Adoçante é sempre mais saudável que açúcar? Especialista explica

Com a popularização dos produtos “zero açúcar”, os adoçantes passaram a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Mas será que trocar o açúcar por adoçante é sempre a escolha mais saudável? Especialistas explicam os limites dessa substituição.

O tema ganhou destaque após a divulgação de pesquisas que investigam possíveis efeitos dos adoçantes artificiais sobre a saúde intestinal e o metabolismo.

Alguns estudos apontam que determinadas substâncias podem interferir na microbiota intestinal, alterar a resposta do organismo à glicose e influenciar mecanismos celulares. Os resultados, porém, ainda estão sendo avaliados pela comunidade científica.

“Estudos recentes vêm demonstrando possíveis impactos de alguns adoçantes sobre a microbiota intestinal, o metabolismo da glicose e mecanismos celulares, especialmente em modelos animais. Isso não significa que o uso de adoçantes deva ser demonizado ou proibido de forma generalizada”, explica especialista consultada.

Segundo a especialista, os adoçantes podem ter um papel importante em situações específicas, principalmente para pessoas com diabetes ou em processos de redução do consumo de açúcar.

“Na prática clínica, eles podem ser úteis na transição para hábitos alimentares mais saudáveis, no manejo glicêmico de pacientes diabéticos e em estratégias individualizadas de reeducação alimentar”, afirma.

Ela lembra que fatores como qualidade da dieta, consumo de ultraprocessados, padrão alimentar, sono, atividade física e saúde intestinal também influenciam diretamente o metabolismo.

Mesmo sem açúcar adicionado, muitos alimentos ultraprocessados podem contribuir para hábitos alimentares inadequados e dificultar uma relação equilibrada com a comida.

“Mais do que trocar açúcar por adoçante, precisamos ensinar as pessoas a reconstruírem sua relação com a comida e reduzirem a necessidade constante de estímulos intensamente doces”, conclui a nutricionista.

Com o avanço das pesquisas e o aumento da oferta de produtos adoçados artificialmente, especialistas recomendam que as escolhas alimentares sejam feitas de forma individualizada. A moderação continua sendo a principal orientação para quem busca controlar o consumo de açúcar sem abrir mão do sabor.


Fonte: A Tarde