salvador segue a tendência nacional. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), motociclistas, ciclistas e pedestres respondem por quase 80% das vítimas graves de trânsito no país. Em 2024, cerca de 150 mil motociclistas precisaram de internação após acidentes, o que custou mais de R$ 230 milhões ao SUS.
A entidade alerta que a reversão só será possível com a combinação de educação, fiscalização e melhorias de infraestrutura. “Não se trata de fatalidade inevitável, mas de eventos que podem ser prevenidos”, reforça a Abramet.






