Rede de saúde de Salvador realiza cirurgia oncológica promissora para câncer raro

Diagnóstico da doença é decisivo para a escolha do tratamento adequado

O câncer de apêndice é considerado raro no Brasil. São registrados dois casos para cada 100 mil habitantes ao ano, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. Os sintomas começam a surgir quando o tumor está em estado avançado; nos casos iniciais, a doença pode se assemelhar a um quadro de apendicite, como explica o oncologista do Hospital Teresa de Lisieux, da Hapvida, Cláudio Quadros. “O câncer de apêndice só apresenta sintomas quando está avançado, na forma de pseudomixoma, quando já se tem acúmulo de mucina no abdômen, uma espécie de secreção espessa, causando desconforto abdominal e aumento do volume do órgão. Nos casos iniciais, é identificado por exames de imagem, como a tomografia, na forma de mucocele, dilatação do apêndice. Algumas vezes, nos exames de imagem, pode se assemelhar a uma apendicite”, explica.

Cerca de 30% dos pacientes com a enfermidade receberam o diagnóstico inicial incorreto, segundo estudo publicado na revista científica Journal of Surgical Oncology. Mesmo sendo uma neoplasia rara, o diagnóstico é decisivo para a escolha do tratamento adequado. Para o especialista Cláudio Quadros, a ausência de sintomas na fase inicial, demanda uma análise cuidadosa por parte da equipe médica responsável. “O diagnóstico é feito com exames de imagem e, muitas vezes, não é realizado na fase inicial por o paciente não ter sintomas. Mas naqueles que realizam exames de imagem de rotina, como ultrassonografia, o apêndice deve ser avaliado e, em caso de suspeita de neoplasia de apêndice, a pessoa deve ser avaliada por um cirurgião, de preferência especialista em cirurgia oncológica”, explica.

Em Salvador, o Hospital Teresa de Lisieux realizou o HIPEC (Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica), procedimento cirúrgico que combina citorredução com quimioterapia hipertérmica, e, de acordo com o médico, é essencial uma equipe multidisciplinar para ter um bom resultado. “Além da Cirurgia Oncológica, é necessário participação da Anestesiologia, Intensivismo, Oncologia Clínica, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e, é claro, a equipe de Gestão Hospitalar. A incorporação da Citorredução cirúrgica com HIPEC para tratamento de pseudomixoma na Hapvida é motivo de orgulho para nós que atuamos na rede. É a possibilidade de oferecer o único tratamento que pode trazer a cura a esses pacientes”, celebra Quadros.

 

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia