De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), entre janeiro de 2022 até agosto de 2024, foram notificados 15.719 casos novos e 1.046 mortes
Doença bacteriana transmissível que pode afetar diversos órgãos como pulmão, rins, gânglios linfáticos e intestino, a tuberculose apesar de curável continua preocupando médicos em todo o Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país ocupa o 20º lugar no mundo em termos de incidência da doença, sendo classificado, pela OMS, como um dos 22 países onde a carga da doença é considerada elevada.
O cenário chama atenção também na Bahia, que continua com alta carga de tuberculose: conforme a Fiocruz, o estado segue como o 5º com o maior número de pessoas com a doença no país e ocupando a 2ª posição entre os estados da região Nordeste. Dentre os principais problemas apontados pelos especialistas, estão a interrupção do tratamento , o desconhecimento e negligência com os sintomas.
De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), entre janeiro de 2022 até agosto de 2024, foram notificados 15.719 casos novos e 1.046 mortes. Houve um aumento de casos de 2022 (5.839) para 2023 (6.279). Neste 2024, foram 3.601 notificados até agosto. Já em relação às mortes, foram 415 em 2022, 393 em 2023 e 238 até o mês oito deste ano.
Números do Boletim Epidemiológico de Tuberculose divulgado pelo Ministério da Saúde apontam que no Brasil, em 2022, cerca de 16 pessoas morreram por dia vítimas de tuberculose no país. Em 2023, o Brasil notificou 80.012 novos casos da doença, resultando em uma incidência de 37 por 100 mil habitantes, comparado aos 81.604 casos novos em 2022 — 38 por 100 mil habitantes.
O desafio apontado pelos especialistas não é, necessariamente, impedir que a doença seja transmitida, e sim aumentar a adesão ao tratamento facilmente realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Este ano, a Bahia recebeu recursos do Ministério da Saúde para intensificar ações de controle da tuberculose. Nos primeiros seis meses do ano, a cobertura da vacina BCG na Bahia atingiu 61,14%.
Sintomas – A luta das secretarias de saúde no país é conseguir conscientizar a população sobre os sintomas da doença, para que se busque de imediato um tratamento. Em 17 de novembro, Dia Nacional de Combate à Tuberculose, o executivo baiano lançou a campanha “Não é só uma tossezinha”, tentando alertar para o principal sintoma que é a tosse na forma seca ou produtiva. “Por isso, recomenda-se que todo sintomático respiratório, que é a pessoa com tosse por três semanas ou mais, seja investigado para tuberculose. Há outros sinais e sintomas que podem estar presentes”, informa a Sesab.
Dentre os sintomas, destacam-se: tosse frequente por 3 semanas ou mais; tosse seca, com catarro ou sangue; febre, geralmente ao entardecer; dor no peito; suores noturnos; falta de ar; cansaço excessivo e perda de peso.
Brasil – Em 2023, o Brasil ficou entre os sete países do grupo dos 30 com alta carga de tuberculose que alcançaram uma cobertura de tratamento da doença acima de 80%, atingindo a sua melhor proporção dos últimos anos, com 89% (número de casos notificados pelo estimado). Esse marco positivo ocorre após um histórico de oscilações em anos anteriores, com quedas significativas durante a pandemia de covid-19 — quando a cobertura chegou a 77,8% em 2020 e 75,8% em 2021.
Incidência de tuberculose na Bahia é maior entre pessoas que vivem na mesma casa, diz Fiocruz
Outro dado relevante sobre o estado baiano foi descoberto por pesquisadores do Centro de Integração de Dados em Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia. O estudo descreve uma elevada incidência de tuberculose entre contatos domiciliares, ou seja, entre pessoas que vivem na mesma residência que uma pessoa que já foi diagnosticada anteriormente com a doença.
“Essa incidência de tuberculose entre contatos domiciliares foi 16 vezes maior que a incidência de tuberculose na população geral da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, proveniente dos dados do Cadastro Único, utilizados como base de dados para esse estudo”, diz a Fiocruz.
Segundo o médico infectologista Ricardo Nunes, há um consenso entre os especialistas, não só na Bahia, como no país, que o crescimento nas notificações por tuberculose se deu pelo retorno dos registros, que haviam sido paralisados nos anos de pandemia e começou a retomar a normalidade em 2023.
Segundo ele, muita gente negligenciou os sintomas, achando que pudesse ser gripe ou Covid e, diante de resultados negativos, permaneceram em casa. “Muitos casos passaram a ser notificados com a volta da spessoas as unidades de saúde e isso parece que teve uma incidência maior, mas na verdade, eram casos que estavam subnotificados”.
Doença tem cura, mas interrupção de tratamento pode causar resistência aos medicamentos
Uma das principais preocupações dos médicos infectologistas é justamente a interrupção do tratamento feito por muitos pacientes tão logo os sintomas desaparecem. De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento é realizado com medicamentos antibióticos, que devem ser prescritos pelo médico e usados por pelo menos seis meses.
Os principais tipos de tuberculose são: latente (o paciente está infectado pela bactéria, mas não apresenta sintomas), pulmonar (a tradicional com tosse seca); ganglionar (atinge os gânglios do pescoço, nuca, axilas, virilha e abdômen, provocando febre, perda de apetite e cansaço extremo), miliar (quanto tinge vários órgãos, causando lesões na pele, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados e dor de cabeça); e cutânea (tipo raro que, além sintomas comuns, causa úlceras, nódulos com pus e lesões semelhantes com verrugas na pele).
“O ciclo deve chegar ao seu fim, para combater a doença que começa geralmente com uma infecção provocada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, ou Bacilo de Koch. Ainda que o paciente se sinta melhor, é preciso manter os remédios pelo tempo receitado pelo profissional, caso contrário, a interrupção pode causar resistência da doença ao medicamento”, explica Nunes.
Prevenção – As medidas de prevenção são muito simples. Desde tomar a vacina BCG, que previne contra a forma grave da tuberculose a evitar aglomerações. Especialistas também dão dicas: manter os ambientes sempre bem arejados; pessoas com tuberculose devem cobrir a boca com a mão ou lenço ao tossir e evitar sair de casa e receber visitas no início do tratamento. Recomenda-se, ainda, deixar entrar a luz natural nos ambientes, porque o bacilo causador da tuberculose é sensível à luz do sol.
Fonte: Tribuna da Bahia






