O brilhante médico esteve na capital baiana para participar de Congresso Brasileiro de Urologia
Do Ceará, para conquistar e propagar com propriedade o conhecimento da medicina nos EUA e em todo o mundo: a trajetória do médico urologista José Edson Pontes é de dar orgulho aos brasileiros e a todos que se formam nessa profissão tão essencial para a humanidade.
Com diploma de mestre pelo Departamento de Urologia da Universidade de Medicina de Detroit, Michigan, nos EUA, (MD Wayne State University-School of Medicine Department of Urology Detroit), ex-chefe do Departamento de Urologia Oncológica da The Cleveland Clinic Foundation, em Cleveland (Ohio), o brilhante médico esteve na em Salvador nos últimos dias não só para participar do 39º Congresso Brasileiro de Urologia, no Centro de Convenções, ocorrido entre 18 e 21 deste mês, mas para receber uma homenagem pelo seu trabalho que ganhou o mundo e orgulha o país: a Medalha Juscelino Kubistchek, personalidade da história brasileira que é o patrono da Sociedade Brasileira de Urologia, urologista de formação, além de arquiteto de Brasília e pai da industrialização brasileira.
Na verdade, mais uma honraria de tantas que o país já lhe deu pelo compromisso com a urologia brasileira: Medalha de Ouro da Sociedade Brasileira de Câncer (1982), Sereia de Ouro (1989), Professor Honório Causa, Universidade Federal do Ceará (1993), Membro Honorário da Sociedade Brasileira de Urologia (1993), Medalha de Honra do Departamento de Justiça Brasileiro (1994) e Membro Honorário da Academia Brasileira de Medicina (1995).
O evento ocorre bienalmente, e é um dos Congressos mais importantes da especialidade no mundo. Reuniu os maiores nomes da área de diversos países. “Esse congresso tem mais de três mil urologistas registrados. É o terceiro maior do mundo. De muita importância científica, com gente de todo mundo e ontem fui jantar com o presidente da Sociedade, encontrei muitos colegas dos EUA e da França, um grande amigo do hospital de Montessouri”, conta ele, que saiu do Brasil há 57 anos, e hoje é radicado nos Estados Unidos, para onde foi por projetar sua carreira acadêmica.
Ele conta que escolheu Urologia como especialidade cirúrgica porque percebeu a a expansão da especialidade nas áreas de urologia pediátrica, microcirurgia e vascular. “Cheguei em 71 nos EUA e as oportunidades na época eram maiores. Sempre me envolvi em cancerologia” , conta.
A bagagem de Edson Pontes é muito extensa. Foram diversos hospitais, universidades e áreas da medicina. O renomado médico afirma que o câncer ,de próstata é uma doença tratável e tem semelhanças com câncer de mama e pro isso a prevenção é fundamental. “O mesmo tipo de câncer e existe, entre 10 a 15% importância genética, história na família, de pai, tios. Mas hoje em dia existe exame de sangue conhecido para homens depois dos 50 anos que se chama PCA, e se você tem elevações progressivas mesmo que o exame de próstata não detecta, faz uma biopsia que detecta tumores que são iniciais e curáveis”.
Questionado qual recado ele dá ao congresso, diz: “Meu recado é que a sociedade é global, pois aqui os urologistas tem conexões muito boas nos EUA e Europa, vale ressaltar que não tem nenhuma diferença no que fazem mais”, explica.
“Trabalhei por três anos em um laboratório de ciência básica de imunologia de câncer e continuei nessa vida. Em 1980, como professor associado da WSU, me ofereceram o cargo de Chefe de Oncologia Urológica no Roswell Park Memorial Institute (RPMI) em Buffalo, Nova York. Na RPMI tive a oportunidade única de interagir com muitos dos pioneiros da investigação do cancro. Foi o período mais produtivo da minha vida acadêmica, pois interagi e colaborei com cientistas como A. Sandberg, L. Weiss, M. Goldrosen, Ming Chu e muitos outros.”, conta.
Perto do final de 1984, ocupou o cargo de chefe da seção de Câncer Urológico da Cleveland Clinic Foundation (CCF). O grande número de casos complicados de encaminhamento no CCF lhe deu a oportunidade de ampliar seus conhecimentos em câncer urológico. E Depois voltei a Detroit, onde me aposentei há alguns anos”, continua.
Na imunologia clínica, colaborou com R. Bukowski e J. Finke no uso de linfócitos infiltrantes tumorais (TILs) e de linfocinas em pacientes com carcinoma de células renais metastático. “Continuei a colaborar com R. Tubbs na pesquisa do carcinoma de células renais nas áreas de células cancerígenas circulantes e estabeleci duas linhagens celulares do mesmo paciente, uma do tumor primário e outra de células cancerígenas circulantes”, revela.
Todo esse extenso currículo, para os urologistas do mundo inteiro, é merecedor de muitos prêmios. Graças a ele, muitos urologistas brasileiros foram treinados e capacitados com pela sua experiência nas escolas e universidades norte-americanas.
Agora aposentado, ele afirma: “A chave para todos nós é saber quando sair antes de ser solicitado. Cerca de 15 anos atrás, comecei uma segunda carreira como vinicultor e comecei a cultivar Pinot Noir em uma área de Michigan semelhante à região francesa da Alsácia. Nesta nova empreitada a minha curiosidade científica continua a guiar o meu entusiasmo, desde as complexidades do genoma desta uva até à sua mutação espontânea na natureza”.
“ Também estou aprendendo as complexidades de fazer um bom vinho, desde o uso da química até a intuição expressada pelos nossos produtores de vinho. O processo é incrível! Afinal, existe vida além da Urologia”. Como disse o filósofo Cícero, “os homens são como o vinho: a idade azeda os maus e apura os bons”.
Fonte: Tribuna da Bahia





