A morte do vendedor de acarajé, André Batista dos Santos Júnior, de 24 anos, reacendeu as discussões sobre os riscos das doenças cardiovasculares. Isso porque o jovem, segundo a 1ª Delegacia Territorial (DT/Barris), teria sofrido mal súbito enquanto trabalhava na Arena Fonte Nova, no último sábado (9), e mesmo tendo sido socorrido, não resistiu.
Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apontam que este ano, até o último dia 7 de agosto, foram registrados 244 óbitos por morte súbita na população residente, sendo que 19 das vítimas tinham menos de 39 anos. No ano passado, foram 356 óbitos por morte súbita, sendo três com a mesma faixa etária de André.
Como explica Marcos Barojas, médico cardiologista e diretor de prevenção cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) na Bahia, a morte súbita consiste em qualquer situação clínica que leva ao mal-estar, ao desconforto, que a pessoa falece num prazo de até 24 horas. Apesar de a causa ser, muitas vezes, desconhecida, por falta de tempo para investigações, segundo o especialista, a morte súbita pode ser classificada como cardiológica, geral ou traumática.
Segundo Barojas, dentre as causas, estão um acidente, uma pancada, um aneurisma cerebral ou embolia pulmonar. No caso de morte súbita de origem cardiogênica, o médico explica fatores que podem levar a esse quadro, especialmente, em pessoas com idade inferior a 35 anos, que estão relacionados a condições relativamente raras, condições genéticas ou congênitas, que acometem a estrutura do coração.
Condições geralmente relacionadas à morte súbita em pessoas jovens, como miocardiopatia hipertrófica e miocardites, conforme o especialista, são pouco frequentes e de difícil detecção. Barojas destaca a importância da triagem cardiológica de pessoas que vão praticar atividades físicas, especialmente, a partir de uma certa intensidade.
“Quando a pessoa deixa de fazer treino por lazer e começa a tentar fazer treino para competição, mesmo que essa competição não seja para fins profissionais, já vale a pena um olhar especializado”, alerta. Para as pessoas que têm mais de 35 anos de idade, um sinal de alerta é o depósito progressivo de placas de colesterol ao longo dos vasos, que é uma doença chamada aterosclerose, que pode levar o paciente a um infarto, angina, insuficiência cardíaca e, consequentemente, à condição de morte súbita.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) as doenças cardiovasculares, em especial, costumam se instalar silenciosamente e podem permanecer sem diagnóstico e tratamento adequados. Conforme a entidade, as afecções do coração e da circulação representam a principal causa de mortes no Brasil, com registro de mais de 1.100 mortes por dia.
A SBC aponta ainda que as doenças cardiovasculares causam o dobro de mortes que aquelas devidas a todos os tipos de câncer juntos, 2,3 vezes mais que as todas as causas externas (acidentes e violência), 3 vezes mais que as doenças respiratórias e 6,5 vezes mais que todas as infecções incluindo a AIDS. A entidade estima que, ao final deste ano, quase 400 mil cidadãos brasileiros irão morrer por doenças do coração e da circulação e, segundo dados do Cardiômetro, plataforma da SBC que monitora dados de mortes por doenças cardiovasculares no país, já foram registrados 246.051 casos este ano.
Fonte: Tribuna da Bahia






