Bahia registra 31.228 internações por doenças cardíacas em 2024

Na Bahia, o cenário é igualmente grave. Em 2023, o estado contabilizou 63.975 internações, sendo 31.228 ocorrências somente neste ano.

A cada minuto, uma pessoa chega a um pronto-socorro no Brasil com crises agudas relacionadas a doenças do coração, como insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio. Em 2023, o país registrou 641.980 internações por essas causas, um dado alarmante que gera preocupação na Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), especialmente com o aumento da demanda no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na Bahia, o cenário é igualmente grave. Em 2023, o estado contabilizou 63.975 internações, sendo 31.228 ocorrências somente neste ano. As principais causas das internações incluem doenças isquêmicas do coração, com 7.937 casos, infarto agudo do miocárdio, com 5.023, e hipertensão essencial, com 2.194.

Camila Lunardi, presidente da ABRAMEDE, destaca a importância de uma formação adequada para médicos que atuam em departamentos de emergência. Embora a Residência Médica em Medicina de Emergência seja reconhecida desde 2015, nem todas as regiões têm acesso a essa especialização, o que dificulta a capacitação dos profissionais. Lunardi enfatiza que é fundamental que médicos com experiência em prontos-socorros recebam educação continuada para garantir um atendimento de qualidade.

Além disso, ela aponta que muitos hospitais carecem de recursos essenciais para o tratamento de emergências cardíacas, como departamentos de hemodinâmica, onde pacientes em estado crítico podem ser atendidos rapidamente. A capacitação dos médicos para reconhecer as doenças cardiovasculares mais graves é crucial.

Lunardi propõe a criação de uma rede de assistência médica interligada, que permita a transferência ágil de pacientes entre centros de referência. A preocupação da ABRAMEDE é que, na maioria dos prontos atendimentos vinculados ao SUS, os médicos estejam bem treinados e capacitados para agir rapidamente e com precisão.

Dra. Marianna Andrade, cardiologista e coordenadora do serviço de Cardiologia do Hospital MaterDei Salvador, explica que os casos de emergência requerem intervenções imediatas e são caracterizados pelo risco iminente à vida, como paradas cardíacas e choques circulatórios. Por outro lado, os casos de urgência, que não são imediatamente letais, também exigem atenção rápida.

A classificação de risco é uma etapa fundamental no atendimento, realizada por profissionais qualificados que utilizam escalas de priorização, como a escala de Manchester. Essa triagem é essencial para garantir que os pacientes mais graves recebam atendimento primeiro e que o fluxo de atendimento seja organizado de maneira eficiente.

Quando o caso não é de urgência, a recomendação é que os pacientes busquem atendimento na atenção primária, evitando os riscos do ambiente hospitalar e contribuindo para a desobstrução dos serviços de emergência. Consultórios e postos de saúde são os locais mais adequados para esses atendimentos.

O perfil das vítimas pode variar, mas idosos e pessoas com comorbidades são os mais propensos a situações de urgência. Trabalhadores em ambientes de risco e aqueles com acesso limitado à saúde primária também estão mais vulneráveis. A crise cardiovascular no Brasil demanda uma abordagem abrangente, focada na formação médica, eficiência no atendimento e promoção da saúde preventiva, visando oferecer cuidados adequados e salvar vidas.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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