De acordo com a Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico (SBTO), cerca de 90% dos registros em ambulatório são de mulheres e a menopausa é uma condição que explica esse cenário
Doença prevalente na população brasileira, a osteoporose atinge aproximadamente 10 milhões de pessoas no país e cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2022 e julho de 2024, os atendimentos ambulatoriais por osteoporose no Sistema Único de Saúde (SUS) somaram 150.668 registros e os hospitalares, 322.
De acordo com a Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico (SBTO), cerca de 90% dos registros em ambulatório são de mulheres e a menopausa é uma condição que explica esse cenário. Conforme a entidade, a osteoporose é uma preocupação significativa de saúde pública, dada a sua relação com fraturas e complicações associadas, especialmente em idosos.
Como explica Niklas Soderberg, gerente médico do Hospital Ortopédico do Estado da Bahia, a doença é caracterizada por perda da densidade óssea e acomete, principalmente, mulheres no período pós-menopausa, acima de 50 anos. Além disso, segundo ele, a osteoporose acontece predominantemente em países mais desenvolvidos, pela maior expectativa de vida da população.
“A osteoporose é responsável por milhares de fraturas todos os anos aqui no Brasil e, principalmente de quadril, causando grande comprometimento da funcionalidade dessa população acometida. A causa está diretamente relacionada ao envelhecimento humano”, aponta o especialista.
Outros fatores também podem estar ligados à incidência da osteoporose, como a deficiência de cálcio, vitamina D e a doenças relacionadas a hormônios, como: queda do estrogênio, principal hormônio feminino, e ao uso prolongado de corticoide. Sedentarismo e hábitos como o uso de álcool e tabaco também podem ser causa da doença.
O gerente médico ainda informa que, no Hospital Ortopédico do Estado, aproximadamente 50% dos pacientes admitidos da lista de urgência e emergência do estado com fratura de fêmur, são idosos. “Sem dúvida nenhuma, a osteoporose entra como grande responsável por grande parte desses pacientes com esse tipo de fratura”, constata Soderberg.
A SBTO aponta ainda que as principais lesões ortopédicas decorrentes da osteoporose incluem fraturas na coluna, que podem acontecer por quedas ou até mesmo esforços leves, causando dor e comprometendo a postura. As mãos também podem ter sua funcionalidade afetada, pois é comum fraturas do punho, frequentemente relacionadas a quedas de idosos, além de ombros por impactos direto, resultando em dor e limitações de movimento.
“Após uma fratura de quadril, muitos pacientes têm dificuldade em se locomover, o que pode resultar em perda de independência, além de complicações cirúrgicas que envolvem riscos como infecções, coágulos sanguíneos e reações adversas à anestesia”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico, Marcelo Tadeu Caiero.
Aliado ao diagnóstico precoce, a mudança do estilo de vida é uma terapia eficaz quando o assunto é a osteoporose. Soderberg destaca que isso pressupõe a adoção de dieta e exercício, principalmente exercícios de fortalecimento e dietas ligadas ao uso de cálcio, vitamina D, que introduza laticínios, folhas verdes de forma regular na dieta diária e também interrupção do álcool e tabagismo.
“Outra terapia possível é o uso de medicações, medicações essas que são hormônios, que podem ser usados como terapia complementar, já que a gente disse que essa doença está totalmente ligada à deficiência hormonal, mas também reposição de cálcio, vitamina D, medicações que diminuem a absorção do osso e até mesmo, imunomoduladores. Mas, um terceiro ponto que é tão importante quanto a mudança do estilo de vida e de medicações é a prevenção das quedas”, alerta.
O gestor da unidade hospitalar relacionada medidas preventivas que podem ser adotadas em ambiente doméstico para evitar acidentes. São eles: a criação de ambientes com um pouco mais de luminosidade; barras de apoio; exclusão de tapetes; além do acendimento automático de luzes com movimento na casa de pacientes com risco de fratura.
Fonte: Tribuna da Bahia






