Bahia deve ter 1.160 novos casos de câncer ginecológico

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) revelam que em todo o país, cerca de 30 mil mulheres por ano são diagnosticadas com um câncer ginecológico. O de colo de útero, que está fortemente associado à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), é um dos tipos mais comuns e, ainda conforme o INCA, estima-se que sejam diagnosticados 1.160 novos casos deste tipo de doença, este ano, na Bahia.

“Em relação ao câncer de colo de útero, um dos principais fatores associados é justamente o vírus HPV. Então, a importância da vacina é justamente pela questão da prevenção primária, de se evitar o câncer de colo de útero. A partir do momento que aquela pessoa, que aquela menina, se expõe à vacina, ela ganha uma proteção contra esse tipo de vírus”, explica a oncologista Julia de Castro de Souza, da Oncoclínicas, que destaca que após a vacina, o risco de a paciente desenvolver um câncer de colo de útero é muito baixo, praticamente zero.

O câncer de endométrio (câncer do corpo do útero) fica em segundo lugar em incidência, dentre os cânceres ginecológicos, com estimativa de 7.840 novos casos em 2025 e o de ovário em terceiro com previsão de 7.310 novos diagnósticos no país.  Na Bahia, a previsão do INCA é de 490 de endométrio e 460 de ovário no ano.

Como orienta a especialista, que é oncologista com foco em tumores femininos, alguns sinais e sintomas devem ser observados e em caso de apresentação deles, o atendimento médico deve ser procurado. Segundo ela, a paciente deve estar atenta a episódios de sangramento importante, fora do período menstrual, em que é possível apalpar alguma massa; ao abdômen distendido; a perda de peso; e à ocorrência de corrimento, muitas vezes fétido. “Óbvio que, muitas vezes, é uma infecção. Mas, diante de um quadro, principalmente, de sangramento, de corrimento persistente, perda de peso, isso aí preocupa um pouco mais”, detalha, alertando para sintomas como o aparecimento de ínguas embaixo do abdômen, que muitas vezes, se manifesta na doença mais avançada.

Tanto o câncer de ovário, quanto o de endométrio, segundo a médica, costumam ser diagnosticados mais tardiamente, justamente porque eles não acarretam sintomas na fase inicial, pela localização em que eles se apresentam. Muitas vezes, esse tipo de câncer só vai se manifestar quando já chega a um determinado tamanho, quando a mulher consegue perceber alguma alteração no volume do abdômen.

“O câncer de ovário e o de endométrio não têm um método preventivo. Assim, é importante que a mulher seja acompanhada e em caso de algum sintoma diferente do habitual, que ela relate isso à equipe médica”, acrescenta. Nesta linha, Julia de Castro de Souza aponta a necessidade do acompanhamento clínico como medida essencial para diagnóstico do câncer ginecológico.

“Aquela mulher, dos 25 a 64 anos, que já tem uma vida sexo ativa, é importante que ela faça com frequência essa coleta do preventivo”, orienta. Portanto, é indicada a adoção de hábitos saudáveis, como a melhoria da qualidade da dieta e a prática da atividade física, além do combate ao tabagismo e ao consumo de bebida alcoólica e à obesidade.

Em relação à inovação de exames ou tecnologias, que podem melhorar esse rastreamento e a detecção precoce desses tumores ginecológicos, a médica cita o fato de, na última semana, o Sistema Único de Saúde ter incorporado o novo padrão de identificação de rastreamento por câncer de colo de útero: a identificação do HPV no método de DNA. “Isso é um avanço bem importante no âmbito do SUS. Basicamente em uma coleta igual à do preventivo, ao invés de fazer o estudo daquelas células, ele vai identificar se tem alguma partícula de DNA daquele vírus HPV. Então, isso realmente foi o que de mais novo surgiu em relação a esse método de prevenção. Ele é realizado a partir dos 30 anos de idade, tem uma sensibilidade muito maior do que o próprio preventivo”, destaca Souza.

Como detalha a oncologista, se a mulher realizar esse teste do DNA e foi negativo, só será necessária a repetição após cinco anos; já em caso de resultado positivo, será preciso um exame mais invasivo para o diagnóstico.” Então, isso realmente foi algo inovador e foi aprovado no SUS, uma vitória muito grande para a rede pública de saúde. E eu acho que as mulheres realmente têm que comemorar, porque realmente foi um ganho bastante importante para a rede do SUS”, celebra.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia