Dose todo ano? Países discutem futuro da vacinação de Covid-19

OMS não deve mais fazer recomendação global. Tendência é imunizar só vulneráveis, inclusive no Brasil

Passados quase três meses desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o fim da emergência sanitária da Covid-19, especialistas discutem qual a melhor estratégia para manter imunidade da população, que grupos devem ser vacinados, quando e com que frequência. O único consenso até agora é que não há uma receita única.

Há abismos entre países e dentro deles. Estima-se que 70,3% da população mundial receberam ao menos uma dose de vacina contra a Covid-19. Porém, nos países pobres esse percentual cai para 32,2% com ao menos uma dose. De acordo com o site Our World in Data, da Universidade de Oxford, cerca de 80 mil doses são aplicadas por dia no mundo.

Graças ao SUS, no Brasil chega a 86% o percentual de pessoas que receberam uma dose da vacina; e 82% têm duas doses, mas o percentual cai para 61,48% na terceira aplicação, de reforço.

Existem significativas variações regionais. O Norte é a região menos vacinada. Nenhum estado da região chega a 80% com a primeira dose — o Amazonas está com 79,9%. E as coberturas despencam na terceira. Em Roraima, apenas 27,26% da população têm as três doses; no Pará, somente 28,4%.

Reforço anual

A pneumologista Margareth Dalcolmo, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e integrante da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 do Ministério da Saúde, diz que a tendência é que a recomendação no Brasil seja uma dose de reforço anual feita com a bivalente (produzida com a cepa original do Sars-CoV-2 e uma das primeiras subvariantes da Ômicron) associada à vacina da influenza.

Dalcolmo diz que as doses de reforço anuais devem ser recomendadas para grupos considerados mais vulneráveis. A lista inclui pessoas acima de 60 anos, portadores de uma vasta lista de comorbidades (diabetes, obesidade, usuários de remédios que inibem o sistema imune, dentre muitos outros), além de gestantes e profissionais de saúde.

“Somados todos os grupos, é muita gente”, destaca a especialista.

Ela acrescenta que são esperadas vacinas nasais contra a Covid-19. Além da óbvia maior facilidade de aplicação, esses imunizantes acenam com a vantagem de chegar direto ao bulbo nasal, por onde começa a infecção. Laboratórios também desenvolvem uma nova monovalente, com uma versão mais recente da Ômicron.

De acordo com Dalcolmo, o Brasil já aplicou 516 milhões de doses de monovalentes, mas apenas 26 milhões de bivalentes. O grande desafio é mobilizar a população para não negligenciar a vacinação.

“Infelizmente, o Brasil foi contaminado por fake news de grupos antivacina e porque as pessoas perderam o medo da Covid-19. Para recuperar as boas coberturas vacinais, e não apenas para a Covid-19, sabemos que precisamos mudar a estratégia de vacinação, para atender as diferenças regionais”, destaca Dalcolmo.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *